sábado, 1 de março de 2014

Joaquim Barbosa diz a Dilma que se aposenta em junho


Crédito da foto: blog.planalto.gov.br

O jornalista Kennedy Alencar revela em seu blog que o ministro-presidente Joaquim Barbosa ligou para a presidente Dilma Rousseff para anunciar que deixa o Supremo em junho e vai se dedicar a uma fundação.

Alencar tem boas fontes espalhadas por Brasília. É um cara confiável. Se alguém quiser saber de notícias não carimbadas (aquelas cujas intenções submersas são de interesse de alguém ou de algum grupo) é bom ler o que ele diz.

A informação recoloca um pouco o País nos eixos em meio a esse diz-que-diz no qual estamos mergulhados por conta do julgamento da AP 470 (Mensalão do PT).

Por exemplo, sepulta de vez a especulação de que Barbosa sairia candidato à Presidência da República para impedir, pelo menos, que Dilma Rousseff chegasse ao segundo turno.

A imprensa já havia pressentido o “golpe barbosiano” e não por acaso passou a hostilizá-lo em notas e editoriais.

Não porque tenha mudado de posição com relação às lambanças retóricas de Barbosa, mas porque perdeu a “última bala“ que tinha para destronar o PT do Planalto.

No pós-carnaval é provável que a notícia se espalhe e chegue até aos coxinhas, que obviamente se sentirão traídos e humilhados por Barbosa.

Inda mais que ele foi confidenciar justamente para “a guerrilheira” a sua intenção de sair da vida pública.

De herói e santo passará a traíra num piscar de olhos.

Todo coxinha que se preze é bipolar – uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa, e vice-versa, dependendo das circunstâncias.

Como assim?

A pergunta a se fazer é porque Barbosa foi dizer exatamente para Dilma que vai cair fora do jogo político.

Subserviência?

NÃO! Barbosa não se presta a esse papel.

E nem satisfação é, pois não há razão alguma para o presidente de um dos poderes da República dar satisfações e explicações a outro.

É apenas uma informação relevante que coloca por terra um outro diz-que-diz (este especialmente insuflado pelas esquerdas): o da animosidade entre ambos os presidentes.

Se Alencar tem lá suas boas, confiáveis e sólidas fontes, cá este humilde também tem as dele, e elas me indicam (já falei disso por aqui) que tanto Lula quanto Dilma viam no julgamento do Mensalão uma forma de afastar por longo tempo José Dirceu (e seu grupo) da área de influência do Planalto.

Esse é o tipo de informação que ninguém vai confessar nem em autobiografia, mas minhas fontes (que são dos “históricos” do PT) são boas e confio um bocado nelas.

Imagino o que Barbosa tenha dito nas entrelinhas (só os idiotas dizem as coisas às claras e abertamente, e Joaquim Barbosa de idiota não tem nada): “pois é madame. Bem que eu tentei, e a senhora é testemunha. Mas não deu. Portanto eu caio fora. Agora, a senhora que descasque o pepino junto com o Lula”.

Mas, apesar da honestidade do jornalista, é sempre bom aguardar esse desfecho com cuidado, e não atravessar fora da faixa de segurança. A paciência é uma virtude.

Propaganda da Friboi com RC é uma fraude




Crédito da foto: www.midiamax.com.br

O (hoje morto) jornalista Paulo Francis conta uma história interessante de uma viagem que fez pela U.S. Route 66 / Rota 66, que atravessa os EUA de leste a oeste (e vice versa).

Francis tentou conhecer o coração norte-americano e buscou a aventura em um carro (alugado). Desistiu no meio da viagem, assustado com o caretismo e com o reacionarismo dos estadunidenses. Deixou o carro numa filial da locadora e voltou de avião para a casa (Nova York).

É sempre bom explicar, mesmo que rapidamente, quem são as pessoas das quais falamos, pois nestes tempos de informação fracionada tem gente que sequer sabe que dom Helder Câmara (assim como Francis) já morreu.

Viajar de carro é sempre mais interessante. Ao contrário do ônibus onde você dorme um bocado e tem de aguentar um bando de gente falando bobagens sem parar e de criança chorando o tempo todo, de carro você pode “apreciar a paisagem”, ver e conhecer as pessoas e perceber as particularidades dos locais por onde você passa.

Viagens de avião estão fora de questão. Além de você ficar confinado numa caixa insegura e balançante a não sei quantos pés de altura, você não vê literalmente nada e ainda tem de suportar aquela falsa cordialidade dos comissários de bordo.

“Ó Minas Gerais/”

Da primeira vez em que fui de carro de São Paulo a Belo Horizonte o que mais me chamou atenção nas terras das Gerais foi a publicidade ao longo da Fernão Dias.

“Está com fome? Coma no restaurante do seu Chico.”

“Está com sede? Beba água do seo Lourenço.”

“Cansado? Descanse no Motel da Paz.”

De acordo com os especialistas na matéria esse é o estágio primário da publicidade: honesta, direta, objetiva. Quando uma pessoa, uma instituição ou uma empresa propõem saídas e alternativas para as nossas necessidades ou anseios.

Um segundo estágio surgiria com a sofisticação e a maior exigência da sociedade, quando o consumidor não mais quer informações diretas e objetivas, mas “aquele algo mais”. Começa aí a manipulação da vontade e dos desejos; a sugestão de que “você também pode”, embora não possa nunca.

A publicidade mais representativa desse estágio foi um comercial de TV (eles eram permitidos ainda) de uma marca de cigarro, no qual os personagens da peça publicitária estavam todos vestidos de branco, alegres e sorridentes em um iate que navegava pela Baia da Guanabara (aquela boca desdentada e feia, segundo o antropólogo Claude Lévi-Strauss).

“O dom de iludir”

A ganância das agências e dos anunciantes jogou a publicidade para um terceiro nível: o da desonestidade intelectual, onde nada é, mas tudo aparenta ser, embora não seja.

Um dos 888 fernandos ou marcelos da Folha de São Paulo chegou a escrever um artigo raivoso e furibundo contra as pessoas que se rebelavam contra esse tipo de publicidade.

Muita gente se sente lesada, reclama e ameaça ir ao Procon.

O que esse um dos 888 fernandos ou marcelos quis dizer no artigo é que somos primitivos, homens e mulheres da caverna, que só temos capacidade de absorver as mensagens do seo Chico, do seo Lourenço, do Motel da Paz, mas que existe (“ainda bem!”) uma sociedade sofisticada e “inteligentinha” (a expressão é do filósofo Luiz Felipe Pondé) que vive num mundo à parte do restante dos ignorantes.

Trocando em miúdos: o que esse um dos 888 fernandos ou marcelos defende é a mentira como forma de se ganhar dinheiro e enriquecer.

É o aval ao vale-tudo do capitalismo em seu estágio mais bruto.

O cineasta Fernando Meirelles disse anteontem em seu twitter que Roberto Carlos, que agora é garoto propaganda da Friboi (a maior matadora de animais do mundo), não deixou de ser “veggie” / vegano / vegetariano.

Ele está nessa pelos 25 e tantos milhões que irá receber para estimular as pessoas a consumir uma coisa (carne / carne processada), prática que ele abomina.

É o vale-tudo do capitalismo em seu estágio mais bruto.

A publicidade é uma fraude. A Friboi, a empresa de publicidade e Roberto Carlos são mentirosos, enganadores, manipuladores.

Procon neles!

Ou vamos continuar vivendo nesse vale-tudo do capitalismo em seu estágio mais bruto?