segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Apenas quatro contos



Flores no túmulo
Um homem estava a colocar flores no túmulo de um parente, quando viu um chinês colocando um prato de arroz na lápide ao lado.
Ele vira-se para o chinês e pergunta: “desculpe, mas o senhor acha mesmo que o defunto virá comer o arroz?”.
E o chinês responde: “sim, quando o seu vier cheirar as flores.”.


Amigos
 
Dois amigos viajavam pelo deserto certo dia discutiram. Um deles esbofeteou outro, que ofendido e sem nada dizer escreveu na areia "Hoje, meu melhor amigo me bateu no rosto".
 Mais tarde fizeram as pazes e seguiram viagem. Ao chegar a um oásis resolveram tomar banho. O que havia sido esbofeteado começou a afogar-se, mas o amigo salvou-o. Quando recuperou escreveu numa pedra "Hoje meu melhor amigo salvou-me a vida".
Intrigado, o amigo perguntou: “por que depois que te bati, você escreveu na areia e agora escreveu na pedra?”.
“Quando um grande amigo nos ofende, deveremos escrever na areia, onde o vento do esquecimento e do perdão se encarrega de apagar. Porém quando nos faz algo grandioso, deveremos gravar na pedra da memória do coração, onde vento nenhum do mundo poderá apagar!”
 (CONTO ÁRABE)


Verdadeira fé

Um cético perguntou a Devendranath Tagore: “sempre falas de Deus, mas tens provas de sua existência?”.
Devendranath apontou para uma luz: “sabes o que é isto?”.
“É uma luz”, respondeu o céptico.
“Como sabes que é uma luz?”, perguntou Devendranath.
“Eu a vejo, portanto, não há necessidade de prova.”
“Então o mesmo se dá com a existência de Deus. Eu o vejo em mim, e fora de mim, eu o vejo dentro e através de cada coisa. Portanto, não há necessidade de prova.”
E continuou:
“Enquanto a abelha se encontra no exterior das pétalas do lírio e não experimentou ainda a doçura de seu suco, ela plana em volta da flor e emite um zumbido. Mas, logo que ela penetra em seu interior; ela bebe silenciosamente o néctar. Quando alguém ainda estiver discutindo e especulando sobre uma doutrina e os dogmas religiosos, é por que ainda não experimentou o néctar da verdadeira fé. Por isso, faz silêncio e compreenderás! Aonde o Espírito Eterno vem com sua Luz, nossa lâmpada terrestre já não é necessária. Pobres homens que creem que as miseráveis lâmpadas do intelecto humano dão mais luz que o doce cintilar das estrelas divinas!”

Tudo passa
 
Um rei muito poderoso percebeu que lhe faltava o poder sobre todos os poderes: o poder sobre seu estado de espírito. Convocou uma reunião com seus ministros e ordenou-lhes que resolvessem o problema.
Um deles disse: “ouvi falar que há em algum lugar do reino uma mulher, conhecida como A Sabedoria, que possui um anel dentro do qual há uma mensagem, que é o segredo do Poder sobre os Estados de Espírito.”.
“Pois eu lhe ordeno que encontre este anel e traga-o para mim!”
O ministro partiu e depois de muito procurar encontrou-se frente a frente com a Sabedoria. Disse: “Soube da existência de um anel que contêm a sabedoria em forma de uma mensagem que dá a quem a possui o poder sobre os Estados de Espírito. E meu rei quer possuir tal poder.”.
Diz a mulher: “O anel existe e eu o possuo. Presenteio ao seu rei com o anel, com uma condição: que só o abra e leia a mensagem poderosa depois de ter esgotado todos os seus recursos, quando já não tenha o que fazer por já ter feito tudo o que sabe e pode.”.
O assessor levou o anel para o rei que ficou muito satisfeito e o recompensou regiamente. O rei colocou o anel e aguardou o momento de abri-lo e conhecer o segredo do poder sobre os estados de espíritos. Algum tempo depois o rei ficou muito irritado com seus vizinhos, que invadiram seu reino. Pensou em abrir o anel.  “Não. Posso lutar.”
Perdeu a luta e sentiu muita tristeza. Pensou em abrir o anel. “Não. Posso recuperar o que perdi.”
Os invasores chegaram ao castelo para matá-lo e sentiu muito medo. “Abro o anel agora? Não, posso fugir.”
Fugiu e foi perseguido. Ao chegar ao penhasco, vendo que leões o aguardavam caso saltasse, com o exército inimigo em seus calcanhares, aterrorizado, pensou: "Já não há o que fazer, meus recursos se esgotaram. Esta é a hora!" Abriu o anel e nele estava escrito “Isso também passará”.
Reconfortado, encontrou um lugar para esconder-se e sobreviveu. Sobreviveu e voltou. Reconquistou seu castelo e seu reino. Sentia-se muito alegre. Ficou tentado a abrir de novo o anel, mas pensou: "Vou dar uma festa para extravasar tanta alegria".
Durante a festa ficou sabendo que seus exércitos haviam tomado o reino inimigo. Seu coração disparou a ponto dele pensar que iria ter um ataque cardíaco, de tão feliz. Sentindo-se morrer de felicidade, sem saber mais o que fazer, abriu de novo o anel. E no anel estava escrito “Isso também passará“!

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