sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

“Viva o Gordo, abaixo o regime”




Crédito da foto: tolkienbrasil.com

O humorista, apresentador de televisão, escritor, artista plástico, dramaturgo, diretor teatral, ator, músico e pintor brasileiro Jô Soares (José Eugênio Soares, nascido no Rio de Janeiro, em 16 de janeiro de 1938) tem se notabilizado nos últimos dias por se colocar na contracorrente da demonização de PT, de Dilma Rousseff e, ontem, de José Dirceu.

No início dos anos 80, ainda em plena ditadura militar (1964-1985), Jô Soares apresentava pelo Brasil todo, em turnê, um espetáculo do gênero one man show chamado Viva o Gordo, Abaixo o Regime.

A única concessão que foi obrigado a fazer deu-se em Brasília, onde os ditadores da época exigiram que cortasse parte do nome do espetáculo, que, então, por aqui, se chamou apenas Viva o Gordo.

Não era, óbvio, nenhuma apologia à obesidade, mas uma crítica aberta à ditadura militar, àquela altura já moribunda.

Não sou exatamente um fanzoca de Jô Soares, não assisto ao seu Programa do Jô, na Globo, e mal conheço a bancada feminina do noturno, gente com quem o artista tem se desentendido constantemente na sua jornada anti-demonização.

Tenho acompanhado isso mais pelas redes sociais.

Não deixa de ser surpreendente sua postura, e eu mesmo, por aqui e em outros lugares, já coloquei em dúvida se a atitude do artista é espontânea ou se faz parte de um jogo subterrâneo da própria Rede Globo na sua tentativa de reaproximação com o governo federal, por conta de interesses financeiros.

Fico ainda mais um pouco na expectativa, mas torcendo para que os arroubos de Jô Soares expressem a independência intelectual do artista, independência que todo artista deve ter, caso contrário não será artista.

Contra a maré

À guinada de Jô Soares se somam as do empresário Ricardo Semler e uma deputada estadual por São Paulo.

Semler disse recentemente que nunca se “roubou tão pouco” neste País como agora, e, por extensão, elogiou a postura do PT e a dedicação de Dilma Rousseff no combate à corrupção.

A deputada (desculpem-me, mas o nome me escapa) fez duras críticas ao tresloucado Jair Bolsonaro (PP/RJ), e uma defesa enfática da deputada federal gaúcha, Maria do Rosário (PT).

Ambos foram, Semler e a deputada paulista, trucidados nas redes sociais, por essa gente raivosa de direita.

Ontem à noite estive olhando os comentários no perfil da política no Facebook. Àquela altura, por volta das 23 horas, havia mais de 1.400 comentários. Apenas quatro elogiavam o seu texto. O restante era “pau puro”, mais ou menos no nível de Jair Bolsonaro.

Um detalhe importante: boa parte (a maioria) era de gente com menos de 40 anos, e como não poderia deixar de ser, de gente que mora do Estado de São Paulo.

Em comum, Jô, Semler e a deputada têm que são, de uma forma ou de outra, gente ligada ao PSDB.

Aí o pecado deles ganha proporções bíblicas, já que não se trata de “petralhas”: são “pulhas”, “traidores”, gente que apoia “toda essa bandalheira que está ocorrendo em nosso País”.

Desconstrução

Tenho visto (lido e ouvido), com certa constância, petistas (e esquerdistas) raivosos – nas redes sociais e fora delas – tentando colar nos tucanos a pecha de direitistas e reacionários.

Não são, nunca foram, provavelmente jamais serão, a despeito dos exageros retóricos de gente como Aécio Neves, José Serra e Aloysio Nunes.

As falas de Jô, Semler e da deputada ajudam a desmistificar isso um pouco, a desconstruir a fala também raivosa e obnubilada de petistas (e esquerdistas).

As lutas ideológicas, as pendengas político-partidárias não podem nos obscurecer, não devem nos deixar idiotas e insanos, mas, no Brasil, neste momento, é o que está acontecendo, à direita e à esquerda.

Não podemos nos rebaixar ao nível da direita, esta sim raivosa e insana.

Portanto, “Viva o Gordo, abaixo o regime” - o regime Capitalista, a fonte de todos os males atuais que assolam a Terra.

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