segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A direita brasileira não morreu e continua cheirando mal


Crédito da foto: www.mises.org.br

Lula da Silva, assim que Dilma Rousseff venceu a eleição presidencial há quase 4 anos, cantou de galo e disse que o PT havia varrido a direita do mapa.

É sempre uma insensatez fazer esse tipo de afirmação. Não vou dizer que é uma estupidez, pois Lula da Silva é nosso “compa” e eu sempre votei nele.

O PT (com a ajuda inestimável do PSDB, aceitemos) transformou a direita em extrato de pó de bosta, mas o pó continua por aí fedendo.

Fede na classe média mais abastada, na elite empresarial, e – não pasme! – nas camadas sociais mais pobres da população e em boa parte do movimento ambientalista.

Ser de direita não é votar contra o PT, como parece acreditar o ex-presidente e boa parte dos seus bajuladores. Conheço um bocado de gente de direita que já depositou, pelo menos uma vez, um “votinho na urna petista”.

Ideologicamente ser de direita é ser reacionário, e ser reacionário é ser contra políticas e/ou ações públicas e coletivas que favoreçam a totalidade da população, mas, mais especificamente, às chamadas camadas vulneráveis; ou seja, os pobres e os ferrados sociais.

E o que tem de reaça neste País sequer dá para contar.

Mas é bom também não confundir ser de direita com ser conservador. O que tem de conservador de esquerda é uma grandeza.

Conservador é aquele cara que quer conservar um status quo, mesmo que esse status seja uma mera ilusão.

Pensamentos

O que Lula da Silva poderia ter dito, com mais acerto, é que o PT (com a inestimável ajuda do PSDB, reconheçamos) ajudou a praticamente liquidar o pensamento conservador de direita no País.

E ajudou por quê? Porque não fez o trabalho sozinho. Nesse tour de force para liquidar com o pensamento conservador de direita ele teria de colocar desde os anarco-sindicalistas do começo do século passado, passar pela luta pelos direitos civis dos EUA, pela contracultura dos anos 60 e 70, pelo feminismo, pelo movimento gay, pela social democracia europeia, pela revolução cubana, pelo chavismo e por aí vai.

No Brasil, o pensamento conservador de direita (regiamente pago por empresários) está restrito a meia dúzia de mequetrefes que escrevem em jornais e revistas, que falam na TV e no rádio, como os colunistas de Veja, de O Globo, de O Estado de São Paulo, e a filósofos e a historiadores como Luiz Felipe Pondé e Marco Antônio Villa.

Nesse sentido, o artigo de hoje de Pondé, na Ilustrada da Folha de São Paulo, Socialismo é barbárie, é revelador do atual estágio do pensamento conservador de direita.

Sem pejo de mentir e distorcer fatos e números, Pondé ataca, acossado – como reconhece no próprio artigo – por esse “papo das assembleias da PUC do passado, manipuladoras e autoritárias, como sempre”.

Pondé talvez pudesse deixar as aulas e a filosofia de lado e virar treinador de futebol. A máxima do esporte diz que “a melhor defesa é o ataque”. Garanto que o meu time, o São Paulo Futebol Clube, iria trocar o Muricy por ele.

Resta saber se ele iria conseguir convencer alguém com suas mirabolâncias intelectuais. Tenho minhas dúvidas.