domingo, 21 de dezembro de 2014

Por que Barack Obama é o cara




Crédito da foto: famousface.us

Vou repetir rapidinho aqui o que já disse por aqui mesmo a respeito do presidente norte-americano Barack Obama.

Mas talvez deva começar pelo mais sensato: porque ele é presidente da única superpotência do Planeta (o que quer dizer economia avançadíssima, tecnologia de ponta e forças armadas poderosas).

Apesar de todos os esforços feitos pela China – com aquela história de meio capitalismo, meio comunismo científico, e da sua hiper população - o País asiático mal chega ao chinelinho que Obama usa antes de deitar para dormir.

Talvez alcance os EUA algum dia, mas com toda certeza não estarei aqui para ver.

As pessoas talvez devessem parar de assistir tanta TV, de passear tanto em shopping center, de ir tanto à praia e de navegar tanto pelo Facebook e começar a ler mais para entender um pouco isso, e captar um pouco os rumos que o mundo está tomando.

Como dica sugiro a leitura de estudos sobre desenvolvimento, política e estratégia que estão em sites do próprio governo brasileiro. Portanto o esforço não será tanto assim, posto que as informações estão disponibilizadas na língua portuguesa.

Dona Cândida

Já contei essa história, mas vai de novo, pois é importante para a compreensão do argumento.

Quando eu tinha 7/8 anos era professora do Grupo Escolar Baptista Cepellos, em Cotia, SP, uma mulher de nome Cândida, à qual, por respeito, todos chamavam de Dona Cândida.

Era uma negra alta, linda, sorridente; que gostava de vestidos com estampas florais e sapatos altos, brancos - pelo que me lembre.

Uma irmã da Dona Cândida era casada com um norte-americano, e morava em algum Estado daquele País cujo nome esqueci.

De quando em quando, apesar das dificuldades da época, Dona Cândida ia aos     EUA visitar sua irmã e o cunhado – obviamente todos negros.

Numa de suas voltas assisti e ouvi, entre muito quieto e um bocado atencioso, as suas revelações dando conta de que negro não podia andar pela calçada, não deveria entrar em certos locais públicos, como lanchonetes, por exemplo; não tinha liberdade de estudar onde bem entendesse e nem mesmo no transporte público tinha vida fácil.

Mais do que surpreso fiquei a imaginar como poderia existir um lugar assim, onde meus amigos sofressem toda sorte de restrição.

E amigos sim, pois a maioria dos meus amigos e colegas de escola de então eram negros ou moreninhos, como se dizia na época.

Como eu, eles nunca haviam ido aos EUA, mas isso não importava: se fossem sofreriam as mesmas restrições que Dona Cândida, sua irmã e o cunhado.

O cara

Crédito: divulgação
Quando Barack Obama foi eleito, em 2008, o 44º presidente dos Estados Unidos, me lembrei, mais uma vez, de Dona Cândida, de sua irmã e de seu cunhado.

O mundo pode ser cruel (e muitas vezes é), mas é mais cruel com os cruéis.

A outra imagem que me veio à cabeça foi uma que não vi: a dos racistas-supremacistas norte-americanos com um balãozinho sobre cada cabeça: “tamo fudido!”.

Se Barack Obama está fazendo um governo exemplar não sei avaliar. Quem vai dizer isso é a História.

O que sei é que ele teve e ainda tem e terá no futuro de se ver com Tea Party, com seus críticos insanos e desonestos.

Insanidade e desonestidade que se espalhou pelo mundo, até por esta Grande Terra de Tupã, com sua esquerdinha retrógrada, mal informada, parcamente culta e profundamente ignorante.

Obama enfrentou os tubarões de Wall Street; fez pouco, mas fez, pelo sistema de Educação do País – um sistema injusto e elitista -; deu novas bases à Saúde Pública norte-americana, que nas mãos de seus médicos coxinhas exila do sistema pobres, pretos e chicanos; flexibilizou Guantánamo e acaba de reatar com Cuba.

Pobre ignorância


Na insanidade na qual navegam as críticas à administração de Barack Obama, lá, cá e acolá, sempre se lembra de que ele não fechou “de cara” a prisão cubana e continua enviando tropas ao “oriente médio” (sic).

Ora direis... ou melhor, digo eu: pobre ignorância, pobres ignorantes.

Todo governo norte-americano – republicano ou democrata – é refém dos “Falcões de Washington”; gente com estreita ligação com a indústria armamentista, com os especuladores financeiros; gente que domina o entretimento, a cultura de massa, o turismo, a prostituição e o tráfico de drogas.

C'est la vie , baby! Quem não há de?

Queriam o que? Que sacasse do bornal a sua varinha de condão e gritasse “abracadabra” e num passe de mágica o mundo se transformasse num mundo cor-de-rosa?

Cá em terras tupinambaras o lulo-petismo (em nome da tal da governabilidade) não está refém dos neopentecostais? Do PMDB? Do agronegócio? Do capital especulativo internacional?

C'est la vie , baby!

Entonces, por que cá e não lá?

Já devo ter escrito um texto (mais humilde) sobre isso e com o mesmo título: “Por que Barack Obama é o cara”.

É o cara porque é o cara. E que cara!

Ave, Obama!