segunda-feira, 28 de abril de 2014

O boto, o porco e o macaco na luta contra a insanidade do ódio


Crédito da ilustração: jornal Hoje em Dia

Leio sem qualquer surpresa no perfil de alguns nas redes sociais que o governo tailandês deu um jeito nos traficantes/usuários de drogas, matando a maioria.

Não deu. Essa é mais uma das mentiras que circulam pelas redes sociais, mas que servem para apascentar mentes doentias, gente que odeia o semelhante e queria um mundinho à sua imagem e semelhança: leia-se branca, de classe média, cristã-ocidental.

Tivesse dado o regime tailandês o jeito que os odiadores queriam que desse era o caso de uma intervenção das forças de paz da ONU.

O que essa gente quer mesmo é que a polícia brasileira, que já mata aos borbotões, matasse traficantes e usuários a rodo por aqui, para que eles, os odiadores, levassem uma vidinha tranquila e medíocre como é medíocre toda tranquilidade.

Nossa culpa, nossa máxima culpa

Por descuido dos humanistas, categoria na qual me incluo, e desde os tempos de FHC na presidência, se fez “ouvidos de mercador” para a crescente onda de intolerância neste Brasil Varonil, crescimento turbinado por conta das três governanças petistas.

Essa gente, os odiadores, não admite que índios, pretos, pobres, putas, gentes das periferias cresçam e apareçam. Querem-nos nas franjas do capitalismo como mão de obra desprezível e descartável, mas também omissa e cordata.

Acreditamos, infantilmente, que a civilização vem por osmose ou como uma consequência natural do evolucionismo darwinista.

Não vem. Ela deve ser buscada e encontrada, e imposta, como quase sempre é o caso, mesmo que seja a ferro e a fogo.

Crédito da foto: www.metro.org.br
O caminho para extirpar de vez (se isso for possível) o ódio na sociedade está na inteligência."Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás" (Che).

Boto, porco, macaco

O boto

Crédito da foto: ercioafonso.blogspot.com
Descontando-se o seu histórico bastante nebuloso e um bocado violento, o ex-político amazonense, Gilberto Mestrinho, teve uma jogada de gênio: transformou uma pecha depreciativa em sua marca pessoal: o boto.

Tenho pra mim que a ideia não partiu de Gilberto “Boto” Mestrinho, mas de um de seus assessores, um jornalista de nome Ibraim, que era um daqueles gênios perdidos nas profundezas da Amazônia.

O boto (tucuxi) é um encantador de mocinhas; uma justificativa para a gravidez mal explicada. Mestrinho era um desses, mas surpreendeu o mundo político local ao adotar o mamífero como seu símbolo.

O porco

Crédito da foto: dexaketo.wordpress.com
O infindável arsenal de preconceitos das elite e subelite brasileiras não perdoa cor, credo e raça. A italianada sofreu um bocado em São Paulo e para onde foi neste país.

Da raça porca, que não gostava de tomar banho, a coisa debandou-se para as torcidas de futebol, e os palmeirenses (e o time) foram tachados rapidamente de “porco”.

Torcida primeiro, o time depois, assumiram o porco como símbolo e destruíram o preconceito dos contra.

O macaco

Crédito da foto: espn.uol.com.br
O “bom baiano” Daniel Alves (Barcelona) teve uma sacada espetacular ontem: apanhou uma banana que lhe era atirada e a comeu antes de bater um escanteio.

A banana seria “comida de macaco” e como preto, Dani Alves é um macaco.

Neymar, do também Barcelona, reagiu dizendo que “somos todos macacos”.

É uma grande saída essa mostrada pelo baiano, que além de tudo tem o bom gosto de ser são-paulino... tem em termos, pois são-paulino que se preze é preconceituoso e racista.

A ato de Dani Alves deveria se espalhar pelo mundo e ser adotado pela Fifa e Confederações no combate ao racismo.

É preciso encurralar os odiadores, destratá-los, desmoralizá-los com inteligência.

Daniel Alves abriu o caminho. Resta que o sigamos.