segunda-feira, 5 de maio de 2014

Deixe de hipocrisia: diga logo SIM ou NÃO e seja feliz para sempre




Crédito da ilustração: fazendadomezenga.blogspot.com

Ainda adolescente fui abordado por dois senhores – coincidentemente dentro de um ônibus, mas em dias, meses e, acho que, anos diferentes – criticando o meu look hippie.

Não se assanhe, não foram abordagens sexuais. Eram críticas à juventude transviada.

Não sei quem eram eles, não perguntei os seus nomes. Apenas ouvi ambos respeitosamente.

Um era italiano, o outro talvez fosse argentino, mas não tinha sotaque algum.

A crítica era a mesma: nós, os jovens, nos vestíamos horrivelmente.

Um deles, o italiano, foi um pouco mais longe e passou a criticar os brasileiros em geral, dizendo que nós éramos intrinsicamente hipócritas, pois não dizíamos uma palavrinha mágica: NÃO!

Stricto sensus ele tem razão. Nós somos chegados a um tapinha nas costas, a um passa lá em casa, e outras hipocrisias.

Nem queremos ser afáveis, nem queremos que ninguém passe lá em casa, mas nos comportamos sempre assim.

Gostamos de dormir como brasileiros cordiais, embora as cadeias, as ruas, as casas, as empresas, as famílias, as escolas mostrem outro tipo de brasileiro, ou o brasileiro de verdade.

Talvez estejamos perdendo esse verniz hipócrita com essas matanças justiceiras todas - semana sim, outra também.

Há dias alguém escreveu um bom texto sobre hipocrisia, não sei mais ao certo quem foi e nem vou procurar. Quem quiser que se vire.

Dizemos coisas que não queremos dizer, concordamos com coisas com as quais não queremos concordar.

É uma praga.

Um sujeito como eu, dos sins e dos nãos, é tido como chato insuportável.

Ferre-se! Vivo muito bem assim.

Embutida na arenga do ítalo-brasileiro está a palavra SIM.

Esta é um bocado difícil de ser dita pra valer, pois leva a compromissos e definições.

Queremos viver de ilusão, de mesmices, de arranjos, de pequenas mediocridades, do rame-rame infindável de nossa existência.

Tô nem aí.

Sejam infelizes para sempre.