domingo, 8 de junho de 2014

Abaixo o povo brasileiro e os seus privilégios




Crédito da ilustração: www.achetudoeregiao.com.br

Prefiro cheiro de cavalo do que (sic) cheiro de povo”. A frase síntese da ditadura militar é do último dos ditadores, o general João Baptista de Oliveira Figueiredo.

Mas não só ele. Estamos cercados por milhões de preferidores de animais a seres humanos, especialmente essa gente pobre e fedida, os pobres.

Há animaizinhos de estimação que levam uma vida mais faustosa que a maioria das crianças brasileiras.

Há centenas, milhares de “gentes” que dedicam boa parte de suas existências a salvar animaizinhos – pobres deles! – abandonados e perdidos.

Não são poucas as campanhas nas redes sociais.

Há quase nenhum olhar para os moradores de ruas, para as suas crianças; para quem mora em favelas, mocambos e nos desvãos da sociedade.

São pobres fedidos, gente perigosa. Imagina eu ao lado dessa gente! Um perigo que não corro!

A ditadura fez trilho a ser seguido diligentemente.

Razões

Agora, imagina eu trazer essa gente pra perto de mim. Essa gente que reivindica direitos, como se direitos para eles fossem feitos.

Era só o que faltava!

O tio de Isabella Bradley (O Fio da Navalha, de W. Somerset Maugham), um protestante convertido ao catolicismo, sonhava com uma vida eterna dividida em castas celestes.

Isabella nunca se casou com o seu noivo Larry Darrell, o herói inquieto do romance, que preferiu a busca por uma vida espiritual a uma sociedade burguesa onde estavam a ex-noiva e o tio, que nunca entendeu, e desprezava, a busca de Larry.

Que medo!

No jornal O Estado de São Paulo (não apenas nele e nem apenas hoje) dois ataques contra o Decreto 8.243. Veja aqui: http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,forum-dos-leitores-imp-,1507635.

E o que “cria” o Decreto 8.243?

Art. 1º  Fica instituída a Política Nacional de Participação Social - PNPS, com o objetivo de fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil.

Ó pesadelo dos pesadelos!

Quer dizer que agora essa chusma, esse povaréu, essa patuléia também vai dar pitacos na administração pública federal?

É o bolivarianismo em todo o seu vigor. É a cubanização definitiva do Brasil.

A gente bem que avisou: havia um processo de comunização do País.

Que os militares voltem imediatamente para nos salvar, pois a situação está ficando caótica e insustentável.

Imprensa, classe média, empresários, coxinhas, partidos conservadores vamos nos unir.

A hora é essa! Vamos barrar o avanço dos vermelhos.

Ave, Erundina

A primeira a alertar para essa reação ensandecida das elites e subelites foi a deputada federal Luiza Erundina (PDT/SP) e isso já tem um bocado de tempo, diria: dois, quase três anos.

Não foram poucos, à época, os discursos conservadores na Câmara dos Deputados contra a iminência da medida, medida , aliás, que está prevista na Constituição de 1988.

E onde a roda pega? Pega na transição da democracia representativa para a democracia participativa.

É o privilégio, o de representar o povo, a seu modo e jeito, que parlamentares e os seus financiadores não querem destruído.

E por que parte da sociedade (mais uma vez! que novidade!) embarca num discurso que privilegia quem já tem privilégio?

Porque é estúpida, idiota, burra, mal informada, ignorante.

Como manter os meus privilégios se você, que é vítima dele, não me apoiar e até não me defender com unhas e dentes?