sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O que é que o Aécio tem?


Crédito da foto: noticias.gospelprime.com.br

Os petistas estão fazendo uma leitura equivocada das ações de Aécio Neves. Especialmente alguns dos chamados blogueiros independentes, um tal de Guimarães não sei das quantas, e o espertalhão do Paulo Henrique Amorim.

Aécio Neves não está preocupado com a Dilma Rousseff ou com o seu governo ou mesmo com o PT neste momento.

Ele sabe que nada do que está propondo, CPIs, por exemplo, vai resultar em alguma coisa que o beneficie.

O seu alvo é o governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin.

É com Alckmin que Aécio terá de trocar terçados por quatro anos para ver quem será o candidato tucano em 2018.

A Folha de São Paulo, até agora, foi o único veículo de comunicação que captou isso muito bem.

Quando a FSP não está fazendo das suas coxices ou dando uma de oposição ao governo petista é o veículo de comunicação que melhor lê o Brasil.

Aécio Neves está numa situação delicada, apesar do apoio de FHC; afinal perdeu a eleição para Dilma e foi surrado dentro da própria Minas Gerais.

Geraldo, ao contrário, ganhou São Paulo no primeiro turno, apesar de todos os problemas do Estado, especialmente da falta de água.

Botou a nau petista a pique, humilhou Lula da Silva e acabou com a carreira política de Alexandre Padilha, um dos escolhidos do sapo barbudo.

A luta aeciana é para continuar capitaneando os coxinhas descontentes com o lulopetismo, e, consequentemente, viabilizar o seu nome para a sucessão de Dilma Rousseff em 2018, pelos tucanos.

O resto é conversa fiada, jogo de cena.

E ele vai fazer exatamente o que já está fazendo desde agora: ficar batendo perna pelo Brasil, politicando, e indo o menos possível ao Senado.

Esperto o garoto. De burro Aécio Neves não tem nada.

E sabe que além de capitanear os coxinhas, vai ter de dar um jeito de se enfiar no Nordeste e especialmente junto às comunidades mais vulneráveis do País.

E é aí que o PT e Dilma terão de ficar de olho para não deixar que avance.

O problema de Aécio Neves são os paulistas do PSDB. Não vai ser fácil especialmente se José Serra não jogar de bandido contra o governador paulista.

Passeatas, protestos, números e manipulações políticas e ideológicas




Crédito da foto: Pragmatismo Político
Ontem, em São Paulo, segmentos de esquerda protestaram na avenida Paulista contra a onda reacionária e com tinturas nazistas que assolam o país neste momento.

Aproveitaram para dar um recado à Dilma, por conta de seu pouco caso para com os movimentos sociais.

Já se discutiu isto por aqui umas trocentas e tantas vezes.

O número de manifestantes de ontem é extraordinário, pois varia, conforme a “fonte” e seus interesses, do quase zero ao infinito, embora se concentre, mais ou menos, entre 12 e 15 mil protestantes.

Os números servem para isso mesmo: para serem manipulados ao sabor das circunstâncias e dos interesses de cada um.

E como sempre é provável que o número real seja bem menor, ali pela casa dos 10 mil, se tanto.

Não é exatamente um pecado fazer esse tipo de manipulação numérica, até porque os números não mudam a ordem do universo, não impactam no preço do feijão e não alteram a beleza das mulheres belas.

São meros números, nada mais.


Alquimia numérica

Por melhor que estime a Polícia Militar, e ela, a PM, parece ser a mais abalizada para contar pessoas zanzando pelas ruas, esses números também são deficientes.

Há alguns anos, a sempre muderninha Folha de São Paulo criou uma metodologia (ou copiou de alguém, não sei) para contar pessoas aglomeradas na rua.

A história era 5 pessoas por cada (porcada!!!!) metro quadrado.

Tô fora, especialmente se tiver homens atrás de mim.

Trata-se de um cálculo precário e estúpido.

Se estou bem lembrado, na concentração pelas diretas já, em 1.900 e não sei quando, no Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, usando na sua metodologia, a FSP estimou perto de 1,5 milhão de pessoas. O Estadão, por volta  de 800 mil, e a PM sabe-se lá quantos.

Por essa numerologia toda dá pra ver que a coisa foi, era e é furada.

Eu estive nessa e com os meus olhos de lince cheguei em 750 mil / 800 mil. Mais que isso não tinha, com toda certeza.

Um sujeito que não foi acreditou na Folha e induziu uma outra pessoa a acreditar nisso.

Acho besteira discutir isso.

Dias depois fomos a um jogo de futebol no Morumbi entre São Paulo e um time qualquer (fora o São Paulo todos os outros times são um time qualquer) e como ainda não havia essa fissura toda para controlar torcidas, entraram cerca de 85 mil torcedores.

Chamei a atenção dos meus acompanhantes para o número de torcedores e sugeri que eles multiplicassem por 6 para que nos aproximássemos daquele publicão que realmente estava no Vale do Anhangabaú.

Acabaram meio que aceitando meu argumento dos, mais ou menos, 750 mil protestantes.


Os índios


Há uma outra questão de número que sempre me incomodou e isso diz respeito a índios.

Afinal, quantos índios viviam no que hoje é o Brasil quando a portuguesada chegou por aqui em 1.500?

Varia. Varia de 1 milhão a 17 milhões.

Como não se fazia na época censo e com o os portugueses demoraram um bocado para entrar para o interior do território (que não era exatamente esse) dá pra se dizer que esses números todos são furados.

Darcy Ribeiro, aplicando um cálculo de depopulação, chegou a 5 milhões.

Deve estar furadíssimo também.

Até hoje é possível encontrar grupos de índios não contatados de 200 almas, como ocorreu recentemente no Acre. Imagine na época.

Quem parece ter um número mais ou menos próximo do real são os mexicanos que estimam em 40 milhões de indígenas no ano da graça do achamento.

Não que a espanholada tenha contado índio a índio, mas as civilizações onde hoje é o México eram um bocado mais evoluída que as nossas, e tinham um certo controle sobre as populações ameríndias.

Voltando à indiarada brasileira, cruzando dados diversos acho que por aqui viviam, em 1.500, de 7,5 milhões a 10 milhões dessa gente bonita, alegre e pelada.

Viva os índios, e abaixo os números!