terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Dilma balança, mas será que cai (?)



Para conhecer a nossa realidade é preciso sair do nosso casulo, romper o anel que envolve nossos ciclos de amizade e familiar. Bater pernas. Sair pelas ruas. Assuntar. Ouvir o que as pessoas estão sentido e falando.

Um dos grandes problemas do jornalismo, por exemplo, é não saber o que está ocorrendo sequer ao seu redor. Jornalista vive de fontes (que nunca são confiáveis pois têm os seus interesses inconfessos) e de material (informação) preparado por alguém (quase sempre assessores de imprensa).

Não espanta que o brasileiro médio, aquele que tem acesso aos meios de comunicação, seja tão mal informado.

Mas o mal não se abate apenas sobre jornalistas e sobre essa fauna imensa que vive de ver o mundo através do filtro imposto pelos meios de comunicação.

Os partidos políticos parecem, igualmente, que circulam num mundo paralelo, vide o caso atual do Partido dos Trabalhadores (PT).

Da pré-eleição, ano passado, para cá fiz uma viagem ao Amazonas, uma a São Paulo e duas a Minas Gerais.

O que se ouve em aeroportos, rodoviárias, praças, ruas, calçadas, saguão de hotel, ônibus, aviões é de estarrecer.

Fica difícil imaginar até como Dilma Rousseff acabou reeleita, reeleita, diga-se, com uma diferença para Aécio Neves (PSDB) inferior a 2% dos votos.

Impeachment

De lá pra cá (um pouquinho antes, na verdade) muito se fala no impeachment de Dilma Rousseff. Depois de saído o resultado final, o PSDB bem que se esforçou para não deixar Dilma tomar a sua segunda posse, na verdade para que não concluísse o seu primeiro mandato.

O escândalo da Petrobras agravou a situação da presidente.

A tese do impeachment é esdruxula, embora prevista na Constituição. Mas o que se quer mesmo não é alvejar objetivamente Dilma Rousseff, mas apear o PT do poder central, e, de preferência, extirpá-lo da face da Terra.

E, convenhamos, o Partido dos Trabalhadores tem colaborado um bocado “com esse estado de coisa”.

De nada adianta esses chiliques histéricos de parte do Partido, de parte de sua militância e de boa parte dos chamados “blogueiros (in)dependentes”.

A situação do PT é insustentável desde os dólares na cueca (lembram-se deles, e que remetem diretamente a José Genoíno?), passando pelo Mensalão (que segundo os petistas não existiu. Trata-se apenas de um conluio de direita que envolve brasileiros, estrangeiros e quem sabe seres extraterrestres) para desembocar no Lava Jato (que a petezada jura porque jura ser coisa dos tucanos – então tá então).

É Lula!

Mas voltemos às ruas, aos espaços para além de nossos casulos amigável e familiar: todos os dedos acusadores acusam (gosto das redundâncias) Luiz Inácio Lula da Silva, e poupam Dilma Rousseff, ou pelo menos a tratam como mero “boi de piranha” – não, não vou usar aqui a palavra “vaca” que é ofensivo. E todo mundo sabe o que quer dizer “boi de piranha”.

Vaca ou boi o certo é que a presidente recebeu uma herança nefasta dos dois governos Lula da Silva, passando pelas obras da Copa do Mundo de Futebol, mas mais propriamente pelos “pactos pela governabilidade” do “sapo barbudo” que levaram para dentro do governo redentorista do PT em sem número de gente de mau caráter, bandidos de carteirinhas, malandros escolados.

Dilma paga por isso, ou, acrescentando a reflexão de algumas feministas, por ser mulher (também).

Dilma continua tentando se livrar de Lula e de sua herança maldita, mas... quem dera!... desse visgo coloso  ela não tem forças para escapar.

Fator Eduardo Cunha

Eduardo Cunha, presidente da Câmara (o que quer dizer o terceiro na linha sucessória da República e senhor absoluto da Casa), é uma pedra a mais a ser amarrada no pescoço da presidente?

Mais ou menos.

Político é igual à massa de pão ou de pastel. É moldável. Vai pro lado em que a banda toca ou o vento empurra. Nada como uma abertura dos cofres públicos (o sonho dessa gente) para o poder de Eduardo Cunha esfacelar-se e ele “cair de cara contra o chão”.

Portanto, minimizemos o seu poder, que não é tão grande assim.

Assim como venceu a pendenga de há dois dias, lhe esperam derrotas contundentes num futuro próximo e, quem sabe?, algum vazamentozinho seletivo de seus sacos de maldades e de sua profusão de malfeitos, pois bandido todos sabemos que é.

Fator econômico

O bicho pega mesmo é na economia, e, portanto, “se faz necessário”, mais uma vez, deixar os nossos casulos, bater pernas e assuntar as ruas.

É estarrecedor sim a quantidade de pequenos negócios quebrados, mercados inflados artificialmente, de gente cada vez mais ganhando menos e cada vez mais vendo os seus futuros caminharem para mais distante cada vez mais rápido.

É essa gente miúda, empregadores e empregados, que está puto da cara com o governo petista.

É essa gente que vota. É essa gente que fala. É essa gente que prega. É essa gente que faz a cabeça de outras gentes; gentes que ainda estão dormitanto, mas não por muito tempo.

Nesse cenário dantesco Dilma cai? Depende. Depende de como ela vai tratar dessas gentes todas, cada vez em maior número, cada vez mais descontentes, cada vez mais  putas da cara.

Acho, então, que a pergunta correta não é se Dilma cai, mas se Dilma vai ter tempo de não cair.

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