sábado, 20 de dezembro de 2014

Tá rindo de que, Dilma Rousseff?


Crédito da foto: exame.abril.com.br

Passei toda minha infância ouvindo que o mundo ia acabar naquele ano, e que naquele mesmo exato ano ocorreria o último eclipse do século.

Bem... essa história de o mundo acabar não me preocupava muito não, pois mais cedo ou mais tarde ele vai acabar mesmo, e se não acabar a gente morre mesmo, então qual é a diferença?

O que me deixava puto mesmo era essa história de o último eclipse do século.

Caramba! Eu nasci na metade do século 20 e não ia mais ver nadica de nada? Sacanagem!

Mas além das histórias do fim do mundo e do eclipse a gente ouvia outras muito mais cabeludas:

- até o final do século o ser humano terá destruído toda floresta amazônica;
- os protestantes vão ser maioria até o ano 2000 e vamos ser todos obrigados a assistir semanalmente aos cultos;
- o sexo livre e a pílula anticoncepcional vão levar as mulheres a dominar os homens, e adeus filhos, adeus futuro da humanidade.

Tá certo que uma história não batia com a outra – fim do mundo, liberação das mulheres, protestantes, pílula anticoncepcional – mas sabe como é que é... na cabeça de criança isso vira um sopão daqueles.

Há poucos anos, por conta de uma doença associada à ingestão de peixe cru, um médico carioca previu que no verão 500 mil paulistas e 400 mil cariocas iriam morrer.

Bem... essa é até uma boa história. Pelo menos cariocas e paulistanos parariam de achincalhar com a cidade do outro, e de dizer que a cidade deles é o melhor lugar do mundo para se viver.

Não ia sobrar ninguém para ficar nesse bate-boca inútil e besta.

E se faltava alguma coisa nesse delírio apocalíptico não falta mais.

O “renomado” cientista britânico James Lovelock acaba de informar aos senhores e às senhoras radiouvintes que o “Aquecimento global é inevitável e 6 bi morrerão, diz cientista”.

Uau! Tamo ferrado!

"Gostaria de ser mais esperançoso", diz ele (como?)... "será uma época sombria”... "mas, para quem sobreviver, desconfio que vá ser bem emocionante” (inda bem que ele é um cadinho otimista).

Mas então, Dilma Rousseff, tá toda alegrinha pru mó de que?

Só porque bateu no mané do Aécio Neves?

Preste atenção no que diz o “renomado cientista”.

Ser alienado está fora de moda



Sabe aquele carinha que diz “eu não gosto de política”? Pois ele ficou para trás. Nesta grande Pindorama se discute hoje muito mais “os destinos do País, os escândalos de corrupção e o futuro da humanidade” do que futebol. E isso é uma tendência mundial (contextualizando-se, óbvio, as especificidades de cada região, país e momento).

Se vai durar muito tempo isso já é outra história.

Não gostar de política é exatamente a mesma coisa que não gostar de oxigênio.

Adianta?

As “conjunções” favorecem essa guinada para a qual pouca gente estava preparada.

Se numa rodinha de amigos, parentes ou colegas de trabalho você fizer aquela carinha de muxoxo por conta das “conversas politizadas” vão te olhar como se você não tomasse banho há uma semana, rescendesse a cecê, exalasse mau hálito, tivesse caspa e coçasse, em público, o saco ou a piriquita.

Melhor você cair fora ou “entrar no papo-cabeça”, mesmo que diga uma montanha de besteiras e de sandices.

E sejamos justo. Quem botou a política na mesa de jantar, no happy hour, nas filas do cinema e do supermercado foram os coxinhas.

Eles mesmos! Esses caras que nós, que nos achamos hiper-politizados, hiper-antenados, hiper-modernos, taxamos e carimbamos como “alienados”.

Pior, ou melhor, é que não são não.

Podem ser até meio estúpidos, um bocado intransigentes e meio que fora de órbita; podem ser preconceituosos, racistas; ter discursos violentos, mas alienados não dá mais pra dizer que sejam.

As conjunções, ou melhor, as conjunturas “nacionais e internacionais” favorecem à guinada.

A jiripoca tá piando em tudo que é canto: no Ocidente, no Oriente; abaixo e acima da linha do Equador.

Tá todo mundo meio que puto da vida e tá todo mundo meio que entusiasmado com tudo e com todos.

As pedras voltaram a rolar (BD), assim como rolaram naquele interstício de 50 a 70.

Tá todo mundo inquieto. Tá todo mundo querendo mudanças.

OK! Ainda estão nos devendo uma boa música, um bom cinema para embalar o momento, como se embalou de 50 a 70.

O que tem aí é ruim pra cacete! Haja ouvido e estômago!

Mas, como no interstício passado, sólidas pedras não estão apenas rolando com se esfacelando como um torrão de açúcar na boca de um cavalo.

TV, líderes empresariais, gente de sucesso, políticos, religiosos, aff... Pra ser bem delicado e educado: “tá indo tudo pro saco”.

E nesse rola-bosta, opa... nesse rola-pedra, o Estado (nacional) se desfaz tal qual um papagaio de papel no olho do furacão; os sistemas (capitalista e socialista) não seduzem nem mais freiras ingênuas e velhinhos macambúzios.

Melhor assim, não?

O que vem depois então? O que vai se colocar “no lugar disso tudo que está aí”?

Sei lá! Quem está preocupado com isso?