sábado, 24 de maio de 2014

O dia em que Caetano Veloso rachou a presidente Dilma Rousseff



As portuguesas têm uma expressão ótima para convocar o garanhão ao ato: ”racha-me!”. É o nosso “me coma”, “me foda”.

É a racha da racha. Extraordinário. É o caralho entrando na boceta.

Ambas as palavras – caralho e boceta – têm origens bem distintas (+ ou -) daquelas que lhes damos agora.

Como as mulheres têm (sempre) preferência, comecemos pela boceta: “Pequena caixa redonda, oval e alongada, fabricada com o intuito de armazenar diversos objetos e/ou coisas: uma boceta de joias. Caixa de rapé; caixa para guardar tabaco em pó. Tipo de bolsa feita em borracha utilizada para armazenar tabaco” (www.dicio.com.br/boceta).

Faz sentido, não faz (?) especialmente essa história de “armazenar tabaco”, fumo.

Caralho (do latim caraculu) é uma pequena estaca (www.dicio.com.br/caralho), mas de acordo estudiosos portugueses caralho “denominava a pequena cesta que se encontrava no alto dos mastros das caravelas, de onde os vigias prescrutavam o horizonte em busca de sinais de terra” e “lugar de castigo para aqueles marinheiros que cometiam alguma infração a bordo”.

Du caralho!

Rachando Dilma

Esta semana, rompendo o coro dos descontentinhos oportunistas, Caetano Veloso rachou Dilma Rousseff para o jornal francês Le Monde. Disse da sua competência, honestidade e que ela é mais perseguida (pelas elite e subelite) que Lula da Silva.

Muita gente pode ter entendido isso ainda como um reflexo do puxão de orelhas que Caetano levou de Dona Canô, na eleição passada, quando o poeta chamou Lula de analfabeto e grosseirão.

Não foi isso não. Caetano gosta dos cultos, dos letrados, dos lidos e não de gente grosseira, de parcas e poucas letras e livros.

Caetano é filósofo (ao contrário de boa parte dos artistas brasileiros que sequer estudou ou apenas fez engenharias ou qualquer outro curso rústico do gênero).

O poeta baiano enxerga o mundo através do panteão grego, de dionísios & ésquilos & sófocles.

O fim da barbárie está na poética e na amplidão do olhar sobre o futuro, o que sobra para Dilma Rousseff. Não por acaso Caetano é considerado um dos cinco maiores poetas da música pop internacional de todos os tempo.

Caetano Veloso vai levar muita pedrada dos raivosos, será mandado para o caralho do mastro do navio, quem sabe para o tronco (?).

Quando Caetano rachou Paula Lavigne ela era apenas uma ninfeta de 15 anos.  Décadas mais tarde o insosso moralista Gilberto Dimenstein cobrou publicamente o poeta pelo ato.

Caetano cagou e andou!

É capaz que faça isso agora, embora se for uma boa briguinha ele de repente até encare.

A perseguida

Perseguida é outro nome que se dá à boceta. Dilma Rousseff é a perseguida pelas elite e subelite, não com o fito da trepada, do ato sexual, da foda, mas para exterminá-la junto com “essa gente”.

Ontem, comentando a pesquisa Ibope que dá 40% da intenção de votos à Dilma Rousseff, contra 20% de Aécio e 11% de Campos (mais umas quirerinhas dos outros pobres coitados), a colunista da Folha de São Paulo, Eliane Cantanhêde, conseguiu dizer que o resultado deixou em pânico o Palácio do Planalto, o Lula da Silva e o PT.

Em pânico!? Por que Dilma pode levar esta eleição no primeiro turno, e o PT não está acostumado a levar assim na boa? Teme gastar muito dinheiro com a festança e terá um mês a mais para encarar essa farra toda? A grana do Mensalão já acabou?

Na mesma edição em que a moça da ”massa cheirosa” alinhavava essas mal traçadas linhas a FSP destacava, em primeira página, cinco notícias (sic) negativas dos governos petistas (federal e municipal paulistano).

Será que são o Palácio do Planalto, Lula da Silva e o PT que estão em pânico?

Racha a Dilma, Caetano! Racha!