quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Aécio bem mal na fita. Até tucano histórico vota na Dilma

Bresser Pereira, fundador do PSDB, ministro de Sarney e de FHC (duas vezes), declarou voto em Dilma Rousseff.

Disse isso em artigo publicado no conservador O Estado de São Paulo (domingo) e reproduzido pela Carta Capital.

Veja a integra abaixo.

Bresser diz que o PSDB fui muito para a direita. E foi.

Um partido que tem a mesma origem do PT traiu, com o tempo, os seus princípios.

Influência do PFL-DEM?

Sem dúvida.

Bresser poderia ter declarado voto em Marina?

Não. Disse que apoiaria Eduardo Campos. Mas Marina não.

Marina é boazinha, simpática, estoica (mais ou menos) e até emocionante.

Mas não tem nada a oferecer ao País.

Daí que...
[MEU VOTO EM DILMA Vou votar pela reeleição de Dilma Rousseff porque é ela quem melhor atende aos critérios que adoto para escolher o candidato à Presidência da República. Luiz Carlos Bresser-Pereira Em 1988 fui um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira e sempre votei em seus candidatos à presidência. Mas, gradualmente, fui me afastando do partido por razões de ordem ideológica e, depois da última eleição presidencial, vendo que o partido havia dado uma forte guinada para a direita, que deixara de ser um partido de centro-esquerda, e que abandonara a perspectiva desenvolvimentista e nacional para se tornar um campeão do liberalismo econômico, desliguei-me dele. Por isso quando hoje perguntam em quem vou votar, a pergunta faz sentido. Vou votar pela reeleição de Dilma Rousseff, não por que seu governo tenha sido bem sucedido, mas porque é ela quem melhor atende aos critérios que adoto para escolher o candidato. São dois esses critérios: quanto o candidato está comprometido com os interesses dos pobres, e quão capaz será ele e os partidos políticos que o apoiam de atender a esses interesses, promovendo o desenvolvimento econômico e a diminuição da desigualdade. Dilma atende ao primeiro critério melhor do que Marina Silva e muito melhor do que Aécio Neves. Isto nos é dito com clareza pelas pesquisas de intenção de voto, onde ela vence na faixa dos salários mais baixos, e reflete a preferência clara pelos pobres que os três governos do PT revelaram. O mesmo se diga em relação ao segundo critério na parte referente à desigualdade. O grande avanço social ocorrido nos doze anos de governo do PT tem um valor inestimável. Já em relação ao desafio do desenvolvimento econômico, o problema é mais complexo. Estou convencido que Dilma conhece melhor do que seus competidores quais os obstáculos maiores que vêm impedindo a retomada do desenvolvimento econômico desde que, em 1994, a alta inflação inercial foi superada. Os resultados econômicos no seu governo não foram bons, mas isto se deveu menos a suas fraquezas e erros, e, mais, ao fato que não teve as condições necessárias de enfrentar a falha de mercado estrutural que está apreciando cronicamente a taxa de câmbio e desligando as empresas competentes do país de seu mercado, e, assim, está condenando a economia brasileira à quase-estagnação. Desde 1990-91 , ao se realizar a abertura comercial, os economistas brasileiros (inclusive eu, naquele momento) não estávamos nos dando conta que o imposto sobre exportações de commodities denominado “confisco cambial” – essencial para a neutralização da doença holandesa – estava sendo extinto. Em consequência, as empresas industriais brasileiras passavam a ter uma desvantagem (custo maior) para exportar de cerca de 25% em relação às empresas de outros países por razão exclusivamente cambial, e uma desvantagem desse valor menos a tarifa de importação (hoje, em média, de 12%) para concorrer no mercado interno com as empresas que para aqui exportam. A esta causa estrutural de apreciação cambial (a não-neutralização da doença holandesa [*]) devem ser adicionadas duas políticas equivocadas normalmente adotadas pelos países em desenvolvimento. A política de crescimento com poupança externa (de déficit em conta-corrente) e a política de âncora cambial para controlar a inflação apreciam o câmbio no longo prazo. Elas são responsáveis por cerca de mais 10 pontos percentuais de apreciação da taxa de câmbio que devem ser somados aos 25% acima referidos. Logo, a desvantagem total das empresas brasileiras em relação às empresas de outros países que exportam para os mesmos mercados que nós é, em média, de 35% (25% 10%), e a desvantagem total em relação às empresas estrangeiras que exportam para o mercado brasileiro é de 23% (35% – 12%). Estas duas desvantagens desaparecem nos momentos de crise financeira, que, mais cedo ou mais tarde, decorrem necessariamente dessa sobreapreciação. Quando digo que a presidente não teve “condições”, estou dizendo que ela não teve poder suficiente eliminar essa desvantagem competitiva de longo prazo. Ela tentou: iniciou o governo fazendo um ajuste fiscal, reduzindo os juros, e promovendo uma depreciação real de cerca de 20%. Mas ela recebeu do governo anterior, marcado pelo populismo cambial, uma taxa de câmbio brutalmente apreciada, de R$ 1,90 por dólar, a preços de hoje. Por isso, a elevação da taxa de câmbio para cerca de R$ 2,28 por dólar não foi suficiente para torná-la competitiva. A taxa de câmbio que torna competitivas as empresas competentes existentes no Brasil (que denomino “de equilíbrio industrial”) deve estar em torno de R$ 3,00 por dólar. Em consequência desse fato e da retração da economia mundial, a depreciação não foi suficiente para levar as empresas a voltar a investir; foi, porém, suficiente para aumentar um pouco a inflação. Diante desses dois resultados negativos, os economistas do mercado financeiro e a mídia liberal gritaram, mostraram erros do governo (como o controle dos preços da eletricidade e do petróleo e a “aritmética criativa” para aumentar o superávit primário) e assim, sob forte pressão e preocupada em não ser reeleita, a presidente foi obrigada a recuar. Mas não terão os outros dois candidatos mais importantes condições de fazer o que Dilma não fez? Estou convencido que não. Não apenas porque eles também não terão poder para enfrentar os interesses de curto prazo dos que rejeitam a depreciação cambial porque não querem ver seus salários e demais rendimentos diminuam e a inflação aumente, ainda que temporariamente. Também porque seus economistas não reconhecem o problema da doença holandesa e não são críticos das duas políticas acima referidas. Supõem, equivocadamente, que a grande sobreapreciação cambial existente no país é um problema de curto prazo, de “volatilidade cambial”. Basta ler seus programas de governo. Terá a presidente poder suficiente para mudar esse quadro caso reeleita? É duvidoso. Ela não enfrenta apenas a oposição liberal e colonial, que é incapaz de criticar a ortodoxia liberal e não vê os conflitos entre os interesses do Brasil e a dos países ricos. A presidente enfrenta também a incompetência da grande maioria dos economistas brasileiros, que, apegados a seus livros-texto convencionais, não compreendem hoje a tese central da macroeconomia novo-desenvolvimentista (a tendência à sobreapreciação cíclica e crônica da taxa de câmbio) como não entendiam entre 1981 e 1994 a teoria da inflação inercial. Naquele tempo havia apenas oito (sim, oito) economistas que entendiam a inflação inercial. Quantos entenderão hoje os economistas que compreendem porque, deixada livre, a taxa de câmbio tende a ser sobreapreciada no longo prazo, só se depreciando bruscamente nos momentos de crise de balanço de pagamentos? Voto pela reeleição da presidente, mas já deve estar ficando claro que não estou otimista em relação ao futuro do Brasil. Quando as elites brasileiras não conseguem sequer identificar o fato novo (mas que já tem 23 anos) que impede que o Brasil volte a crescer de maneira satisfatória desde 1990-91, como podemos pensar em retomar o desenvolvimento econômico? A esquerda associada ao PT está muda, perplexa; a direita liberal supõe que basta fazer um ajuste fiscal para resolver o problema. Embora um ajuste fiscal forte seja essencial para a política novo-desenvolvimentista de colocar os preços macroeconômicos no lugar certo, apenas esse ajuste não basta. Será necessário também baixar o nível da taxa de juros e depreciar a taxa de câmbio para que a taxa de lucro se torne satisfatória e as empresas voltem a investir. Só assim a economia brasileira deixará de estar a serviço de rentistas e financistas, como está há muito tempo, e os interesses dos empresários ou do setor produtivo da economia voltem a coincidir razoavelmente com os interesses dos trabalhadores. A presidente tem uma famosa dificuldade de ouvir os outros, mas é dotada de coragem, determinação, espírito republicano e se orienta por um padrão moral elevado. Conta, ao seu lado, com alguns políticos de boa qualidade. Ela foi derrotada no primeiro round, mas, quem sabe, vencerá o segundo?  ]

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Um papa mais do que pop. É outsider mesmo

Crédito: Adital
O papa Francisco é aquilo que em tempos mais inteligentes e menos minimalistas se chamava outsider.

Outsider é todo aquele que não se enquadra na sociedade, que vive à margem das convenções sociais e determina seu próprio estilo de vida.

Talvez seja por isso, e por outras coisas, que até a sua eleição nenhuma papa viera no Terceiro Mundo.

Com seu jeitão meio desleixado, pouco dado às seriedades e às casmurrices, argentino ao extremo, o papa Francisco vai quebrando paradigmas.

Esta semana fez um casamento coletivo de gente que já vivia junto há muito tempo e tinha filhos.

Uma heresia até bem pouco tempo.

Já sinalizou que a santa igreja deve reconhecer o direito dos homossexuais.

Já demonstrou simpatia para com as mulheres que abortam, embora seja esta uma batata difícil de descascar dentro da veneranda e milenar Igreja Católica Apostólica Romana.

Vai mais longe e recupera e atualiza a Teologia da Libertação, que tanta dor de cabeça deu, e ainda dá, aos conservadores de dentro e de fora da igreja.

Conforme relata Marcela Belchior para a Adital - “Movimentos Populares de todo o mundo devem se encontrar com o Papa em outubro” – o papa busca recuperar o papel de protagonista da Igreja, no sentido de a Igreja trilhar por um “mundo mais justo”.

[Buscando responder ao compromisso firmado pelo Papa Francisco de construir uma Igreja Católica voltada aos pobres e excluídos, por um desenvolvimento mais justo em toda a sociedade, será realizado, de 27 a 29 de outubro deste ano, na Cidade do Vaticano, o Encontro Mundial de Movimentos Populares. O objetivo é reunir representantes de organizações sociais de todo o mundo e de membros eclesiásticos para que juntos vislumbrem novos caminhos de inclusão social.

Já estão convidados dirigentes de organizações de trabalhadores excluídos e informais, migrantes, jovens marginalizados, agricultores familiares e camponeses sem terra, moradores de assentamentos urbanos informais e de zonas marginalizadas. No espaço, será dada especial prioridade aos jovens e às mulheres, que, em muitos casos, sofrem múltiplas injustiças.

Para o evento também são convidados bispos e agentes pastorais, que acompanham os movimentos sociais ou pessoas que sofrem exclusão. A expectativa é de que participem cerca de 150 representantes das lutas sociais, sendo 100 deles oriundos de organizações populares de diferentes continentes, 30 bispos de várias partes do mundo e outros 20 da Igreja local e da Cúria Romana.

"É desejo da Igreja tomar para si mesma as necessidades daqueles que sofrem marginalização e exclusão e que, com diversas iniciativas, buscam ser protagonistas de uma mudança social que permita a edificação de um mundo mais justo”, expõe o convite do Encontro. "Por isso, pela convocatória a esse Encontro, a Igreja busca apoiá-los, aconselhá-los e fortalecê-los nesse empenho, reconhecendo com o contato direto suas experiências e aprendendo com estas para enriquecer sua própria missão”, acrescenta o texto do comunicado sobre o Encontro.

Metodologia do debate

A pretensão é gerar um encontro inclusivo, onde todos se sintam protagonistas. Para isso, ele se estruturará sobre a base "Ver-Julgar-Atuar”, que promove a metodologia de realizar escuta, estimular o discernimento e honrar um compromisso. Primeiramente, serão realizados relatos sobre a realidade da exclusão a partir das experiências dos participantes. Em seguida, haverá uma escuta coletiva do Evangelii Gaudium, primeira Exortação Apostólica Pós-Sinodal escrita pelo Para Francisco, publicada no encerramento do Ano de Fé, no dia 24 de novembro de 2013.

O evento promoverá ainda um momento dos participantes com o Sumo Pontífice, que deverá liderar a discussão sobre questões de marginalização social. A finalidade é obter um panorama da atual situação de vulnerabilidade, miséria e exclusão, tanto urbana quanto rural, de que padecem milhões de pessoas no planeta.

As temáticas estão simbolicamente divididas em Pão (Trabalho: trabalhadores informais, jovens marginalizados e mundo laboral), Terra (Ambiente: camponeses, meio ambiente e soberania alimentar, agricultura e pátria), e Lar (Moradia: assentamentos informais, moradia precária e periferias urbanas). Haverá ainda sessões sobre meio ambiente e mudança climática, além de debates sobre movimentos pela paz.

Após as discussões, a pretensão é que seja elaborada uma proposta de inclusão social, tanto em nível local quando global. Os representantes dos movimentos sociais serão convidados a debaterem e reelaborarem uma proposição para a formação de um Conselho Geral de Movimentos Populares, de caráter mundial. "Deseja-se promover um espaço privilegiado para quem muitas vezes é silenciado; para quem, na ordinária vida social, não conta com âmbitos propícios para compartilhar e difundir suas experiências”, aponta o convite do Encontro.]

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