domingo, 24 de abril de 2016

O último fio de Dilma Rousseff e a bala que ela não detonou



De início uma breve (e egocêntrica) explicação: nestes dias atribulados não estava cá eu escondidinho ou em alguma UTI, como alguém chegou a imaginar. Apenas batendo pernas, dando um rolê. Não existiria pior tempo, mas fazer o que? Circunstâncias são circunstância.
Coisas aconteceriam, como aconteceram com a presidente Dilma Rousseff que teve inúmeras chances de se safar das armadilhas da política, das traições e do ódio, mas marcou bobeira.
Agora está por um fio. Tênue. Bamboleante. A ponto de rebentar.
Se ela cai (eu disse sempre, desde o antigo 2014, antes da reeleição, que a presidente entregaria a faixa de 1º de janeiro de 2019)?
Bem provável, embora chances para mudar a rotação da Terra sempre existam.
É isso que Temer e os raivosos, por exemplo, estão tentando fazer: retomar a rotação da Terra ao contrário a ponto de nos levar ao início da Era Industrial.
Não teremos ranger de dentes, urros e vivas quando isso acontecer (se é que vai acontecer mesmo. Ainda duvido).
Teremos algumas perplexidades e aquela velha sensação de que fomos traídos.
Isso é recorrência.
A coisa
Mesmo que do bunker pessoal acompanhei a coisa.
Não vi que os contra estiveram tão eufóricos assim.
As ruas estiveram meio calmas, algo anuviadas.
Talvez nem eles mesmos acreditassem no tamanho da bobagem que estavam ajudando a fazer.
Ignorância tem seu preço e o cobrador cobra rápido.
De divertido mesmo apenas a deputada federal mineira de Montes Claros que após o seu “sim, sim, sim” acabou, no dia seguinte, com a Polícia Federal na porta da casa prendendo o seu maridinho.
A chance
A chance de Dilma se safar via Senado é bem pequenininha, se é que existe.
Talvez ela jogue as suas últimas fichas no STF, mas aí “Inês é morta”.
Se sair para dar um rolê de meio salário presidencial volta mais não.
O quéquéqué
Até os contra mudaram o discurso (provavelmente achando que a presidente já se fazia defunta) – nisso eles são rápidos – e com um bocado de humor, uma característica dos contestadores desde o início.
Do lado dos a favor o mesmo rame-rame, o mesmo quéquéqué de sempre: PIG, o golpe, os ganhos do lulo petismo e blábláblá.
Ah... e uma baita falta de humor.
Não há quem guente tanta inabilidade.
Os apoios
 Agora se busca apoio no exterior contra o golpe (sic), assim como se buscou apoio de artistas e famosos, gente afinada com a lógica de esquerda.
Como se previu por aqui isso adiantava de nada não, como vai adiantar de nada não esse périplo todo pelos exteriores.
A briga é nas ruas, em solos brasileiros, e por eles as esquerdas já perderam terreno há um bocado de tempo.
A bala
Já se disse por aqui, noutros tempos, que a presidente tinha uma última bala no tambor de seu revolver salvacionista: livrar-se de Luiz Inácio Lula da Silva.
Não soube usar ou não quis usar ou não pode usar.
Paciência. Agora é tarde e Inês morreu de novo.
O discurso
Como também já se anotou por aqui (e inúmeras vezes), o discurso do governo mantem-se equivocado.
Você pode até vender bananas podres a preço de ouro se você for competente e safo.
Tem sempre gente estúpida para comprar essas coisas.
Se você for ruim de discurso, você não vende nem agulha imantada e nem salva uma presidente da cassação e/ou do impeachment.
Bem que avisei, mas quem ouve?
Paradão
É possível que a (suposta, quiçá provável) posse de Temer tenha um festão.
E a esse festão se seguiria um paradão geral, como ameaçam os movimentos sociais acoplados ao petismo?
Bem... pode até ser, mas antes será preciso combinar com os russos, ou melhor, com os movimentos sociais que nem estão acoplados ao petismo e nem são grifes.
Essa gente (que se somam aos milhares, quiçá, milhões) não está muito contente com os desarranjos do PT no governo.
A se conferir nos próximos meses e talvez seja este um filme imprevisível e pavoroso.
Anote aí!

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