quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Detona São Paulo




Crédito da foto: enigmasvalentim.blogspot.com

Entre os vários livros que costumo ler ao mesmo, neste momento leio História da Cidade de São Paulo, de Afonso d’Escragnolle Taunay, obra sob encomenda para o quarto centenário (1954).

É um achado, embora com os desvios e as lacunas de uma obra apressada, especialmente pela erudição do texto. Há palavras saborosíssimas usadas pelo autor, e que hoje estão em desuso.

Dia desses faço uma listinha delas, com seus significados.

Vivendo e aprendendo.

A obra de Taunay remete necessariamente a um estudo realizado por um professor da USP (desculpem a falta de memória), que está no site da CULT, cujo titulo é A São Paulo dos Desvairados, que necessariamente nos remete a Mario de Andrade (1922) e sua Paulicéia Desvairada, em cujo Prefácio Interessantíssimo o musicólogo lança as bases estéticas do Modernismo.

Com um pouco de paciência e boa vontade podemos chegar até Sampa, de Caetano Veloso, no avesso do avesso do avesso do avesso, e, por que não?, à obra de outro baiano, Tom Zé, São São Paulo onde existe habitantes de todo canto em ação que se agridem cortesmente.

Xenofobia

Com certa razão, mas com um bocado de intolerância e falta de memória, São Paulo (aí o Estado também) e nós, os paulistas, temos sido alvos de uma certa xenofobia tupiniquim, muito em função do exacerbado conservadorismo local e mui especialmente pelas reiteradas vezes em que a paulistada levou os tucanos à governadoria local.

Os eventuais desvios paulistas – se é que se pode chamar isso tudo de desvios – não podem (e não devem), no entanto, obnubilar a enorme contribuição local para a formação da brasilidade, e por ter traçado, como traçou e ainda traça, a realidade atual do Brasil.

Se não vejamos (e apenas elencando):
- Semana de Arte Moderna (Modernismo);
- Concretismo;
- USP e Unicamp;
- Embu (dito das Artes);
- Anarcossindicalismo (de origem italiana);
- Tropicalismo;
- CUT e PT;
- eclosão da classe média etc.

Por quê?

E por que esse chora-menino?

Por quanto tenho visto com certa frequência nas redes sociais algumas (muitas) postagens agressivas à paulistada (entre à qual me incluo), que se nos oferendem (embora eu não more por lá há um bocado de tempo), depõem mais contra quem diz esses tipos de sandices.

Para não alongar o texto com inúmeros exemplos, vou a um, de uma petista que mora no Rio de Janeiro, mas que nasceu em Belém (Pará), ex-amiga de Facebook que eu já havia deletado há meses, por conta de outras postagens bobocas, fanáticas e nada lúcidas que ela obrou

Resumindo, disse a mocinha que os paulistas hoje “bebem água de merda” porque só votam nos tucanos.

Na sua ira nada santa e nem bela ela se esqueceu de lembrar que 10 dos deputados federais por São Paulo são petistas, e que o prefeito paulistano também é do partido ao qual ela defende com unhas, dentes e uma certa insanidade.

Serão essas também merdas paulistas?

Ou talvez valha aqui recuperar um adesivo pregado em centenas, talvez milhares, de carros que circulavam por São Paulo, nos anos 90: “A inveja é uma merda” – mas a ignorância é pior ainda.