terça-feira, 6 de maio de 2014

A internet e a imprensa nacional estão de rabo preso com a violência dos justiceiros



O sítio UOL (Folha de São Paulo) costuma argumentar que não consegue moderar todos os comentários dos internautas pois eles seriam muitos e não há gente disponível na empresa para fazer a moderação.

Huuuuuuuuuuuuuummmmmmm!!!!!!!!!!

Para amenizar um pouco criou alguns mecanismos – bastante inócuos, diga-se – que não contiveram os principais problemas: o famigerado anonimato e os ataques e denúncias escandalosamente desonestas e irresponsáveis.

Não está sozinho nisso, outros fazem estas vistas grossas, quando não, estimulam esse tipo de barbárie, como os das organizações Globo e da editora Abril, especialmente, a revista Veja, mais especialmente ainda, o blog do Reinaldo Azevedo.

Uma exceção – pelo menos em parte – é o sítio Estadão (jornal O Estado de São Paulo).

As redes sociais têm papel pior ainda, especialmente o Facebook.

Vide o caso da moça justiçada no litoral de São Paulo (Guarujá), barbárie estimulada por um perfil no Face, que por incrível que pareça ainda está no ar, e seu proprietário, adorador da PM e dos linchamentos, se esconde covardemente no anonimato e continua arrotando bravatas.

Deveria estar preso.

E aí vamos as outras questões maiores ainda e seríssimas: os poderes da República – Executivo, Legislativo e, muito especialmente, o Judiciário, capitaneado, por enquanto, pelo lépido Joaquim Barbosa, aliás um dos ídolos dessa gente.

“Onde estão que não nos ouvem?”

Cadê a República?

É o caso de fechar e/ou censurar sítios e redes sociais?

NÃO e NÃO.

É o caso de prender essa gente, tirá-los de circulação, extirpá-los da sociedade.

Se não sabem e não querem viver (e conviver) em sociedade, pois que não vivam.

A cadeia é uma boa alternativa.

A cidadania se constrói com cidadãos, com suas diferenças, seus gostos, suas crenças, seus valores e interesses.

Mas a República se sustenta apenas se poderes públicos executarem corretamente as suas funções e cumprirem honesta e diligentemente os seus deveres.

A propósito, um texto hoje no Diário do Centro do Mundo (a ilustração acima também é do DCM).


[“Alguém tem que matar esse cara!!! Tá na hora de invadir a casa desses políticos e matar todo mundo!!! Eu vou ficar e organizar tudo pela net. Preciso de voluntários para fazer o serviço sujo.”

Este é um comentário que um leitor do G1, da Globo, postou numa reportagem que contava que Genoíno decidira recorrer ao plenário do STF contra a decisão de Joaquim Barbosa de devolvê-lo à Papuda.

É um comentário clássico do G1. Há outros parecidos. Ele não é uma aberração no universo do portal da Globo, mas a regra, a norma, o padrão. “Morre logo, Genoíno!”, brada outro comentarista. Um outro diz que o vaso sanitário deveria ter caído na cabeça de Genoíno.
Isso tudo oferece material para uma fascinante reflexão.

Primeiro, e antes de tudo, alguém lê os comentários dos leitores no G1? Os acionistas? Os anunciantes? Os editores? O autor do texto? O porteiro?

Alguém, enfim?

Sabe-se que, na internet, os comentários fazem parte da discussão, tanto quanto o texto que lhes dá origem.

No DCM, acompanhamos um a um. Em nosso manual de regras, está estipulado que rejeitamos coisas como insultos e incitações à violência. O motivo é simples: isso estraga o debate.

Bom site é aquele que tem boas discussões. É notável que isso seja ignorado pelo G1.

Você pode classificar os autores de comentários como o que abre este artigo como os filhos de Reinaldo Azevedo e Rachel Scheherazade.  São intolerantes, raivosos, agressivos, racistas, ignorantes, desinformados, maldosos, desumanos, preconceituosos — e perfeitos para serem manipulados. É o tipo de gente que, na Idade Média, acendia os troncos de árvores para queimar pessoas e, na Alemanha de Hitler, vibrava com a violência contra as “raças impuras”.
São – repito – os filhos de Azevedo e Sheherazade.

Você percorre os comentários e logo descobre quem eles idolatram, além de seus pais espirituais. Joaquim Barbosa é intensamente admirado, por exemplo. O “menino pobre que mudou” o Brasil acabou conquistando a escória da sociedade brasileira, sua parcela mais repugnante. Trabalhou para isso, é preciso notar. Ninguém conquista o coração – se existe coração no caso – daquele grupo sem se esforçar por isso.

Outro ídolo daquele grupo é Bolsonaro, o exemplo maior de político para eles. Eduardo Campos e Marina são dois perigosos comunistas. Menos que Lula e Dilma, é verdade, mas não muito.

Um jornalismo decente se esforça por elevar seu público. Os filhos de Reinaldo Azevedo e Rachel Scheherazade foram rebaixados à degradação humana por articulistas e publicações interessados em mantê-los na mais completa escuridão mental, porque assim é fácil manobrá-los e perpetuar um Brasil campeão da desigualdade social.

No caso específico de Azevedo, faz tempo que seu blog parece um asilo de lunáticos fanatizados. Considere este comentário tão comum entre os leitores do blog de Azevedo: “Genuino guerreiro do povo brasileiro. Mostra que tu e homem … Pera ai ge ge, tu vai ficar na mesma cela com Zé…? Hum isso não vai prestar.”

Aqui, uma distinção: Azevedo sabidamente lê todos os comentários e, metodicamente, deleta os que não o saúdam porque são obra de “petralhas” — palavra que ele se orgulha de ter criado como se houvesse escrito Guerra e Paz. Isto significa que ele chancela o leitor que afirma que “não vai prestar” Genoíno e Dirceu na mesma cela.

Sinal dos descaminhos da mídia, com esse tipo de conteúdo imbecilizante Azevedo vai conquistando cada vez mais espaço: fora a Veja, está presente também na Folha e na Jovem Pan. Quanto tempo até ter um programa de entrevistas na Globonews?

Uma das ironias, em tudo isso, é que o dinheiro público – via Secom – foi (e é) largamente empregado para patrocinar colunistas e publicações que vão dar no leitor do G1 que deseja invadir a casa de políticos como Genoíno e matar todo mundo.

Este leitor fez sucesso entre seus pares. O G1 tem uma ferramenta pela qual você pode aplaudir ou vaiar comentários. Nenhuma pessoa o tinha vaiado no momento em que escrevo. Vinte tinham aplaudido.

Alguém lê os comentários, portanto, para voltar à pergunta que fiz lá para trás. Mas não são os acionistas, e nem os editores, e nem os anunciantes. São os leitores do G1.
Um site é o reflexo de seus leitores e de seus comentaristas.

O G1 é uma prova disso.]