quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

TEMPOS MODERNOS: nem a política escapa do surto de monotonia




Crédito da foto: revistavivasaude.uol.com.br

Se olharmos para fotografias familiares, por exemplo, dos anos 60, dificilmente veremos pessoas obesas.

Não havia gordos e gordas na época? Claro que havia. Meu avô materno, por exemplo, o italiano José Boschetti, era baixinho e um bocado obeso. E quase certamente foi isso que o matou precocemente.

Acontece que a maioria das pessoas não era não.

Mas se na alimentação da época havia a presença de mais açúcares e um bocado de gordura, por exemplo, se cozinhava muito com banha de porco, onde está, então, a explicação?

Elementar: na atividade física. Não que nossos parentes mais velhos fossem todos atletas ou frequentassem academias, que, aliás, nem existiam.

A vida era mais difícil, havia pouca tecnologia, o dinheiro era ralo, o que obrigava mulheres e homens a ter uma vida multifacetada, de vários afazeres, a maioria desses afazeres, físicos.

Ou seja, na alimentação se ganhava muita energia, mas na obrigação de se viver se perdia o que se ganhava nas mesas de refeição.

Guinada rumo ao tédio


Crédito da foto: mesquitacomovai.com.br
A obrigatoriedade do desenvolvimento e a necessidade das corporações levou o ser humano à especialização. Somos todos especializados em alguma coisa, e a maioria sequer sabe trocar uma lâmpada ou um bojão de gás.

Viramos escravos da mesmice e reféns do sedentarismo.

A dicotomia ser multifacetado X ser monocórdio pode ser vista com mais clareza no campo da Cultura, e para ficarmos apenas no Brasil, vamos tomar o exemplo da MPB (Música Popular Brasileira).

A geração de Chico, Caetano, Gil, Milton etc. é típica dessa multiplicidade de caminhos que a Cultura trilhava.

Peguemos Chico Buarque de Holanda, por exemplo, um artista do qual nunca gostei tanto assim, por entender ser a sua monumental obra musical um tanto quanto conservadora e no mais das vezes atemporal.

Chico foi de marchinhas a samba partido alto, de fado a maxixe, navegou pelo seu lado masculino e pelo seu feminino com bastante desenvoltura, diga-se.

Mais ou menos nesse diapasão foram Caetano, Gil, Milton e os outros etc.

O que se vê, a partir da década de 80 (ah... maldita década de 80!!!), é o surgimento de “artistas menores”, menos expressivos, mais chatinhos, mais enfadados e mais enfadonhos: Renato Russo, Lulu Santos, Cazuza, as bandas de rock de Brasília e os etc. e tal.

Enfim, entramos na Era do Minimalismo, ninados por gente como Ronald Reagan e Margareth Thatcher e, como não poderia ser olvidado, pelo neoliberalismo ganancioso e explorador, que nos transformou a todos em neo-escravos, alguns até muito bem remunerados, mas neo-escravos do mesmo jeito.

FlaXFlu político


Crédito da foto: br.noticias.yahoo.com
O atual estágio da política (e isso não é diferente em outras partes do mundo atual) mostra um grande confronto entre grupos políticos mais à esquerda (mas nem por isso progressistas, muito pelo contrário) e mais à direita (os ditos conservadores e/ou reacionários).

Por aqui, por este espaço, já se saudou esse confronto como positivo (ou propositivo, como gostam de dizer esses neo-pajés das instituições públicas e privadas).

A questão, porém, está na monotonia dos discursos e das pregações ideológicas.

Cada um a seu modo e lugar repete os mesmos mantras como se fossem eles ao mesmo tempo tábuas de salvação e armas letais para destruir o inimigo, que não deveria ser inimigo, mas apenas um reles adversário.

Quem sofre da acusação de monocordismo (com o perdão do neologismo) é o deputado federal Jean Wyllys (Psol/RJ), a quem se acusa de ter uma só bandeira, a bandeira GBLT.

A acusação é um pouco injusta, já que Wyllys navega muito bem por outras águas, como os Direitos Humanos, o feminismo e as questões ligadas ao sistema prisional brasileiro.

Talvez, entre os parlamentares brasileiros seja um dos raros que não mereça a pecha de ser um autêntico frequentador das arquibancadas do Maracanã, em dias de Flamengo e Fluminense.

Mas a maioria... vou te contar... é de uma planura de dar sono em bicho preguiça.

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