sábado, 13 de dezembro de 2014

“Revoltados online” e a hilariante tese do “recuo estratégico”



Acabei de ver no Facebook um vídeo de um dos “líderes” dos "Revoltados online” desconvocando a manifestação que deveria ter ocorrido hoje, na avenida Paulista (sempre nela!), contra “esse governo corrupto que está aí destruindo o Estado e colocando em risco o futuro de nossos filhos” (sic).

O líder, cujo nome não sei e nem quero saber, tem uma extensa ficha corrida na polícia. Hum... Dia desses vai é pra cadeia, e até onde sei não existe nenhuma na Paulista.

Podemos conjecturar várias hipóteses para o “recuso estratégico”.

Eu tenho as minhas e são várias:

- hoje é sábado e as pessoas não gostam de levantar cedo;
- está chovendo em São Paulo e não há água nas torneiras para que os “protestantes” tomem banho após a manifestação;
- como estamos perto do natal, muita gente prefere ir à 25 de março e ao shopping center comprar aqueles mimos de fim de ano;
- tem um bocado de gente de férias que já se mandou para o litoral ou para o Nordeste ou para Minas ou mesmo para o exterior (aqueles que tem mais dinheiro, óbvio).

Ignorâncias

Tenho uma velha tese que deixa muita gente incomodada e irritada: a classe média é profundamente ignorante, de uma profundidade digna dos poços que a Petrobras está perfurando na plataforma continental brasileira.

E é profundamente ignorante por um motivo bem simples: trata-se de gente que não estudou, que não leu o que qualquer cidadão ilustrado deve ler ou deveria ter lido.

Apenas passou pela escola, diplomou-se (muitos deles inclusive com título de doutor), cumprindo todo o ritual que a escola exige; e depois foi para a vida ganhar seus, quase sempre, minguados salários, tal qual um neoescravo que depende dos seus parcos caraminguás para sobreviver, e se diverte vendo tevê e passeando em shopping center.

Os mais “safos” dessa gente conseguem ler os títulos das matérias dos jornalões, ver as fotos de jornais e revistas, navegar pela internet e até apreciar um texto do Reinaldo Azevedo (Veja), embora não entenda direito o que ele está dizendo.


Pobres diabos

Gente dessa rasidão (me permitam o neologismo) intelectual mal sabe que “recuo estratégico” é um velho mantra das batalhas de guerra, desde os tempos imemoriais, usado para explicar fugas e deserções, ou, mesmo que seja, para recuar, re-aglutinar tropas e contra-atacar.

Sabem menos ainda: que a tática do “recuo estratégico” foi usada, com enorme sucesso, pelos russos, por ocasião dos confrontos com as tropas napoleônicas, e mais recentemente (já na era da União Soviética) contra as tropas da Alemanha nazista.

Opa, quer dizer então que isso é coisa de comunista!!!!

Vixe!

Numerologia

Apesar dos esforços simpáticos ao qual a imprensa mercantil se dedica, o correto é dizer que os protestos contra “esse governo corrupto que está aí destruindo o Estado e colocando em risco o futuro de nossos filhos” (sic) tem minguado a olhos vistos.

O que se propunha – “vamos paralisar o Brasil” – durante a Copa do Mundo de Futebol foi espetacularmente minguado.

Os protestos que se seguiram, e seguem até hoje, em várias cidades brasileiras, têm cada dia mais reunidos cada vez menos gente.

Neste caso também se pode conjecturar várias hipóteses:

- a infiltração de grupos radicais que pregam a volta da ditadura;
- a recusa de boa parte de artistas e intelectuais de fazer parte do movimento;
- a frouxidão natural do brasileiro para manifestações de ruas.

Até o indefectível Lobão parece estar meio que se aborrecendo com essa história.

E o Aécio Neves, como era previsível, deu “bolo na moçada”, semana passada, e preferiu ir curtir uma praia em Floripa com alguns amigos.

Há, porém, uma explicação mais profunda: o movimento nunca conseguiu seduzir as populações vulneráveis deste País: pobres em geral, índios, gente que mora em favelas, quilombolas etc. e tal.

Muito pelo contrário: a pauta reivindicatória dos “Revoltados online” continua centrada em demandas de parte da população brasileira, parte essa incrustrada dentro da classe média urbana.

Se atentarmos para o discurso dessa gente “revoltada” vamos ver que as carências e as necessidades de índios, jovens negros, mulheres vítimas da violência machista, quilombolas, ribeirinhos, favelados não dão o ar de sua graça.

Vão derrubar quem com todo esse papo furado?

A Dilma? KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

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