sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

2014: O ano da extinção do Partido dos Trabalhadores



Dilma Rousseff venceu a eleição presidencial deste ano batendo Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) – pela ordem companheiro -, enquanto o Partido dos Trabalhadores (PT) dava seu último suspiro.

É possível ressuscitar o cadáver, doutor? Quem sabe? A medicina anda tão avançada que essa não é uma hipótese que possa ser descartada de pronto.

O jornalista Paulo Nogueira, do Diário do Centro do Mundo, pegou o exemplo de uma jovem petista que está se desfilhando do partido, e consequentemente indo para o outro lado, para explicar a debacle petista.

Nogueira argumenta que ela é jovem e que os jovens têm pouca paciência para esses acordões que o PT anda fazendo, tudo em nome da “governabilidade”.

Não só os jovens, meu caro ex-colega de escola de jornalismo. Os mais velhinhos também estão fazendo isso, e isso é uma tendência irreversível.

Que o defunto sobreviva tal qual um zumbi, um partido menor, menos expressivo, barulhento, tal como são o Psol e o PCdoB, não é de todo improvável, mas não deverá passar disso daqui para frente, especialmente após 2018, quando deverá encerrar a sua ocupação do Palácio do Planalto.

Jovens

Nogueira, no entanto, tem razão ao falar do desencanto dos “mais jovens”. O erro capital do PT, dos partidos de esquerda em geral e dos movimentos sociais é não se antenar às demandas dos jovens, que vivem numa outra época, enquanto esses dinossauros políticos e sociais ainda nadam nas águas da Guerra Fria.

Há outro componente importante nessa história: a classe média, que se não decide eleições ou o próprio rumo do País, ajuda a engrossar o caldo dos fluxos e refluxos políticos e sociais, dependendo da ocasião e da oportunidade.

Embora a classe média também tenha sido beneficiada com as políticas sociais do governo petista – por exemplo, bolsas universitárias, isenções de impostos para compra de bens duráveis – foi a que menos ganhou, tanto se comparada às massas mais pobres, quanto às elites empresariais, que nadaram de braçada nos 12 anos do PT no poder.

Quando a classe média saiu às ruas, em junho de 2014, a reação do governo foi fazer “ouvido de mercador” e a de seus apoiadores, especialmente nas redes sociais, foi atacar e demonizar a classe média.

Há um bocado de tempo que a física já ensina que a toda ação corresponde uma reação.

Pois aí está.

Corrupção e desastres

O caso do Mensalão (que resultou na AP 470, julgada no STF) e o escândalo da Petrobras entornaram definitivamente o caldo do Partido dos Trabalhadores.

A reação petista dando conta de que o Mensalão era uma saída para manter (e fazer crescer) a pífia base aliada no Congresso e que os desvios de recursos da estatal do petróleo eram coisa que vinha de há muito tempo é inconsistente.

Tão inconsistente que, no caso do Mensalão, levou petistas a perder mandatos, e ainda os enviou para a Papuda, e, no caso Petrobras, inviabilizou a costura do novo ministério de Dilma Rousseff.

Atacar para se defender é uma péssima tática. E nem vale mais para o futebol, se é que valeu algum dia (tenho minhas dúvidas), onde “a melhor defesa é o ataque”.

Não bastasse a queda vertiginosa dos setores produtivos brasileiros (indústria e agronegócio), e que deve, dentro em breve, derrubar o País do posto de 7ª para o de 8ª economia mundial, o Brasil de Dilma Rousseff abriu mão completamente da inserção mundial, ao contrário do que tentou Lula da Silva, diga-se, sem grandes ganhos.

A última nave de resgate do modelo lulo-petista parece ser o porto cubano de Mariel. Parece mas não é, como já se teve oportunidade de dizer neste blogue dias atrás.

Uma boa análise desse novo equívoco petista está no texto de Marcos Troyjo – Iludindo-se com Cuba, na Folha de São Paulo de hoje.

Tal qual já se disse por aqui, Troyjo bate na tecla de que a construção de Mariel, com empreiteiras e dinheiro brasileiro, vai servir apenas para Cuba mesmo, e para os interesses comerciais e estratégicos dos EUA.

Ao Brasil sobrará nem as migalhas.