domingo, 27 de abril de 2014

Uma perguntinha: quem pode com a China?


Crédito da foto: mundogeo.com

No seu livro 1421: The year China discovered the word (1421 O ano em que a China descobriu o mundo) Gavin Menzies exagera um pouco nas andanças marítimas chinesas pelo planeta, e acabou irritando os portugueses por conta da enigmática e pouca clara Escola de Sagres.

Há quem defenda que a China foi a única potência mundial de verdade, que na prática nunca deixou de sê-la, e que deve ocupar todo o Planeta não demora muito.

A China ocupou-se, como, aliás, diversos países asiáticos, entre eles o Japão, a “copiar” tecnologia ocidental para crescer e ganhar mercado. Depois investiu na formação técnica (ensino médio), seguida da formação acadêmica, doutorados, pós-doutorados, inovação e patenteamento tecnológico.

Enquanto outros países asiáticos patinam (o Japão hoje se transformou numa ilha da fantasia tecnológica, mas ainda com muito dinheiro) a China faz uma mistureba entre governança centralizada (via Partido Comunista Chinês) e liberdade de mercado.
  
As análises ocidentais sobre a China são precárias. Partem da visão eurocêntrica (cristocêntrica) sem atentar que o país é um mosaico étnico, com histórias milenares que se equilibram entre o confucionismo e o taoísmo.

Falar de opressão e falta de liberdade na China equivale a falar em preconceito reverso (do negro contra o branco). Balela pura.

O jornal O Estado de São Paulo publica hoje uma boa matéria sobre como a China conquista espaço na ciência global - http://www.estadao.com.br/ciencia/.

“O país de maior destaque nos dois relatórios (Desempenho em Ciência e Tecnologia do G20, / Thomson Reuters e Fundação Nacional de Ciência dos EUA) é a China, que num prazo de dez anos passou de oitava para segunda maior produtora de trabalhos científicos no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos (e da União Europeia, se o bloco for considerado como um país).”

“Pelos dados da Thomson Reuters, que levam em conta todos os trabalhos publicados em revistas indexadas na base de dados Web of Science, a produção científica da China saltou de aproximadamente 48 mil artigos, em 2003, para 179 mil, em 2012 - aumento de 273%.”

“Os Indicadores de Ciência e Engenharia da Fundação Nacional de Ciência dos EUA trazem números menores, por usarem critérios mais restritivos e uma base de dados diferente (o Science Citation Index), porém igualmente impressionantes: aumento de 21 mil para 90 mil trabalhos publicados pela China entre 2001 e 2011.”

O impacto chinês no mundo deve (e em alguma medida já está sendo assim) ir bem além das questões econômicas e hegemônicas.

É provável que seu modelo centralizado de governança altere, num futuro não muito distante, o entendimento que todos nós (ocidentais, pelo menos) temos da democracia.

Mas os impactos mais importantes devem mesmo ficar em duas áreas sensíveis: a filosofia e a religião.

Nunca custa lembrar que nascido na Índia, o budismo migrou para a China e lá foi profundamente impactado pelo taoísmo, dando origem ao zen-budismo.

Como o zen-budismo, o modelo chinês começa a ganhar o mundo.

E se repete aqui a mesma pergunta já feita neste afalaire anteriormente: “quem pode com os chineses?”.