segunda-feira, 31 de março de 2014

Mostra de Cinema Marcas da Memória


- Comissão de Anistia do Ministério da Justiça
- Secretaria de Estado de Cultura do Governo do Distrito Federal
1° a 10 de abril
Sempre às 19 horas
Cine Brasília,
Brasília – DF
As sessões são gratuitas.

A Mostra de Cinema Marcas da Memória tem como objetivo promover sessões públicas de filmes, dedicados à memória e à reflexão crítica sobre os regimes de exceção vividos na América do Sul, em especial no Brasil, e seus reflexos no presente. A Mostra é constituída por filmes produzidos pelo Projeto Marcas da Memória da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e compõe o Ciclo de Atividades em alusão ao cinquentenário do golpe militar no Brasil.


 


Jornalismo brasileiro: DE RABO PRESO COM OS DITADORES



Com 9 anos decidi que seria escritor. Aos 11 que seria jornalista. Na verdade sempre quis ser jornalista, mas misturava as coisas nos 9/10 anos. Não tenho o menor talento para inventar histórias, misturar realidade com ficção como é comum já de há muito tempo.

Meu negócio é o real. O que eu chamo de “o fato em si”. Se para algum filósofo ou psicólogo a realidade não existe, pois não passa de uma projeção da mente, gostaria de me encontrar com um desses gajos pra cravar-lhe um punhal bem afiado na coxa ou dar-lhe um belo de um chute no saco ou na xoxota (dependendo do gênero).

Vamos ver se o gajo ou a gaja continua com essa basbaquice de que a realidade não existe, mas se trata apenas de uma projeção de cada mente.

Aos 13 para 14 decidi, influenciado por um amigo, que estudaria jornalismo na Casper Líbero, em São Paulo.

A Casper é a primeira escola de jornalismo do Brasil. Outros deverão dizer, em algum momento, que a primeira escola de jornalismo é do Recife ou de Salvador ou do Rio de Janeiro.

Eles sempre dizem isso até para a invenção do jogo de porrinha ou a introdução da peninha verde na peteca mineira.

A Casper foi a primeira e não se fala mais nisso.

Jornalismo (de?) verdade

São muitas as lendas sobre o jornalismo, uma delas fala em quarto poder, outra que sem o jornalismo as pessoas não saberiam o que acontece no mundo.

Fantasia pura. Na Idade Média, por exemplo, não existia jornalismo e as pessoas sabiam perfeitamente o que acontecia nos confins da Europa. Ao que elas não tinham acesso era sobre irrelevâncias como quem perdeu o gol mais feito da rodada, o tamanho da bunda da funkeira ou com quem jantou ontem à noite o Brad Pit.

Quem se interessa por isso?

A história do quarto poder é um das piores piadas que alguém já cometeu. Jornalismo nunca foi poder, mas peça auxiliar de quem tem poder. É o que um sujeito que conheci há anos em Manaus chamava de “piolho do poder”. Gente que fica atarracada no saco dos poderosos, tentando sugar alguma coisa, mas sempre pronta a atacar os inimigos ou adversários de quem lhe permite uma ou duas gotinhas de sangue.

Exemplos nada dignificantes

Ao não noticiar a enorme popularidade de Jango e o apoio maciço da maioria dos brasileiros ao presidente eleito constitucional e democraticamente, todos os veículos de comunicação do Brasil (sem exceção alguma) se comportaram de uma maneira calhorda, canalha e criminosa.

Pavimentaram a estrada do golpe de estado de 31 de março/ 1º de abril de 1964.

Isso deveria ser alvo de investigação da Comissão da Verdade, e os donos desses veículos, sejam eles quais forem, deveriam ser acionados judicialmente, para responder como coautores de torturas e assassinatos.

E a produção de factoides, a supressão parcial ou total de informação, os ataques pessoais aumentaram muito de 64 para cá.

Goste-se ou não do PT, o partido é o alvo preferencial desse tipo de jornalismo sórdido, canalha, cafajeste (dentro ou fora do poder, como se pode conferir na memória do próprio jornalismo brasileiro).

Por que então?

Então por que decidi ser jornalista? Certamente não para mudar o jornalismo, o que sabia ser impossível. Mas para alterar duas ou três linhas da sua sórdida história.

E para provar que é possível sim fazer “jornalismo jornalismo” mesmo que seja preciso chutar o saco dos outros para mostrar que assim como a realidade, a verdade existe sim, mas as empresas de comunicação não estão nem aí para nenhum dos dois.