sábado, 26 de abril de 2014

É justo xingar e hostilizar jornalistas nas ruas (?)



Reprodução de imagem de TV

A jornalista Bette Lucchese, da Rede Globo, é uma ótima repórter, uma profissional correta e competente.

Uma moça corajosa. Sempre está na linha de frente, como se viu diversas vezes em ocupações pela polícia de favelas cariocas para a implantação das lamentáveis e inócuas UPPs.

Se suas matérias são editadas, parcialmente mutiladas, a culpa cabe à edição dos telejornais.

O pecado de Lucchese é trabalhar na Rede Globo, demonizada – e há muita razão pra isso, especialmente por gente das periferias  – por um bocado de brasileiros.

Pode-se também argumentar que Lucchese é conivente com o jornalismo-cafajeste praticado pela Globo.

Durante as hostilizações de ontem, das quais a jornalista foi mais uma vez vítima, perguntou-se por que ela não sai da Globo e vai fazer outra coisa ou exercer a sua profissão em outra emissora.

O questionamento nem interessante é. Pelo contrário. É pueril. Lucchese aguentou estoicamente todo o xingamento.

Não importa onde uma pessoa exerce sua profissão, mas como ela a exerce.

E Lucchese exerce a sua com dignidade e profissionalismo.

Ira santa

Há alguns anos o jornalista ítalo-brasileiro, Mino Carta, saiu em andanças pelo Brasil a dizer que o jornalismo brasileiro era muito ruim, mas que já fora bom em algum momento de sua história.

Parte do que disse é correto: o jornalismo brasileiro é péssimo; a outra parte é viagem pura: o jornalismo brasileiro nunca foi minimamente bom.

A questão que se põe frente à crescente onda de hostilização a jornalistas é simples: deve-se insurgir-se contra o profissional ou contra a empresa para a qual trabalha?

Façamos um exercício: se um escritório de engenharia projeta uma edificação de forma equivocada e precária e ela cai, vamos hostilizar e demonizar a peonada que trabalha na obra ou os “dotô engenheiros”?

Tão grave quanto os ataques (muitas vezes físicos) contra profissionais de imprensa nas ruas brasileiras é a euforia que boa parte da chamada “imprensa de esquerda” demonstra com os constrangimento vividos, por exemplo, por Bette Lucchese.

Há um cheiro de despeito e de inveja nessa vibração toda.

Atacar ideologicamente a repórter (e é isso que está acontecendo no caso de Lucchese) é apenas uma demonstração de incapacidade misturada com cafajestismo puro.