terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A grande arte de tanger o gado




Crédito da foto: noticias.band.uol.com.br
Porque gado a gente marca/Tange, ferra, engorda e mata/Mas com gente é diferente” (Disparada/Geraldo Vandré - http://letras.mus.br/geraldo-vandre/46166/).

Dando renovada demonstração de estar alinhado ao crescente "datenismo" da sociedade brasileira, o Congresso Nacional prepara uma resposta – um revide, melhor dizendo – à morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Band, atingido por um rojão durante uma manifestação no Rio de Janeiro. O Senado pretende votar esta semana o Projeto de Lei 499, de 2013, que tipifica o crime de terrorismo, hoje ausente da legislação federal.’ (primeiro parágrafo do artigo “Sem dar respostas a junho, Congresso quer revidar morte de cinegrafista”, de João Peres, em http://www.redebrasilatual.com.br/blogs/blog-na-rede/2014/02/sem-dar-respostas-a-junho-congresso-quer-revidar-morte-de-cinegrafista-808.html).

Vocês já tangeram gado? Já foram tangidos como gado? Sabe o que é tanger?

Tocar, açoitar, fustigar (animais para que andem ou fujam): o boiadeiro tangeu o gado para a invernada.” (http://www.dicio.com.br/tanger/).

Pois é isso que o Senado Federal, açodado, quer fazer: votar e aprovar o “Projeto de Lei 499, de 2013, que tipifica o crime de terrorismo”.

Alvíssaras! Como pedem reiteradamente, dia sim outro também, dez entre dez coxinhas, finalmente voltaremos aos “bons tempos” da Ditadura Militar, quando bandido que era bandido morria nas mãos dos canas, e não tinha dessa de os “direitos humanos”, que defendem bandidos, cantarem de galo.

Alguém, mais açodado que os nobres senadores, já pediu inclusive que se proíba dinheiro do exterior para o financiamento das ONGs, pois, afinal, “todas as ONGs” defendem os direitos humanos, que como todo mundo sabe são (os direitos humanos) defensores de bandidos.

O Senado bem podia acrescentar ao texto, além da proibição do financiamento internacional das ONGs (afinal, elas são defensoras de bandidos), que se recriassem os esquadrões da morte.

Ah, já existem? São as milícias e os justiceiros que amarram pretos em postes?

OK! Então que tal dar um CNPJ para cada um deles?

Malhando em ferro frio

Ontem li um texto do pe. Xavier tentando desmistificar essa baboseira coxista sobre os direitos humanos.

Colombiano, padre Xavier é um lutador de primeira hora, defensor dos direitos humanos (claro, defensor de bandidos) e da pastoral do menor do Espírito Santo.

Foram boas as intenções do padre. O texto é didático e enxuto. E um bocado objetivo.

Mas inútil. Não serve pra nada e por dois motivos.

Não serve para os defensores de direitos humanos (esses defensores de bandidos), pois todos eles sabem perfeitamente o que são os direitos humanos e pra que serve essa luta toda.

Não serve para quem acha que os direitos humanos(sic) são defensores(sic) de bandidos, até porque eles têm certeza disso e não vão mudar. Só na próxima geração. Quem sabe os netos ou bisnetos?

Ou melhor, talvez eles saibam que os direitos humanos(sic) não são defensores(sic) de bandidos, até porque eles não se veem como bandidos, e vivem a reivindicar direitos para cima e para baixo: direito de ir e vir, liberdade de expressão, viajar para o exterior, casar, ter ou não ter religião... ufa... é muita coisa. Fico por aqui.

Eles querem acreditar que os direitos humanos(sic) são defensores(sic) de bandidos, ou seja, são defensores de índios, pretos, brancos pobres, putas, drogados, moradores de rua ... ufa... é muita coisa. Fico por aqui.

É, padre, como religioso talvez o senhor ache correto acender velas para defunto frio, mas sabe perfeitamente que não adianta malhar em ferro frio.