segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Fique atento que 2014 não terminou ainda




Crédito da foto: www.boston.com

Tudo ia indo muito bem em 2004 quando no dia 26 de dezembro um maremoto detonou, na Ásia, uma das maiores tsunamis da história da humanidade.

Muita gente, entre famosos e desconhecidos, foi pego com as calças nas mãos fazendo turismo sexual por lá.

Quantas pessoas que conhecemos e/ou são famosas morreram nos últimos dias do ano, muitas delas no dia 31?

Portanto, o ano só acaba quando termina, como diria Chacrinha, o Velho Guerreiro.

Algumas sociedades primitivas, especialmente na África, não contam o tempo. Essa é uma medida que elas não têm. Não importa se um sujeito nasceu ontem e o pai dele transontonte. É tudo a mesma coisa, pois não há como, e nem se deseja, medir isso.

Nós é que temos essa fissura de datar tudo, o que gera tensão e um bocado de neurose. Não entendo porque não entendemos que os consultórios de psicanalistas estejam tão cheios e se venda tanto remédio para insônia, depressão e ansiedades em geral.

Pare de se preocupar com o tempo que tudo isso passa rapidinho.

Presos no tempo

Mas estamos presos ao tempo, então vamos a ele. Temos, portanto, de ficar atentos a tudo o que acontece, mesmo que isso não vá mudar uma única vírgula em nossas vidas.

Por exemplo, dia desses um sujeito disse que o Brasil está certo em continuar investindo em hidrelétricas e no pré-sal.

O argumento do gajo era que outros países, a Alemanha, por exemplo, que ele citou explicitamente, procuram outros caminhos para a geração de energia, pois não têm “recursos naturais abundantes” como nós temos.

Sempre fico intrigado quando alguém usa o pronome pessoal “nós” – isso quer dizer que eu estou no meio, só não me lembro de ter essas coisas todas, tais como os “recursos naturais”, por exemplo.

Se tenho alguém se esqueceu de me avisar que tenho, e eu aqui em minha santa ignorância trabalhando feito um doido pra sobreviver.

Mas isso é o de menos. Na sua erudição a meia luz ele não se lembrou de lembrar que a energia não vem apenas das águas dos rios e da queima de petróleo: vem também dos ventos, da fissão nuclear, das marés, da biomassa e, muito especialmente, do Sol.

O que se procura, neste momento da história da humanidade, quando os recursos naturais não renováveis estão se escasseando, são alternativas de geração de energia.

E mesmo a água, que aparenta ser renovável, entrou num beco sem saída, tanto no que diz respeito ao consumo humano, quanto para a navegação e, exatamente, para a geração de energia.

Noves fora que cada hidrelétrica que se constrói representa que milhares, quiçá milhões de pessoas são deslocados, e se perde um bocado da biodiversidade, perda esta irreparável e irrecuperável.

E se ainda colocarmos tudinho na ponta do lápis vamos ver que ao trocar uma coisa (a biodiversidade) por outra (as hidrelétricas) a humanidade tá no prejuízo – no curto, no médio e no longo prazos.

Peraí que o ano não acabou ainda


Crédito da foto: meioambiente.culturamix.com
Hoje pela manhã um outro sujeito havia postado no FB uma longa e erudita (sic) explicação para a guinada à direita do novo governo Dilma.

Mas solícito e cavalheiro ele nos alertou a todos que essa pajelança direitista toda de Dilma não era bem uma guinada do PT à direita e nem uma prova de que o novo governo petista estava cada vez mais refém das “leis do mercado”.

Pra robustecer a sua teoria, tal qual o primeiro sujeito, este segundo sujeito citou alguns “dados técnicos”, algumas “informações de bastidor” e acrescentou que suas fontes são fidelíssimas e fidedignas.

Gosto de gente assim erudita. Gosto especialmente porque a gente aprende, dia após dia, que elas só dizem bobagens, e que a gente não deve perder tempo com as bobagens que elas dizem.

Mas pelo menos numa coisa eu concordo com o segundo sujeito: o PT realmente não deu uma guinada à direita.

Ele adernou mesmo. E não há guincho no mundo capaz de fazê-lo retornar ao lugar de origem.

Portanto, olho vivo. O ano de 2014 ainda não terminou. Uma boa dose de surpresas ainda nos espera.