segunda-feira, 2 de março de 2015

Afinal, delação premiada é uma boa ou não?


Tommaso Buscetta, mafioso italiano - www.histeria.blog.br

A prisão, pela polícia brasileira, e a sua deportação para os EUA, na década de 70, do mafioso italiano Tommaso Buscetta são tidos por muitos como um ponto de inflexão para o desmanche da máfia em todo mundo.

Nem tanto... pois a máfia continua agindo de forma despudorada por todo o mundo, inclusive no Brasil, onde já domina a hotelaria no Nordeste brasileiro, sob os olhos complacentes dos governos locais e federal.

Um bom resumo da saga de Buscetta está na Wikipédia, que segue:

“Tommaso Buscetta nota 1 (Agrigento, 13 de julho de 1928Nova Iorque, 4 de abril de 2000) foi um dos mais importantes membros da Cosa Nostra, a máfia siciliana. Foi um "arrependido", ou seja, colaborou com a Justiça delatando companheiros e informando o juiz Giovanni Falcone sobre as estruturas da organização e seus esquemas de corrupção de políticos.

Nasceu numa família muito pobre (mãe dona-de-casa, pai vidraceiro), casou-se aos dezesseis anos e para ganhar dinheiro deu início a uma série de atividades ilegais, como o comércio clandestino de fichas para o racionamento da farinha, distribuídas durante o vintênio fascista. Esta função o tornou bastante célebre também em Palermo, onde não obstante a pouca idade foi cognominado Don Masino.

No fim da Segunda Guerra Mundial, vai para Nápoles e depois para Buenos Aires, onde abria uma vidraria: os escassos resultados econômicos do seu trabalho o obrigam, em 1957, a voltar a Palermo. Ali nos anos sessenta Buscetta relaciona-se com o clã de Luigi Rigotto e inicia o contrabando de tabaco, que se interrompe em 1961 com o começo da "Primeira Guerra à Máfia", da qual escapa, ficando dez anos fugitivo.

Durante esse período Buscetta casa-se outras duas vezes, utiliza identidades falsas (Manuele Lopez Cadena e Paulo Roberto Felici) e se desloca por vários países, passando pelos Estados Unidos, Brasil e México. Preso e extraditado pela polícia brasileira em 2 de novembro de 1972, é mantido no cárcere do "Ucciardone" (na capital siciliana) e condenado a catorze anos de prisão (reduzidos a cinco em recurso).

É libertado em 13 de fevereiro del 1980 e encontra trabalho como ajudante de carpinteiro. Em 8 de junho do mesmo ano, vendo-se em perigo, escapa novamente e vai ao Paraguai e de novo ao Brasil, onde aumenta de forma considerável seu patrimônio graças ao tráfico de entorpecentes. Em 24 de outubro de 1983 quarenta homens cercam sua casa e o conduzem à delegacia (comissaria). Buscetta tenta ser liberado oferecendo suborno, mas a tentativa fracassa e é mantido preso.

Em 1984 os juízes Giovanni Falcone e Vincenzo Geraci vão ao seu encontro e lhe pedem para que colabore com a justiça, mas Buscetta inicialmente não admite nada. Extraditado, durante a viagem em avião tenta inutilmente o suicídio, ingerindo uma pequena quantidade de estricnina. Posteriormente, começa a revelar organogramas e planos da Máfia ao juiz Falcone e, por isto, passa a ser considerado o primeiro mafioso arrependido da história.

Em 1993 é extraditado aos Estados Unidos e recebe do governo uma nova identidade e a liberdade (vigiada) em troca de novas revelações contra os planos da Cosa Nostra norte-americana. Nos EUA sofre cirurgias plásticas para despistar os numerosos "assassinos sob encomenda" que tem ao encalço, visto que colaborar com a justiça é, no meio mafioso, a mais grave das traições. Morre de câncer no ano 2000 com 71 anos de idade.” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Tommaso_Buscetta).

“A César o que é de César” (?)

Rodrigo Janot, PGR - www.jogodopoder.com
A este afalaire interessa muito pouco a história de Buscetta, da máfia e dos delatores em geral.

Nosso negócio aqui, como sempre, são os discursos e muito principalmente as contradições do discurso.

Pessoalmente o autor destas linhas indivisíveis tem antipatia pelas delações e pelo dedo-durismo. Foi educado de outra forma, para não denunciar ninguém, mesmo que razão haja (aparente) para isso.

A ética acima de tudo.

A questão portanto é saber por que a delação premiada de Buscetta é uma boa (“do bem”) e a delação dos delatores (como sempre a repetição de ideia é proposital) do Lava Jato é ruim (“do mal”).

Como sempre... porque teimamos em cair na velha armadilha da moralidade.

A grama do vizinho é mais viçosa que a minha, mas está cheia de pragas e periga invadir o meu jardinzinho.

Então não pode. É imoral e inaceitável.

E a minha grama? Ela também é viçosa, está cheia de pragas, mas é minha e ninguém tem nada com isso.

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