domingo, 24 de abril de 2016

A cusparada do Zé de Abreu e o processo civilizatório brasileiro




Nem vou lá muito com a cara do ator-militante José de Abreu.
Ele tem lá uma bela história de resistência à ditadura militar, mas isso não lhe é passaporte para dizer a montanha de sandices que costuma dizer nas redes sociais (mais que em entrevistas).
Mas ele agiu correto ao dar a cusparada no casal de agressores do restaurante japonês em São Paulo.
Foi até ameno. Poderia atirar, por exemplo, um copo na cabeça do macho do duo e dar um beliscão nos peitos da fêmea.
Repetiu o que fez Jean Wyllys, recente, com Bolsonaro, o insano.
Estiveram ambos certos e corretos.
É preciso reagir sempre. Atitudes complacentes e passivas não ajudam em nada. Pelo contrário: dão força ao crescer da onda de intolerância.
Reagindo podemos chegar a uma conflagração?
Pode ser! Mas e daí?
O interessante é ler e ouvir o que diz a insanidade, ao qualificar a reação de Zé de Abreu como um marco da incivilidade de petistas, esquerdistas, anarquistas, comunistas e blábláblá.
Xingar o cara de “ladrão” e a sua parceira de “vagabunda” vale, faz parte. Reagir não!
Tristes trópicos”!
Por muito menos, um amigo chamado Galvão, no balcão de um boteco em Cotia (SP), deu uma tapona na cara de um sujeito que lhe enchia a paciência, e este, surpreso, não conseguiu reagir.
A história acabou por aí.
Das civilidades
Quando éramos adolescentes costumávamos dizer que Norodom Sihanouk (rei do Camboja em dois períodos - de 1941 a 1955 e de 1993 a 2004) criara um ótimo método para civilizar o seu povo: varadas.
Cuspiu no chão: 5 varadas; ofendeu outro com palavrão: 10 varadas; urinou na rua: 20 varadas.
A brincadeira não nos serve de consolo e nem de exemplo, pois coisa parecida ocorreu por aqui com índios e negros, e ainda acontece com quem ousa desafiar a bandidada que domina o tráfico (o que é uma antecipação do assassinato).
Mas coisa parecida também foi imposta na breve presidência de Jânio Quadros e suas multas contra cuspir no chão e usar biquíni nas praias.
Das humilhações
Cuspir e dar uma tapa na cara são atos de humilhação.
Por mais que a “vítima” reaja e até, eventualmente, vença da briga, vai ter de carregar pelo resto da existência a marca do desprezo e do escárnio.
São fardos ruins de carregar.
Wyllys, Abreu e Galvão até foram “bonzinhos” e complacentes.
Outro(s) de pavio mais curto poderia(m) ter atirado em seus agressores.
C'est La Vie, baby!
Referências

O último fio de Dilma Rousseff e a bala que ela não detonou



De início uma breve (e egocêntrica) explicação: nestes dias atribulados não estava cá eu escondidinho ou em alguma UTI, como alguém chegou a imaginar. Apenas batendo pernas, dando um rolê. Não existiria pior tempo, mas fazer o que? Circunstâncias são circunstância.
Coisas aconteceriam, como aconteceram com a presidente Dilma Rousseff que teve inúmeras chances de se safar das armadilhas da política, das traições e do ódio, mas marcou bobeira.
Agora está por um fio. Tênue. Bamboleante. A ponto de rebentar.
Se ela cai (eu disse sempre, desde o antigo 2014, antes da reeleição, que a presidente entregaria a faixa de 1º de janeiro de 2019)?
Bem provável, embora chances para mudar a rotação da Terra sempre existam.
É isso que Temer e os raivosos, por exemplo, estão tentando fazer: retomar a rotação da Terra ao contrário a ponto de nos levar ao início da Era Industrial.
Não teremos ranger de dentes, urros e vivas quando isso acontecer (se é que vai acontecer mesmo. Ainda duvido).
Teremos algumas perplexidades e aquela velha sensação de que fomos traídos.
Isso é recorrência.
A coisa
Mesmo que do bunker pessoal acompanhei a coisa.
Não vi que os contra estiveram tão eufóricos assim.
As ruas estiveram meio calmas, algo anuviadas.
Talvez nem eles mesmos acreditassem no tamanho da bobagem que estavam ajudando a fazer.
Ignorância tem seu preço e o cobrador cobra rápido.
De divertido mesmo apenas a deputada federal mineira de Montes Claros que após o seu “sim, sim, sim” acabou, no dia seguinte, com a Polícia Federal na porta da casa prendendo o seu maridinho.
A chance
A chance de Dilma se safar via Senado é bem pequenininha, se é que existe.
Talvez ela jogue as suas últimas fichas no STF, mas aí “Inês é morta”.
Se sair para dar um rolê de meio salário presidencial volta mais não.
O quéquéqué
Até os contra mudaram o discurso (provavelmente achando que a presidente já se fazia defunta) – nisso eles são rápidos – e com um bocado de humor, uma característica dos contestadores desde o início.
Do lado dos a favor o mesmo rame-rame, o mesmo quéquéqué de sempre: PIG, o golpe, os ganhos do lulo petismo e blábláblá.
Ah... e uma baita falta de humor.
Não há quem guente tanta inabilidade.
Os apoios
 Agora se busca apoio no exterior contra o golpe (sic), assim como se buscou apoio de artistas e famosos, gente afinada com a lógica de esquerda.
Como se previu por aqui isso adiantava de nada não, como vai adiantar de nada não esse périplo todo pelos exteriores.
A briga é nas ruas, em solos brasileiros, e por eles as esquerdas já perderam terreno há um bocado de tempo.
A bala
Já se disse por aqui, noutros tempos, que a presidente tinha uma última bala no tambor de seu revolver salvacionista: livrar-se de Luiz Inácio Lula da Silva.
Não soube usar ou não quis usar ou não pode usar.
Paciência. Agora é tarde e Inês morreu de novo.
O discurso
Como também já se anotou por aqui (e inúmeras vezes), o discurso do governo mantem-se equivocado.
Você pode até vender bananas podres a preço de ouro se você for competente e safo.
Tem sempre gente estúpida para comprar essas coisas.
Se você for ruim de discurso, você não vende nem agulha imantada e nem salva uma presidente da cassação e/ou do impeachment.
Bem que avisei, mas quem ouve?
Paradão
É possível que a (suposta, quiçá provável) posse de Temer tenha um festão.
E a esse festão se seguiria um paradão geral, como ameaçam os movimentos sociais acoplados ao petismo?
Bem... pode até ser, mas antes será preciso combinar com os russos, ou melhor, com os movimentos sociais que nem estão acoplados ao petismo e nem são grifes.
Essa gente (que se somam aos milhares, quiçá, milhões) não está muito contente com os desarranjos do PT no governo.
A se conferir nos próximos meses e talvez seja este um filme imprevisível e pavoroso.
Anote aí!