quinta-feira, 1 de maio de 2014

Em parte, Lula, PT e Dilma têm razão




Crédito da ilustração: vitalvereador.wordpress.com

Fiz uma hierarquia óbvia no título, já que Lula da Silva é mais que o Partido dos Trabalhadores, e o PT mais que a presidente, que, grosso modo, nem petista é.

Apesar da tresloucada tática petista – do bate e assopra nas elites e, especialmente, na imprensa – eles não deixam de ter razão quando falam em entreguismo, desnacionalismo etc. e tal.

São as elites (e a subelite idem) os “vendilhões do templo” brasileiro em terras guarani.

Não se perca de vista que Getúlio Vargas, em seus dois mandatos, ficou pouco mais de 19 anos no poder (3 de novembro de 1930 a 29 de outubro de 1945, e 31 de janeiro de 1951 a 24 de agosto de 1954), em governos trabalhistas - pero no mucho – e se Dilma se reeleger o PT bate nos 20.

E isso as elites – e essa subclasse, a média – não admite.

Não percamos de vista igualmente que isto que conhecemos por Brasil foi visto pela portuguesada, no século 17, como fornecedora de pau-brasil; por 80 anos apenas se saqueava Caesalpinia echinata, Caesalpinia peltophoroides, Caesalpinia ferrea, Eugenia multicostata e Rhamnidium elaeocarpuma até que a ficha lusitana caiu e se percebeu que por aqui havia mais do que um pau vermelho.

Como os índios não são flores exatamente que se cheirem, o melhor foi mesmo prear pretos na África e trazê-los para cá para enriquecer as burras da Inglaterra, já que, àquela altura do campeonato, Portugal devia mais para os ingleses que a classe média brasileira deve às operadoras de cartão de crédito.

Traições e entreguismos; entreguismos e traições

A história econômica brasileira está eivada de traições e entreguismos, especialmente após a proclamação da república. De lá para cá o Brasil sempre se viu de pernas abertas aos interesses econômicos e hegemônicos dos EUA, em detrimento dos interesses também hegemônicos dos britânicos, e numa sanha inenarrável de destruição da economia argentina.

Leiam sobre a história econômica da América Latina, por favor.

Tidos como italianos que “falam espanhol”, mas que se acham britânicos – na nossa estereotipação tacanha e nada culta – os argentinos são mais índios que nós – que não achamos que somos nada, apenas uma excrecência incrustada na América Latina - , são mais colombianos, guatemaltecos, mexicanos, hondurenhos, paraguaios, colombianos...

São mais América Latina e mais índios indóceis que não se fartam nas migalhas do poder hegemônico como nós. Índio não é um cara dócil, como o negro africano. É gente brava, que reage, que não se submete.

Argentina não foi à guerra ser bucha de canhão dos aliados, perdeu a Copa de Mundo de 1950 por isso e não veio ao Brasil em represália. O maracanazo bem poderia ter sido um argentinazo se viessem os argentinos.

É esse trilhar histórico que Lula, PT e Dilma tentam alterar. E isso as elites e seus sabujos da subelite não admitem.

Afinal, para um bom brasileiro, o que é bom para os EUA é bom para o Brasil.

Como viver sem essa lógica?

Parece que não dá, e portanto não é nada surpreendente que o “vamos nos livrar dessa gente” dos Demos faça moda especialmente entre os ignorantes políticos (que são muitos) , afinal Miami, o paraíso cucaracha, nos espera, com seus traficantes, com suas gangues, com a sua violência.

O Eldorado está lá.