sábado, 20 de dezembro de 2014

Ser alienado está fora de moda



Sabe aquele carinha que diz “eu não gosto de política”? Pois ele ficou para trás. Nesta grande Pindorama se discute hoje muito mais “os destinos do País, os escândalos de corrupção e o futuro da humanidade” do que futebol. E isso é uma tendência mundial (contextualizando-se, óbvio, as especificidades de cada região, país e momento).

Se vai durar muito tempo isso já é outra história.

Não gostar de política é exatamente a mesma coisa que não gostar de oxigênio.

Adianta?

As “conjunções” favorecem essa guinada para a qual pouca gente estava preparada.

Se numa rodinha de amigos, parentes ou colegas de trabalho você fizer aquela carinha de muxoxo por conta das “conversas politizadas” vão te olhar como se você não tomasse banho há uma semana, rescendesse a cecê, exalasse mau hálito, tivesse caspa e coçasse, em público, o saco ou a piriquita.

Melhor você cair fora ou “entrar no papo-cabeça”, mesmo que diga uma montanha de besteiras e de sandices.

E sejamos justo. Quem botou a política na mesa de jantar, no happy hour, nas filas do cinema e do supermercado foram os coxinhas.

Eles mesmos! Esses caras que nós, que nos achamos hiper-politizados, hiper-antenados, hiper-modernos, taxamos e carimbamos como “alienados”.

Pior, ou melhor, é que não são não.

Podem ser até meio estúpidos, um bocado intransigentes e meio que fora de órbita; podem ser preconceituosos, racistas; ter discursos violentos, mas alienados não dá mais pra dizer que sejam.

As conjunções, ou melhor, as conjunturas “nacionais e internacionais” favorecem à guinada.

A jiripoca tá piando em tudo que é canto: no Ocidente, no Oriente; abaixo e acima da linha do Equador.

Tá todo mundo meio que puto da vida e tá todo mundo meio que entusiasmado com tudo e com todos.

As pedras voltaram a rolar (BD), assim como rolaram naquele interstício de 50 a 70.

Tá todo mundo inquieto. Tá todo mundo querendo mudanças.

OK! Ainda estão nos devendo uma boa música, um bom cinema para embalar o momento, como se embalou de 50 a 70.

O que tem aí é ruim pra cacete! Haja ouvido e estômago!

Mas, como no interstício passado, sólidas pedras não estão apenas rolando com se esfacelando como um torrão de açúcar na boca de um cavalo.

TV, líderes empresariais, gente de sucesso, políticos, religiosos, aff... Pra ser bem delicado e educado: “tá indo tudo pro saco”.

E nesse rola-bosta, opa... nesse rola-pedra, o Estado (nacional) se desfaz tal qual um papagaio de papel no olho do furacão; os sistemas (capitalista e socialista) não seduzem nem mais freiras ingênuas e velhinhos macambúzios.

Melhor assim, não?

O que vem depois então? O que vai se colocar “no lugar disso tudo que está aí”?

Sei lá! Quem está preocupado com isso?

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