quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Esquerda brasileira tenta restaurar a Revolução Francesa e culpar a saúva





Crédito da foto: www.sitocomunista.it
O processo revolucionário francês teve grande importância para uma nova perspectiva (...) muitos revolucionários interpretavam a sua luta como a ação tomada em defesa dos interesses de seu próprio país. Nobres, conservadores, membros da Igreja e os exércitos estrangeiros eram vistos como os grandes inimigos da nação. A partir dessa perspectiva tínhamos delineado as primeiras manifestações do sentimento nacionalista.

No século XIX, vários intelectuais passaram a discutir quais seriam os elementos históricos e culturais que poderiam definir a identidade nacional. Muitas vezes, buscando a construção de um argumento forte, os pensadores do nacionalismo procuravam na língua, nos mais diversos comportamentos e na História a definição do perfil comum dos indivíduos pertencentes à nação. Não raro, argumentos de ordem mítica reforçavam um ideal de superioridade a ser compartilhado.

(...)

O verdadeiro nacionalista deveria sempre acreditar e perceber que a soberania de sua nação estava acima dos interesses particulares e das ameaças estrangeiras.

(...)

Chegando ao século XX, podemos ver as guerras mundiais e os movimentos totalitários como outras experiências ligadas à perspectiva nacionalista.

De acordo com Bresser Pereira (W.P.),
o nacionalismo é uma tese, ideológica, surgida após a Revolução Francesa. Em sentido estrito, seria um sentimento de valorização marcado pela aproximação e identificação com uma nação.

... o nacionalismo é a ideologia fundamental da terceira fase da história da humanidade, a fase industrial, quando os estados nacionais se tornam a forma de organização político-cultural que substitui o império.

Não nos espantemos, portanto, que em momento de crise aguda como o atual volta e meia nos encontremos com expressões como “os grandes inimigos da nação”, “perspectiva nacionalista”, “estados nacionais“.

Estamos tão somente ligando os pontos à esquerda e à direita que já nos levaram ao nazi fascismo europeu, à revolução russa de 1917 e a um sem-número de golpes de Estado, com os quais nós latino-americanos estamos tão acostumados.

Na essência os discursos foram (e são) exatamente os mesmos.

Os males

Restam, no atual estágio da enorme crise brasileira, três cavaleiros apocalípticos (não preciso declinar nomes aqui) a identificar famiglias, forças ocultas, canalhas, vendilhões, bandidos, traidores (da pátria) que querem surrupiar os bens nacionais (ditos públicos), desnacionalizar (sic) nossa economia e nos submeter aos interesses do capital internacional (sic).

Demora muito não e entram na roda os judeus, essas gentes malvadas que levaram à crucificação de Cristo, e que dominam o mercado financeiro internacional e impõem às nações pobres um legado de miséria e de desesperança.

No foco da lupa isso já é o discurso de velhos militantes dos velhos e moribundos PCs (partidos comunistas) a identificar dedos judios na pobreza transnacional.

Para entender esse discurso demonizador, que nos retira a culpa para empurrá-la para o anti-Eldorado e seus tenebrosos e malvados agentes, precisamos nos socorrer do nosso herói sem nenhum caráter:

muita saúva, pouca saúde, os males do Brasil são” (Macunaíma, Mário de Andrade).

Restam a desesperança e o desespero


Crédito da foto: www.epochtimes.com.br

O momento mais trágico do segundo governo Dilma Rousseff está para começar, neste pré-pré-carnaval e deve se estender por todo “tríduo”: um a um todos os ministros de Estado serão chamados para um tête-à-tête com a presidente para ouvir o que já sabem: o tamanho do corte no orçamento de cada pasta.

Se a “solidão apavora” está “tudo demorando em ser tão ruim” (C.V.). O Brasil deve amanhecer outro na quarta-feira de cinzas, numa ressaca monumental.

Paralisado desde antes da eleição em outubro, em recessão técnica (o que quer dizer recessão mesmo), o País caminha para um acirramento de confronto entre o governo e a oposição, apoiada, a esta altura, por uma imensa massa de descontentes.

Nem os velhos “companheiros” têm mais coragem de sair em defesa do governo, a não ser alguns espertalhões que ainda veem nos cofres públicos uma forma de subsistência.

O corre-corre nas entreparedes dos ministérios em Brasília é imenso. Os ministros e seus assessores sabem que está “tudo demorando em ser tão ruim” (C.V.). Restam-lhes discursos vazios e inverossímeis.

O tal mercado

Crédito da foto: luciliadiniz.com
Embora exista uma controvérsia imensa a respeito, a arte de mercadejar surgiu no mundo há cerca de 9 mil anos, na antiga Assíria, um reino acádio semita do alto rio Tigre, no norte da Mesopotâmia, onde hoje se localiza o Iraque.

De lá para cá, nada de novo sob o sol, a não ser o fato de o Capitalismo, nascido na Europa por volta do século 16, ter incorporado o mercado como o seu primado básico, o seu Deus Rá.

Mas antes outra controvérsia: se o “novo” sistema surgiu no porto de Veneza (Itália) ou ao longo do rio Ruhr (Alemanha).

Não se sabe ao certo e neste momento isso importa pouco.

Importa que o Socialismo dito científico (marxista) não entendeu a História e desprezou os ensinamentos da velha arte nômade, para a qual só vende garrafas quem tem para vendê-las, e não se compra coisas as quais não se pode pagar.

É do francês Antoine Lavoisier (17434-1794), bem mais recente que os antigos assírios, a acuradíssima observação  “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

Outra lição não aprendida nesta Grande Nação Tupã dos dias de hoje, que periga, e não demora muito não, a nos obrigar a comprar camisinha ao módico preço de 2 mil reais, como ocorre neste momento na Venezuela, que também parece não ter dado ouvidos aos velhos sábios nômades.

Estão querendo desnacionalizar a Petrobras e destruir a Grande Nação Tupã?

É provável que exista num naco de verdade – oportunista – nesta história. Que aventureiros queiram lançar mão da estatal brasileira do petróleo.

Mas o que há de verdade mesmo é um descompromisso com a ética, com o respeito a um patrimônio público, com a solidez das finanças pátrias.

Trata-se de uma conta salgada, a qual todos os filhos de Tupã serão obrigados a pagar daqui para diante.