segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Em defesa do turismo brasileiro




Crédito da foto: turismo.culturamix.com (Tiradentes, Minas Gerais)

Sem querer ser excessivamente “brasilista”, o Brasil tem um potencial bastante grande para o chamado turismo receptivo (basicamente aquele praticado por turistas estrangeiros).

Uma larga faixa litorânea, uma floresta tropical (Amazônia) extraordinariamente exuberante, imensas potencialidades no turismo rural e a suntuosidade do barroco mineiro, que se estende, em parte para o Estado de Goiás.

Mas ao olharmos os números, vemos que a coisa anda na direção contrária.

O Brasil recebe, em média, 5,019 milhões de turistas estrangeiros/ano, o que lhe coloca em 36º em escala mundial.

Os principais países receptores, pela ordem, são os seguintes (em milhões de pessoas/ano):

França – 81,9
Espanha – 59,2
Estados Unidos – 56,0
China – 54,7
Itália – 43,7
Reino Unido – 30,7
Alemanha – 24,4
México – 23,4
Ucrânia – 23,1
Turquia – 22,2


Nem a Copa do Mundo de Futebol, realizada este ano, serviu para alterar esse quadro.

Cordialidade & infraestrutura

Os dois atos de violência que aconteceram, no Ceará e Bahia, semana passada, tendo como vítimas turistas estrangeiros, não explicam números tão baixos assim.

São casos esporádicos, não costumeiros.

A questão, como sempre, está na infraestrutura e no desgaste da imagem País.

Comecemos pelo segundo tópico.

Desgaste da imagem: há décadas o Brasil insiste em vender apenas a imagem de País tropical, com mulatas (com pouca roupa), samba, suor e cerveja.

Fora os beberrões e tarados de sempre, quem se interessa por uma coisa dessas?

A despeito dos esforços feitos a partir do primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso, mantemos essa distorção, até porque toda “propaganda” está nas mãos da “iniciativa privada”, e oficialmente o Estado faz muito pouco para reverter esse quadro.

Infraestrutura – nossas estradas continuam péssimas; os aeroportos, mais ou menos; o número de voos internacionais, pífio; bares e restaurantes caros e de qualidade abaixo da crítica; hotéis e pousadas sujas e infestadas de insetos, profissionais de recepção mal formados e em número insuficiente.

E aqui vai uma historinha: duas turistas suecas pegaram uma carona (o que no Brasil é uma temeridade) de Fortaleza a Natal. Às portas da capital potiguar, o motorista se livrou de uma delas, sequestrou a segunda e a estuprou.

Ao tentar reclamar e registrar queixa em Natal, a turista não encontrou nenhum órgão que a pudesse atender com competência, e na delegacia de polícia, para a qual foi encaminhada, ninguém que soubesse pelo menos o espanhol.

Essa história, infelizmente, se repete em outros cantos, como já pude constatar, pessoalmente, em Ouro Preto, nas Minas Gerais.

Tem uma coisa elementar em vendas (seja de produtos ou de lugares): o famoso boca-a-boca.

Essas duas turistas suecas voltarão ao Brasil? Elas passarão em seu país uma imagem de que Brasil mereça ser visitado?

Pouco provável!

Mas que há muita potencialidade turística por aqui, há. Acrescentando que, apesar dos pesares do nosso dia-a-dia, ainda somos um “povo” cordato e receptivo, como se viu durante a Copa do Mundo de Futebol.

Basta agora vontade política para mudar esse estado de coisa.