terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Não sei se gosto das medidas de Fernando Haddad



Acho que não. Mas vamos a uma historinha ilustrativa antes.

Aqui em Brasília, este ano, um senhor de 70 anos foi aprovado em concurso público para um dos ministérios (não vou dizer qual não). O Governo Federal tentou impedir que assumisse o cargo, tendo como argumento a sua idade, a sua possível e provável curta vida útil como trabalhador e as doenças decorrentes da sua longevidade.

O senhor entrou na Justiça, ganhou e está trabalhando normalmente, e, segundo testemunhas in loco (sic), dando uma enorme contribuição ao serviço público e aos colegas – em razão de sua “vasta experiência”.

A primeira questão a ser levantada nesse caso é: se não quer se aceitar que num cidadão concursado e aprovado assuma suas funções, por que deixar que ele participe de concursos?

A resposta é simples: legalmente não se pode impedir nenhum cidadão brasileiro (a não ser em condições específicas) de prestar concurso ou de se candidatar a qualquer vaga de emprego, seja no governo, seja na iniciativa privada.

E se não se pode, razão legal também não existe para impedi-lo de trabalhar.

Beleza pura

Em American Beauty / Beleza Americana, de Sam Mendes, Lester Burnham, personagem vivido por Kevin Spacey, após deixar seu emprego de redator em uma agência de publicidade e se desentender com a intolerante e fastiosa esposa, Carolyn (Annette Bening), vai buscar um emprego “sem tanta responsabilidade” em uma loja de fast food.

De pronto é rechaçado pelo jovem atendente da lanchonete pela mesma razão usada contra o servidor brasiliense: a idade.

Lester Burnham reage, acusa o atendente e a loja de discriminação, e acaba sendo aceito no trabalho, onde, aliás, dá um flagra na esposa infiel.

Tarifa zero

A ideia do prefeito paulistano Fernando Haddad (PT) de conceder isenção total aos usuários estudantes e pobres (eita conceito vago!) do transporte público é discriminatória, inconstitucional e absolutamente estúpida. Se não, um bocado demagógica.

O que Haddad está fazendo é praticando o mais elementar do coitadismo, em escala de política pública.

Qualquer cidadão paulistano ou simples usuário do transporte público da capital paulista poderá reagir e pedir tratamento igualitário ao dos estudantes e pobres.

Visão

Há quem veja na decisão de Fernando Haddad uma estratégia para esvaziar as manifestações deste ano que entra, a serem promovidas pelo Movimento Passe Livre (MPL), por conta dos esperados aumentos nas tarifas, em razão, óbvio, da subida no preço dos combustíveis.

Se é isso e se isso vai funcionar, vamos ter de esperar até o ano que vem.

Melhor ideia (embora não concretizada) foi a de Luiza Erundina, prefeita de São Paulo, e, à época, petista como Haddad, que propôs tarifa zero para todos os usuários de transporte coletivo, com o rateamento dos custos em três partes: prefeitura, governo do Estado e empresários do setor de transporte.

Vai nessa Haddad?

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