quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Brasil varonil, meu Brasil brasileiro do mulato inzoneiro



Afinal, isso que conhecemos como Brasil veio à luz do mundo quando mesmo?

Certamente não nos tempos de Pindorama (pindó-rama ou pindó-retama: terra/lugar/região das palmeiras), a denominação dos grupos indígenas tupi-guarani para a terra na qual habitavam antes da chegada da portuguesada.

Seria em 22 de abril de 1500? É provável que não.

Ou quem sabe em 1503, quando os portugueses resolveram chamar isto aqui de Brasil, por conta do pau-brasil?

Ao contrário do que reza a lenda (e a brutal desinformação) pau-brasil não é um pau, uma árvore, mas o nome genérico de várias espécies do gênero Caesalpinia, comum na Mata Atlântica brasileira.

Então, quem sabe, em 1621 com a criação, por Portugal, do Estado do Brasil (coisa que durou até 1815, quando eis que surge o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, em 16 de dezembro)?

Pode ser que não seja nada disso e que o Brasil, brasileiro, do mulato inzoneiro, tenha surgido mesmo, de verdade, no 7 de setembro de 1822.

Ou quem sabe em 1825, quando os EUA reconhecem Pindorama como País independente?

Não podiam faltar os norte-americano, podia?

Há quem tenha discordância.

A nacionalidade brasileira começa a se formar em meados do século 19 com as guerras contra o inimigo estrangeiro.

Mas para historiadores mais modernos foi apenas na primeira metade do século 20 que se começa a criar uma identidade nacional, em parte por conta do Movimento Modernista, e em maior parte (a partir de 1930) por conta de o governo brasileiro identificar diversas tradições e costumes nacionais e a partir delas estabelecer uma associação país/nação + cultura: feijoada, carnaval, mulata, futebol... e segue a valsa.

Enfim... eis a Nação Brasileira.

Nada como um dia após o outro

Mas eis que hoje, finalmente, se fez a (minha) luz. O céu ficou claro. As cortinas da minha ignorância brasílica se foram.

O Brasil tal qual conhecemos e no qual vivemos as nossas vicissitudes e as nossas contradições é mais recente. É de 1º de janeiro de 2003.

A data lembra alguma coisa? Lembra né? É o dia da posse de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República.

E olha que em Pindorama éramos tão felizes e não sabíamos.

Hoje, conversando longamente (longamente, mais ou menos) com um executivo de razoável sucesso por este Planalto Central do Brasil descobri coisas para as quais eu ainda não atentara.

Tudo bem que estou meio velho, ficando míope, tenho a vista cansada de tanto ler e de ficar na frente do computador, e para arrematar ainda sofro de astigmatismo.

Mas isso não é uma boa desculpa. Aliás, nem razoável é.

É desatenção mesmo. Tontice minha.

Já fui mais jovem e minha vista não era tão ruim assim.

“O Brasil é uma droga...”, recebi de supetão nos meus ouvidos (eles, os ouvidos, ainda estão em bom estado).

“Mas...” tentei argumentar, mas não deu.

Na sequência da fala do interlocutor segue-se sempre um meu “mas...”, mas não vou repetir esse “mas...”, “mas...”, “mas...” porque vai ficar muito longo o texto. Vá encaixando você aí.

“Tudo que o agronegócio produz se perde nas estradas por conta da péssima infraestrutura. É o Custo Brasil.” / “Os nossos aeroportos são ruins... ruins não, péssimos.” / “A violência então...” / “Rouba-se como nunca.” / “Falta planejamento.” / “Sobra incompetência.” / “Tenho nojo desse País.” / “Estou pensando em ir embora.” / “Não voto em ninguém este ano. Me desculpe, mas não voto.”

Finalmente consegui dizer mais alguma coisa além do “mas”.

“Mas então, por que isso? De quem é culpa?”

“DE QUEM SERIA, PORRA!?”

Juro que fiquei impressionado e só me sobrou uma fala final (na verdade uma pergunta atônita): “Do barbudo!?”

Depois de tanta iluminação estou seriamente pensando em procurar um pajé.