quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Governo Dilma perde o rumo e o país afunda e sofre



O Brasil fecha 2015 com números ruins que nos remetem de volta ao fim o regime militar, o qual levou o país à beira do precipício, de onde somente foi salvo com a queda de Fernando Collor de Melo poucos anos depois.
A culpa é da crise internacional que devasta o neoliberalismo e as aventuras populistas de esquerda?
A culpa é da incompetência do PT que somente soube navegar com vento favorável?
A culpa é da oposição que explora à larga a crise econômica, transformando-a, também, numa grave crise política?
A resposta mais corriqueira e banal seria dizer tratar-se de uma junção das três hipóteses.
Mas se um barco afunda seria lúcido culpar o material com o qual foi construído; as águas que estão agitadas; os passageiros que estão todos bêbados?
Se o barco afunda, a culpa é de seu comandante, sempre!
E a culpa, neste caso brasileiro, é do Partido dos Trabalhadores, há 13 anos no poder.
Não é justo, nem lúcido culpar apenas Dilma Rousseff, que buscou navegar em águas turbulentas, sujeita a chuvas e trovoadas num barquinho em frangalhos deixado pelo seu antecessor, o também petista Luiz Inácio Lula da Silva.
Portanto que o PT assuma o ônus dessa hecatombe.
O Brasil parou de vez!
Começa 2016 pior do que iniciou 2015.
E a previsão, do próprio governo, são mais sombrias para o ano que começa, do que aquelas feitas no janeiro do ano passado.
Alguns textos, recentes e interessantes, para nos situarmos frente ao que vem por aí:
“Assim se desfaz a herança do Lulismo”
O Banco Central divulgou ontem dados que deveriam ser examinados com atenção, por quem pensa que a crise econômica brasileira é uma ladainha construída pela oposição à presidente Dilma. O chamada “demanda interna” (que corresponde ao consumo dos brasileiros mais os investimentos feitos no país) despencou 6,2% em 2015. O recuo é muito superior à queda do PIB (-3,6%), que considera também o resultado das compras e vendas ao exterior. Prevê-se, além disso, que o fenômeno prossiga em 2016, quando, segundo os dados do próprio governo, haverá uma retração de 3,7%. No período de dois anos, a demanda interna terá caído 10%. O retrocesso será inédito, superando tanto a recessão que antecedeu o fim da ditadura militar quanto a que levou o presidente Collor de Mello ao impeachment.
O futuro da esquerda não é mais difícil de prever que qualquer outro facto social. A melhor maneira de o abordar é fazer o que designo por sociologia das emergências. Consiste esta em dar atenção especial a alguns sinais do presente por ver neles tendências ou embriões do que pode vir a ser decisivo no futuro. Neste texto, dou especial atenção a um fato que, por ser incomum, pode sinalizar algo de novo e importante. Refiro-me aos pactos entre diferentes partidos de esquerda.
“A difícil, mas necessária travessia”
Neste começo de 2016, me recuso a especular e elaborar prognósticos sobre o que poderá acontecer como desdobramento da enorme crise político-econômica que estamos vivendo, particularmente aqui no Brasil. Prefiro pensar no que é necessário fazermos, a partir da diversidade de sujeitos coletivos que conformamos como cidadania, para serem criadas possibilidades políticas de revitalização da nossa democracia. Estamos diante da necessidade de constituir uma nova hegemonia, de um novo imaginário mobilizador, de uma nova onda democratizadora da política e da economia, que seja capaz de transformar situações através da disputa democrática pautada por valores e princípios éticos dos projetos e rumos para o país.
“A sociedade do cansaço e do abatimento social”
"Um dito da revolução de 1968 dizia: 'metrô, trabalho, cama'. Agora se diz: 'metrô, trabalho, túmulo'. Quer dizer: doenças letais, perda do sentido de vida", escreve Leonardo Boff, filósofo, teólogo e escritor.
Há uma discussão pelo mundo afora sobre a “sociedade do cansaço”. Seu formulador principal, é um coreano que ensina filosofia em Berlim, Byung-Chul Han, cujo livro com o mesmo título acaba de ser lançado no Brasil (Vozes 2015). O pensamento nem sempre é claro e, por vezes discutível, como quando se afirma que “cansaço fundamental” é dotado de uma capacidade especial de “inspirar e fazer surgir o espírito” (cf. Byung-Chul Han, p. 73). Independentemente das teorizações, vivemos numa sociedade do cansaço. No Brasil além do cansaço sofremos um desânimo e um abatimento atroz.
Consideremos, em primeiro lugar, a sociedade do cansaço. Efetivamente, a aceleração do processo histórico e a multiplicação de sons, de mensagens, o exagero de estímulos e comunicações, especialmente pelo marketing comercial, pelos celulares com todos os seus aplicativos, a superinformação que nos chega pelas mídias sociais, nos produzem, dizem estes autores, doenças neuronais: causam depressão, dificuldade de atenção e uma síndrome de hiperatividade.
Efetivamente, chegamos ao fim do dia estressados e desvitalizados. Nem dormimos direito, desmaiamos.
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