domingo, 1 de março de 2015

Estatizar ou privatizar, eis a questão


Crédito da foto: jornalggn.com.br

Não faço parte do grupo que demoniza a administração de Fernando Henrique Cardoso pela privatização de um sem-número de empresas estatais (ditas públicas).

Esse tipo de gente apenas repete o quéquéqué da velha esquerda marxista sem se dar conta nem do que está repetindo, e muito menos sobre o que está falando.

Meu nariz torcido para a privatização tucana é de outra ordem.

O próprio governo financiou a privatização com as tais das “moedas podres”.

É a mesma coisa que eu emprestar seu dinheiro para comprar o seu carro que você quer me vender.

Outra questão relevante no caso das privatizações tucanas é que se deveria vender, primeiro, as ações a nós outros, você e eu, por exemplo, que pudessem comprar uma ou 800 mil ações.

Do jeito que a coisa foi feita, apenas os apaniguados do poder, os de sempre, “com gravata e capital”, puderam participar do butim.

Poder-se-ia também vender para os grupos sindicais (organizados, por óbvio), muito através dos fundos de pensão.

Em parte isso até foi feito, só que os fundos de pensão estão nas mãos de uma bandidada tão ou pior que os empresários.

Privatismo = a eficiência ?

O discurso liberal-conservador, dando conta de que uma empresa privada é mais eficiente que uma estatal/pública, não resiste a um espirro de um cara velho como eu.

A eficiência é resultado direto da capacidade de gestão e dos mecanismos coercitivos que evitam e/ou punem os desvios e as maracutaias. Isso posto, independe se a empresa é estatal ou privada.

O resto é papo furado.

O sucesso da Vale e das telefônicas, por exemplo, se de dá graças a uma única fonte de recursos/capitalização: o Estado.

É o Estado o maior comprador/usuário de bens e serviços, e o principal (quando não o único) financiador de capital.

Isso é assim aqui, nos EUA, na Coreia, no Japão, e provavelmente na Lua e em Marte.

O milagre cubano

Tenho pra mim que Fidel Castro foi a maior figura pública do século 20. E olha que no século passado tivemos um sem-número de cientistas e pensadores importantes, políticos de reconhecidas capacidade e honestidade, e até gente do mundo pop que ajudou um bocado a moldar o mundo tal qual nós o conhecemos hoje em dia.

Tenho igualmente a maior simpatia pela revolução cubana, e ninguém que tenha dois segundos de honestidade intelectual não há de reconhecer que não foi nada fácil para uma ilhotinha insignificante no mar do Caribe fazer frente ao “império do mal” que estava há poucas milhas marítimas.

Assim como não dá para não reconhecer que o embargo econômico, acatado e seguido cordeiramente pelo mundo capitalista, especialmente na latino-america, foi um ato criminoso, que fustigou (e ainda fustiga) a vida de milhões de cubanos.

Isso tudo posto não dá para não dizer, também, que a opção pelo estatismo fidelista foi outra grande estupidez, e entra no balaio de maldades que penalizaram os cubanos.

OK... quando Fidel e sua trupe optaram pela estatização vivíamos noutra época, na qual a URSS, mesmo que de maneira capenga, equilibrava as forças do mundo com os EUA.

Mas a URSS não mais existe, a cortina de ferro se esfumaçou e só sobram os pobres e desvalidos da Terra que ainda teimam em seguir adiante com a velha cantilena marxista (sic), entre eles a própria Cuba e a Coreia.

Que também não é tão marxista assim, até porque Marx não falava (e/ou pregava) nada disso. Se poderia dizer que se optou foi por um marxismo de orelha de livro (mal digeridos, diga-se, os livros e suas orelhas).

Neoliberalismo

Nascido no início do século, entre as chamadas duas grandes guerras mundiais, o neoliberalismo veio fazer ninho no mundo apenas após a derrocada da União Soviética.

Se o regime militar brasileiro já flertava com o neoliberalismo, a título de modernizar o País e contextualizá-lo no xadrez da política internacional, foi FHC quem jogou o País de cabeça dentro desse lodaçal.

FHC vendeu empresas públicas/estatais, flexibilizou o que ele mesmo tinha criado enquanto ministro de Itamar Franco, a Lei das Licitações, terceirizou o serviço público federal e paralisou a contratação de funcionários de carreira.

Fez pior: foi exemplo para outras administrações, nas esferas municipais e estaduais, ao ponto de um prefeito catarinense (não sei mais o seu nome, nem o de seu município) ter terceirizado tudo, tudinho no município que comandava.

Obviamente deu com os burros n´água e seus sucessores tiveram de limpar a merda toda que deixou espalhada por lá.

E afinal?

Nada desse rame-rame exposto acima me convence de que o governo deva ser dono de poços de petróleo, produzir gasolina e outros derivados, definir quem pode ou não pode ter veículos de comunicação, administrar estradas, portos e aeroportos.

A função primária, precípua e única dos governos é prover a população de políticas públicas, entre elas na educação, na saúde, no esporte e no lazer.

E cá pra nós: nesses quesitos todos (e em outros que ficaram de fora) nós vamos mal... isso só pra não dizer que estamos péssimos.

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