quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O discurso de Lula ainda seduz alguém?


Crédito da foto: veja.abril.com.br

A ida de Luiz Inácio (Lula) da Silva para São Paulo operou duas mudanças no menino pobre, nascido em Caetés, no Pernambuco.

A primeira, ainda criança, mariscador no Guarujá, no litoral paulista, foi a sua conversão de torcedor do Vasco da Gama para o corintianismo.

A segunda, muito mais importante e nada prosaica, foi a sua entrada, em 1968, no mundo sindical, já em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

Lula relutou um pouco, mas foi convencido pelo seu irmão, José Ferreira da Silva, o Frei Chico, hoje falecido e então militante do Partido Comunista Brasileiro, o velho pecebão.

É de Frei Chico, diga-se, a informação, que também está num livro do jornalista Paulo Markun, de “certa simpatia” de Lula pelo regime militar, que o viria punir com severidade no futuro.

Frei Chico viu no irmão um líder nato, capaz de arregimentar as massas e se opor à ditadura militar.

Estava certo. Se não se pode dizer que Lula venha a ser o líder de maior carisma da política brasileira (Getúlio Vargas é páreo duríssimo), há que se entender que o metalúrgico ou o sapo barbudo como querem os seus detratores arrastava milhares de pessoas aos seus comícios e reuniões.

Era o cara que faltava para enfrentar a ditadura e a elite perdulária (do dinheiro alheio), já que a classe média insubmissa que “lutava” contra o estado de arbítrio não passava disso mesmo: de uma classe que defendia apenas os seus próprios interesses, sem dar muito conta das agruras da vida a que estavam submetidos os índios, os pobres e os pretos.

Lula, não. Lula era o cara do povo, atilado, ligado, esperto, inteligente.

O seu salto da vida sindical para a política partidária, até chegar à Presidência da República, ainda está sendo construído, e o que há, todo mundo conhece: alguns com admiração, outros com ódio, inveja e muita raiva.

O que houve?

A situação atual de Lula é péssima. Pode-se dizer, sem medo de errar, que é pior que a de 1980, quando foi preso e teve seus direitos políticos cassados, graças e obra à famigeradíssima Lei de Segurança Nacional.

O regime militar e as elites que o sustentavam sabiam, com carradas de razões, que Lula era um perigo maior que os grupos e grupelhos (todos já dizimados àquela altura) que se opunham ao estado de arbítrio.

Lula, como ninguém, sacou aquela história de conquistar “corações e mentes”.

Após apanhar três vezes (Collor e FHC2) Lula mudou (pela terceira vez) e acabou por conquistar “corações e mentes” nos rincões que eram bolsões de resistência ao “comunismo petista”.

Venceu em segundo turno, duas vezes, e emplacou, mais duas vezes, Dilma Rousseff.

Embora tenha saído da presidência com uma aprovação popular alta (a maior da história presidencial brasileira), é possível (sem preconceitos, raivas e achaques de tiete) ver uma corrosão no prestígio lulista iniciada em 2005, quando vem a lume a história do Mensalão.

A tática do “nada vi, nada sei” não pegou bem.

No geral, a população pode ser meio estúpida e até manobrável, mas burra não é não.

Alguns luminares, como o professor Chico de Oliveira, já haviam percebido antes que algo não ia lá muito bem “no reino da Dinamarca”. Não demorava muito chegar ao povaréu, como não demorou.

Petrobras

Com o seu partido à beira da prancha com a espada cutucando o seu pescoço, Lula não tem como explicar como deixou a batata da Petrobras assar na brasa de Dilma Rousseff.

Essa história de empurrar a batata para o foguinho do FHC não convence nem minha mãe que não gosta de política e nem sabe sobre esse rame-rame que envolve a petroleira estatal brasileira.

Ao dizer, ontem, durante as manifestações em defesa (sic) da Petrobras, no Rio, de que se alguém quer briga ele vai pra rua brigar, soa apenas como bravata.

Uma bravata que talvez convença (tenho cá minhas dúvidas) um naquinho de nada do que foi a outrora suntuosa militância petista, hoje mal reduzida a meia dúzia de pessoas.

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