segunda-feira, 10 de outubro de 2016

“O Agronegócio matou o Grande Sertão”



[Num distante 11 de Setembro, nos fins do Século XIX, nasceu a pequena Maria Deodorina. Batizada em Itacarambi, nasceu para o dever de guerrear e nunca ter medo. Maria Deodorina da Fé Bettancourt Marins é o nome completo da personagem Diadorim, amor secreto do circunspecto e reflexivo Riobaldo, ou do jagunço Reinaldo, companheiro de armas do bando de Joca Ramiro.
Por coincidência, ou por alguma outra razão oculta na mente do genial Guimarães Rosa, Diadorim nasceu justamente no dia do Cerrado. E, portadora de uma rara sensibilidade, Diadorim conseguia enternecer o coração do jagunço matador de gente com os brilhos da noite, a beleza das muitas flores e a alegria das aves. Se Riobaldo passou a enxergar a beleza do Sertão, muito se deveu à maneira como os olhos verdes de Diadorim viam o verde do mundo, mesmo em uma realidade de sangue e ódio.
Embora muitas pessoas ainda imaginem que o Romance Grande Sertão: Veredas tenha como cenário o semiárido (talvez pelo uso do termo “Sertão”), praticamente todo o enredo se passa nos Cerrados de Minas Gerais, com incursões na Bahia e em Goiás. Sertão era o ermo, a solidão. Na cosmologia Rosiana, o Sertão é o âmago do coração, o ermo dos sentimentos, o isolamento da alma, a sequidão da existência, enquanto as Veredas são os caminhos que permitem que esse interior oculto e sombrio seja alcançado, tocado e refrescado pelas águas cristalinas que alegram a alma e nutrem os buritis, donos de toda a beleza. O Romance Grande Sertão: Veredas é considerado um dos 100 livros mais importantes da humanidade.]
Leia o texto completo de Reuber Brandão em:

sábado, 8 de outubro de 2016

A armadilha quântica do tempo no filme 'Arq'

A armadilha quântica do tempo no filme 'Arq': Em um cenário distópico num mundo em crise energética e ambiental, um engenheiro cria uma máquina que produz energia ilimitada. Mas q...

terça-feira, 24 de maio de 2016

Ninguém quer o Michel Temer no baile de debutantes


Ô vida marvada, hein Michelznho – foto: www.vegetall.com.br

The Independent, The New York Times, Financial Time, The Guardian – será que todos vivaram comunistas, bolivarianos?
Todos eles chamam o GOLPE de GOLPE.
Mais discretos, BBC e El País apenas repetem o que os outros dizem (com destaque): É GOLPE!
A diplomacia francesa já mandou avisar: o Brasil está fora das mesas de negociações. Pode até chegar qual cachorro de rua que espia aquelas assadeiras de frango de padaria. Mas só pode babar e lamber os beiços.
Barack Obama não disse nada, mas se quisesse dizer teria feito como seu antecessor que em menos de 24 horas deu seu aval ao GOLPE contra o Hugo Chaves.
Macri, o presi da Argentina, como bom milongueiro, fez que disse, mas nada disse. Tá parecendo o Messi.
Falando em los hermanos, em sua visita a mi Buenos Aires querido, Zé Serra, o agora diplomata, foi recebido com uma chuva de “bolinhas de papel”.
Alguém ainda se lembra da campanha da primeira eleição de Dilma Rousseff?
Michel Temer, o interino, está parecendo aquele adolescente que não gosta de tomar banho, usa roupa suja e tem uma centena de espinhas na cara.
Ninguém quer ir ao baile de debutantes com ele.

domingo, 24 de abril de 2016

A cusparada do Zé de Abreu e o processo civilizatório brasileiro




Nem vou lá muito com a cara do ator-militante José de Abreu.
Ele tem lá uma bela história de resistência à ditadura militar, mas isso não lhe é passaporte para dizer a montanha de sandices que costuma dizer nas redes sociais (mais que em entrevistas).
Mas ele agiu correto ao dar a cusparada no casal de agressores do restaurante japonês em São Paulo.
Foi até ameno. Poderia atirar, por exemplo, um copo na cabeça do macho do duo e dar um beliscão nos peitos da fêmea.
Repetiu o que fez Jean Wyllys, recente, com Bolsonaro, o insano.
Estiveram ambos certos e corretos.
É preciso reagir sempre. Atitudes complacentes e passivas não ajudam em nada. Pelo contrário: dão força ao crescer da onda de intolerância.
Reagindo podemos chegar a uma conflagração?
Pode ser! Mas e daí?
O interessante é ler e ouvir o que diz a insanidade, ao qualificar a reação de Zé de Abreu como um marco da incivilidade de petistas, esquerdistas, anarquistas, comunistas e blábláblá.
Xingar o cara de “ladrão” e a sua parceira de “vagabunda” vale, faz parte. Reagir não!
Tristes trópicos”!
Por muito menos, um amigo chamado Galvão, no balcão de um boteco em Cotia (SP), deu uma tapona na cara de um sujeito que lhe enchia a paciência, e este, surpreso, não conseguiu reagir.
A história acabou por aí.
Das civilidades
Quando éramos adolescentes costumávamos dizer que Norodom Sihanouk (rei do Camboja em dois períodos - de 1941 a 1955 e de 1993 a 2004) criara um ótimo método para civilizar o seu povo: varadas.
Cuspiu no chão: 5 varadas; ofendeu outro com palavrão: 10 varadas; urinou na rua: 20 varadas.
A brincadeira não nos serve de consolo e nem de exemplo, pois coisa parecida ocorreu por aqui com índios e negros, e ainda acontece com quem ousa desafiar a bandidada que domina o tráfico (o que é uma antecipação do assassinato).
Mas coisa parecida também foi imposta na breve presidência de Jânio Quadros e suas multas contra cuspir no chão e usar biquíni nas praias.
Das humilhações
Cuspir e dar uma tapa na cara são atos de humilhação.
Por mais que a “vítima” reaja e até, eventualmente, vença da briga, vai ter de carregar pelo resto da existência a marca do desprezo e do escárnio.
São fardos ruins de carregar.
Wyllys, Abreu e Galvão até foram “bonzinhos” e complacentes.
Outro(s) de pavio mais curto poderia(m) ter atirado em seus agressores.
C'est La Vie, baby!
Referências

O último fio de Dilma Rousseff e a bala que ela não detonou



De início uma breve (e egocêntrica) explicação: nestes dias atribulados não estava cá eu escondidinho ou em alguma UTI, como alguém chegou a imaginar. Apenas batendo pernas, dando um rolê. Não existiria pior tempo, mas fazer o que? Circunstâncias são circunstância.
Coisas aconteceriam, como aconteceram com a presidente Dilma Rousseff que teve inúmeras chances de se safar das armadilhas da política, das traições e do ódio, mas marcou bobeira.
Agora está por um fio. Tênue. Bamboleante. A ponto de rebentar.
Se ela cai (eu disse sempre, desde o antigo 2014, antes da reeleição, que a presidente entregaria a faixa de 1º de janeiro de 2019)?
Bem provável, embora chances para mudar a rotação da Terra sempre existam.
É isso que Temer e os raivosos, por exemplo, estão tentando fazer: retomar a rotação da Terra ao contrário a ponto de nos levar ao início da Era Industrial.
Não teremos ranger de dentes, urros e vivas quando isso acontecer (se é que vai acontecer mesmo. Ainda duvido).
Teremos algumas perplexidades e aquela velha sensação de que fomos traídos.
Isso é recorrência.
A coisa
Mesmo que do bunker pessoal acompanhei a coisa.
Não vi que os contra estiveram tão eufóricos assim.
As ruas estiveram meio calmas, algo anuviadas.
Talvez nem eles mesmos acreditassem no tamanho da bobagem que estavam ajudando a fazer.
Ignorância tem seu preço e o cobrador cobra rápido.
De divertido mesmo apenas a deputada federal mineira de Montes Claros que após o seu “sim, sim, sim” acabou, no dia seguinte, com a Polícia Federal na porta da casa prendendo o seu maridinho.
A chance
A chance de Dilma se safar via Senado é bem pequenininha, se é que existe.
Talvez ela jogue as suas últimas fichas no STF, mas aí “Inês é morta”.
Se sair para dar um rolê de meio salário presidencial volta mais não.
O quéquéqué
Até os contra mudaram o discurso (provavelmente achando que a presidente já se fazia defunta) – nisso eles são rápidos – e com um bocado de humor, uma característica dos contestadores desde o início.
Do lado dos a favor o mesmo rame-rame, o mesmo quéquéqué de sempre: PIG, o golpe, os ganhos do lulo petismo e blábláblá.
Ah... e uma baita falta de humor.
Não há quem guente tanta inabilidade.
Os apoios
 Agora se busca apoio no exterior contra o golpe (sic), assim como se buscou apoio de artistas e famosos, gente afinada com a lógica de esquerda.
Como se previu por aqui isso adiantava de nada não, como vai adiantar de nada não esse périplo todo pelos exteriores.
A briga é nas ruas, em solos brasileiros, e por eles as esquerdas já perderam terreno há um bocado de tempo.
A bala
Já se disse por aqui, noutros tempos, que a presidente tinha uma última bala no tambor de seu revolver salvacionista: livrar-se de Luiz Inácio Lula da Silva.
Não soube usar ou não quis usar ou não pode usar.
Paciência. Agora é tarde e Inês morreu de novo.
O discurso
Como também já se anotou por aqui (e inúmeras vezes), o discurso do governo mantem-se equivocado.
Você pode até vender bananas podres a preço de ouro se você for competente e safo.
Tem sempre gente estúpida para comprar essas coisas.
Se você for ruim de discurso, você não vende nem agulha imantada e nem salva uma presidente da cassação e/ou do impeachment.
Bem que avisei, mas quem ouve?
Paradão
É possível que a (suposta, quiçá provável) posse de Temer tenha um festão.
E a esse festão se seguiria um paradão geral, como ameaçam os movimentos sociais acoplados ao petismo?
Bem... pode até ser, mas antes será preciso combinar com os russos, ou melhor, com os movimentos sociais que nem estão acoplados ao petismo e nem são grifes.
Essa gente (que se somam aos milhares, quiçá, milhões) não está muito contente com os desarranjos do PT no governo.
A se conferir nos próximos meses e talvez seja este um filme imprevisível e pavoroso.
Anote aí!