quarta-feira, 26 de março de 2014

Como vai votar o brasileiro este ano

Crédito da foto: www.gazetadopovo.com.br
Fui hoje pela manhã a um lava-jato com o meu portentoso e todo ralado golzinho mil/2003. Na minha frente um sujeito simpático, baiano, pequeno empresário e falante pra danar.

O cara é micro empresário e tem uma fábrica de não sei o que (não me preocupei em saber o que e nem o seu nome).

Era desses amigões legais que a gente encontra por aí, e vai acabar encontrando mais algumas vezes, pois moramos perto um do outro, e como as coisas por aqui são minimalistas, certamente a gente se encontra hora dessas no posto de gasolina ou na padaria.

Ele é o cara típico da nossa “revolução industrial” que mandou para São Paulo (e em alguma medida para o Rio e Minas) milhões de nordestinos a procura “de melhorar de vida” e “vencer na vida”.

Como ele é mais jovem, já pegou o fim da “São Paulo atração” e então veio mesmo foi bater nas periferias de Brasília, onde se envolveu com política, ajudou a eleger um gajo para uma dessas cidadezinhas do Entorno, levou um pé da bunda e agora se vira como pode para sobreviver e criar a família.

Sua fábrica de não sei o que fica num conjunto residencial, o que é ilegal, ele mesmo sabe disso, mas “fazer o quê”.

Se não fosse obrigado não iria votar, mas como vai votar, votará (mais uma vez?) em Dilma, que está sendo alvo de denúncias envolvendo a Petrobras por conta de “ser este um ano eleitoral”.

“Por que não disseram isso antes? Só agora que é ano eleitoral?”

Neste afalaire já se havia, no texto a A marcha da família foi comandada pelos três patetas, falado desse fatiamento do voto, especialmente no subtítulo “Por quem vota o brasileiro”.

Já contei essas historinhas antes, mas vão elas aqui de novo, resumidamente: assim que estourou o escândalo do Mensalão, em 2005, um pequeno agricultor de Goiás e um motorista de táxi de Brasília tiveram a mesma reação: isso é coisa de políticos que não querem deixar que o Lula se reeleja.

Nove anos depois a história do lavrador e do taxista bate ipsis litteris com a do alegre baiano empresário.

Bobalhões do Face

É aí que os bobalhões das redes sociais se ferram com aquelas baboseiras ”eu nunca fui ouvido pelas pesquisas”, “eu não conheço ninguém que foi ouvido por uma pesquisa”, ”as pesquisas são compradas pelo governo”, “as urnas eletrônicas (é a mais nova insanidade) são fraudadas".

O que essas pessoas não conhecem são as pessoas. Os brasileiros que como elas vivem no mesmo País que eles supõem viver.

E supõem viver, pois vivem em seus mundinhos diminutos, assustadiços, medrosos.

Só conhecem a vó e o vô, o papi e a mami, a filhota e o filhinho; alguns amigos, o padre ou o pastor, o dono da venda, o amigão do trabalho e o patrão/chefe chato pra cacete.

Todos eles pensam iguais, falam as mesmas coisas, comem a mesma comida e tomam a mesma cerveja.

É uma bolhinha. Um grupinho de amigos e colegas. Nada mais que isso.

São uma espécie de ETs que não sabem bem ao certo como vieram parar aqui em Pindorama e nem o que fazem em Pindorama.

Só lhes resta, como diria Raul Seixas, sentar no trono, de boca aberta e esperar a morte chegar.

Enquanto isso, o Brasil, com suas mazelas, vai que vai.