quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O Congresso Nacional vai virar um palco de batalhas



O que aconteceu ontem no Congresso Nacional, quando seriam votadas as alterações na LDO, não é exatamente uma novidade.

A novidade, daqui para frente, e provavelmente por muitos anos, especialmente nos 4 anos de governo Dilma Rousseff, é que essas escaramuças nas galerias do Congresso devem se amiudar.

E não adianta um grupo apontar os dedos acusadores para os outros, pois todos, em algum momento, terão razão em seus protestos e nas suas intempestividades, que, não raras vezes, vão descambar para a violência.

A se lamentar nada, ou quase nada. É a paga da Democracia, da participação popular no destino do País, ou, trocando em miúdos, no seu próprio destino.

Aqui vai valer a lógica popular de quem tem mais garrafas para vender que as venda.

Aparentemente as esquerdas estão mais organizadas, mas as direitas já colocaram suas manguinhas para fora, vide o caso dos protestos de rua do ano passado (já voltamos a eles).

Isto é Brasília

A Capital Federal foi desenhada sobre os largos espaços do Planalto Central do Brasil, sua planura, seu calor e suas securas no mais das vezes excessivos.

É uma área urbana larga, onde tudo é mais longe do que em outros sítios urbanos brasileiros. Foi pensada para que abrigasse centenas de milhares de pessoas, mas para que essas mesmas pessoas não se aglutinassem de tal maneira que tumultuassem a vida das “autoridades constituídas”.

Era pra ser uma cidade anódina. Era... se por aqui não vivessem ou para aqui não viessem seres humanos.

Confrontar-se com as forças (de Estado) repressivas não é tarefa das mais fáceis por aqui.

Literalmente não há para onde correr. Os mesmos largos espaços que servem para fugir da repressão servem para que as forças repressoras funguem nos nossos cangotes e mordam nossos calcanhares.

É uma questão de logística e de poderio bélico. É fácil adivinhar quem vence a batalha.

Quem nunca viu uma correria pelos gramados da Esplanada dos Ministérios não sabe o que está perdendo.

A tal Democracia

Estritamente no âmbito da República o poder, de longe, mais democrático é o Legislativo.

Para cá os Estados federativos despejam a cada quatro anos algumas dezenas de parlamentares (deputados federais e senadores). Qualquer cidadão pode circular mais ou menos à vontade em suas dependências. Basta tirar uma fotozinha, apresentar um documentozinho e passar por aquela maquininha que supostamente detecta metais.

Agora vá tentar entrar no Palácio do Planalto para um bate um papo com a presidentE ou simplesmente tomar um cafezinho...

Ou no Supremo, com seus juízes e juízas togados/as e de fala e escrita empoladas...

Pois é naquele espaço quase totalmente aberto e um bocado democrático que nós podemos nos expressar com mais ênfase e até com um bocado de falta de educação e de bons modos.

Pois é lá que o bicho vai pegar daqui para frente... e é para pegar mesmo, pois, afinal, vivemos numa Democracia.

Quem tem mais garrafas para vender que as venda.

2013

O susto que o Palácio do Planalto, os partidos situacionistas e a esquerdas tomaram com as manifestações de ontem teve o desfecho esperado em situações como essa: acusar os oposicionistas de manipulação e os manifestantes de marionetes direitistas.

Elementar meu caro Watson.

Mas voltemos um pouquinho a junho de 2013, quando o Brasil foi assaltado por manifestações (quase todas violentas) contra a corrupção, os gastos da Copa e por outras razões e desculpas.

Enquanto muita gente soltava apenas foguetes, sem capacidade para enxergar a profundidade do que estava acontecendo, registrou-se por aqui o caráter conservador (de direita) das manifestações e de seus manifestantes.

Inclusive do MPL (Movimento Passe Livre) que deu origem àquelas escaramuças todas; MPL que nasceu no Fórum Social Mundial de Porto Alegre, fórum este patrocinado pelo governo Lula da Silva e pela Venezuela, de Hugo Chaves, que depois se ramificou mundo a dentro, para naufragar redondamente por falta de um discurso unificador e aglutinador das tendências e das necessidades dos grupos sociais.

C'est la vie, baby!

Viva e deixe viver.

É a Democracia! E mais do que isso: parece que agora sim o gigante resolveu acordar. E que não volte a dormir tão cedo.

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