terça-feira, 13 de maio de 2014

Há vida fora da Terra… Ah, meu Deus!



No último ano da escola de jornalismo, e em plena sala de aula, me vi envolvido num ménage à trois com uma colega e um professor.

Calma lá! Não rolou nenhum sexo não. Era apenas um papo sobre a existência ou não de vida fora da Terra.

A colega, Cristina alguma coisa – que depois, profissional, trabalhou na Rede Globo e foi correspondente da emissora em Washington -, estava extasiada com a possibilidade de que seres “mais inteligentes” fizessem, dia mais, dia menos, contato com os terráqueos. Quem sabe aí a gente evoluísse de verdade?

O professor, Joseph Maria Luyten, um holandês já falecido, que gostava de preparar uns coquetéis com uísque em sua casa e que escondeu muita gente da repressão da ditadura militar, achava tudo isso uma grande bobagem, mas que se houvesse – argumentava ele – vida fora da Terra, não era de se esperar grande coisa dessa gente verdinha, muito menos bons modos e educação.

Eu entrei na história de gaiato, pois se há um assunto pelo qual não me interesso é exatamente esse.

Já temos malucos demais por aqui para ficarmos preocupados com a malucada de outros planetas.

Finitum est

Um amigo, Zé Luís, não conseguia entender a questão da finitude da vida. Segundo ele, ou a vida sempre existiu – independente de Deus, da Criação, ou seja, lá do que for – ou ela iniciou-se em algum momento e, por consequência, em algum momento vai acabar.

Embora fosse meio intelectualmente grosseirão não deixava de ter razão. Ou uma coisa ou outra.

Não dá para combinar o início da existência com a sua infinitude.

Esta semana alguns cientistas estão anunciando que ainda nesta década será possível finalmente descobrir a existência de vida fora da Terra.

Essas previsões são espetaculares porque elas nunca se confirmam, mas continuam aparecendo às pencas.

Por volta dos anos 60 era certo que a Amazônia desapareceria até o final do milênio.

Ou que os neopentecostais seriam maioria absoluta no Planeta.

Mexendo com a fé

Apesar do meu total desinteresse sobre o assunto não posso deixar de especular que – mesmo remota – existe sim uma possibilidade de vida fora da Terra. Seja lá um serzinho unicelular, por que não? É vida também, não é não?

Há quem especule, nos meios científicos (e no meio da malucada que acredita em ETs), que a vida chegou à Terra a bordo de um meteorito qualquer.

Eis aí uma especulação completamente estapafúrdia. O meteorito entrou em contato com a Terra, incendiou-se (como todos), colidiu com a Terra e ainda assim o ser vivente sobreviveu para procriar e evoluir?

Ufa!

Há algumas décadas outra especulação científica tem feito um enorme sucesso: mais cedo ou mais tarde a ciência irá descobrir – finalmente! – o elixir da vida eterna e não vamos mais morrer.

Um amigo jornalista, Walter de Lana, acredita piamente nessa história.

Tá então! Se o próprio Universo, onde está este simpático planeta, tem os seus dias contados, como é que a gente vai fazer para nos manter vivos pra sempre?

No primeiro filme da série Men in Black / MiB / Homens de Preto o personagem de Tommy Lee Jones tem uma falinha aparentemente despretensiosa e engraçadinha, dirigida a Will Smith dando conta de que não seria possível revelar que existe vida fora de Terra (e mais inteligente que a nossa), pois o ser humano iria pirar com a revelação.

Vale realçar aqui que MiB tem como ponto de apoio o Caso Roswell: uma série de acontecimentos ocorridos em julho de 1947 na localidade de Roswell (Novo México, EUA), onde supostamente um OVNI teria caído.

Há farta literatura a respeito na internet para quem gosta dessas maluquices.

A desculpa do personagem de Lee Jones abarca não apenas questões políticas (como segurar a população impactada com esse tipo de certeza?) mas também religiosas.

Na mitologia judaico-cristã-islâmica Deus tirou do nada elementos para fazer a Terra (e consequentemente todo o universo), e da terra fez Adão e da costela do infeliz, Eva.

Para nós ocidentais seria realmente um impacto monumental, pois destruiria nosso mito da Criação e por consequência a figura de Deus (mesmo entre os ateus, que no fundo, no fundo têm uma esperança de que Gênesis esteja correta).

Mas a notícia dos ETs causaria algum tipo de impacto nos adeptos do Bramanismo, do Budismo, do Xintoísmo, das religiões afro e indígena?

Quase nenhum!

A figura do Deus barbudo – onipresente, onisciente e onipotente - não é lá muito considerada por aquelas bandas.

O melhor a fazer, se esses caras verdinhos aparecerem por aqui, é relaxar e gozar, como já instruiu a nossa brava Marta Suplicy.

Ah... e poderíamos propor uma grande orgia mundial.

Como eles são mais inteligentes que nós vai ver que têm um Kama Sutra bem mais sofisticado que o nosso.

E vamo que vamo.