quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Por que eu devo escrever um bom livro sobre a maior revolução de todos os tempos




Crédito da ilustração: umacatedral.com

Já me pediram isso várias vezes, e eu já anotei isso aqui as várias vezes; para que parasse com todas essas andanças e inconstâncias e escrevesse um bom livro sobre o que aconteceu nas duas décadas que vão de meados dos anos 50 a meados dos anos 70; época equivocadamente (e de forma minimalista) chamada de contracultura ou, pior ainda, identificada apenas pelas (supostas) loucuras do movimento hippie.

Nunca prometi nada, já que não sou político e muito menos demagogo, o que seria pior ainda.

Pois há demagogos sim, que não são só políticos, mas, e principalmente, pais, mães, avós; líderes e militantes de movimentos sociais, e quejandos.

Teria eu de fazer uma imersão na solidão, no isolamento; me entulhar de pesquisas; fazer viagens pontuais e objetivas ... enfim, virar um ermitão de uma causa que me parece perdida, que é a causa da (des) informação, da (não) história que apesar de estar nas nossas barbas e em nossos cabelos está mal aparada, mal posta e nada compreendida.

Não sei se teria essa paciência toda não.

Me gusta ficar vadiando numa praia, ou numa beira de rio – coisa que quase fiz muito recentemente (horrível esta construção!!!).

Evolução

Não sou exatamente um crente, um homem de fé. Isso posto digo, em complemento, que não creio na evolução tal qual está posta por Darwin, endossada pelo jesuíta Theillard Chardin, e, recente, abalizada pelo papa Francisco, o argentino.

No sentido que o britânico dá ao Evolucionismo – sair de um estágio primitivo rumo a um mais sofisticado –... não me parece que tenha acontecido.

Quase muito pelo contrário. Continuamos bárbaros, no sentido do que há de pior no barbarismo.

O evolucionismo, assim como o marxismo e a psicanálise, tornaram-se religiões profundas e complexas; e dogmáticas como todas as outras.

Numa escala decrescente, seguindo-se à ordem posta acima, são maiores que, enquanto religiões, o Cristianismo, o Bramanismo e o Budismo (incluindo-se aqui o zen).

Tudo isso me parece um grande e profundo equívoco.

Seguimos em manada(s) – pode usar o singular ou o plural... como quiser

Estou pessimista e amargo? Pior que não! Antes fosse! Se poderia tributar ao início da velhice um pessimismo e um amargor, supostamente, típicos dos velhos.

A rigor nem perplexo ando. Acho que nunca andei perplexo com nada. Meu cinismo nunca permitiu esses devaneios.

Nem as mentes rasas me causam perplexidade. Até porque elas são muitas, e não dá para ficar perplexo frente à imensidão. Não há espaços.

Liberdade

O grande nó do “fenômeno humano” (para emprestar aqui uma construção do jesuíta francês) está no temor à liberdade.

Creio que sejamos livres para uma coisa só: refutar a liberdade.

Daí nos apegarmos aos dogmas, sejam eles quais forem.

Quando Deus (Javé, יהוה, Yahweh, Yehovah)  expulsa Adão e Eva do Paraíso lhes dá mais que uma alma, lhes dá o livre arbítrio.

Para usar uma linguagem chula de jogador de snoocker, lhes deixa numa “sinuca de bico”, e foi justamente aí que a porca torceu o rabo.

אָדָם e Havva se viram, de repente, frente à imensidão, ao todo, à liberdade, coisas das quais não dão conta e não damos conta até agora.

Não se sai dessa armadilha tão facilmente. Acho que nunca se sairá.


Temor

Os parcos e porcos movimentos rumo à liberdade redundaram em grandes fracassos em toda a história da humanidade.

Não tememos o que “é mesmo belo”, nem mesmo o feio ou o pavoroso, afinal não mais são que meros conceitos, e como conceitos, fugazes.

Tememos, isso sim, a infinitude da nossa liberdade, e para não sofrermos, melhor refutá-la de pronto, ou de rijo.

Como então, escrever a respeito de um momento de pura exacerbação e exteriorização da liberdade.

Pra quem?

Precisa?