sábado, 6 de dezembro de 2014

INTERNET: Wikipedia tem relação complexa com neutralidade da rede




Tradução: Fernanda Lizardo, edição de Leticia Nunes. Com informações de Brian Fung [“Wikipedia’s ‘complicated’ relationship with net neutrality”, The Washington Post, 25/11/14]

A equipe por trás da enciclopédia online Wikipedia acredita no potencial da Internet como um meio para propagar informações, ao menor custo possível, a usuários de países em desenvolvimento. Como exemplo disso, existe o Wikipedia Zero, projeto da Wikimedia Foundation que tem como objetivo fornecer acesso à Wikipedia de forma gratuita em telefones celulares.

A intenção aí é permitir o acesso ao conhecimento a quem não pode pagar por ele, eliminando todo o custo do acesso à informação. No entanto, este projeto depende de parceria com empresas de telecomunicações, que não são exatamente favoráveis ao princípio de neutralidade da rede – que diz, basicamente, que todo o tráfego online deve ser tratado da mesma forma pelos fornecedores de serviços de Internet.

A relação da Wikimedia Foundation com o conceito de neutralidade da rede é complicada, diz a diretora de cultura da fundação responsável pela enciclopédia, Gayle Karen Young. Embora o grupo acredite na neutralidade, a parceria necessária com as empresas deixa a questão um tanto confusa. Ela frisa, porém, que o mais importante é cumprir a missão global do grupo: fornecer conhecimento livre.

Quem paga a conta?

Mas a Wikipedia não está sozinha neste impasse. Tanto o Facebook quanto o Google operam programas internacionais que isentam usuários da navegação com dados limitados (é a chamada “taxa zero”); no Brasil mesmo, muitas empresas de telefonia celular usam do artifício para angariar clientes, oferecendo acesso limitado ao Facebook, por exemplo, no caso de adesão de algum plano mensal. Operadoras de telefonia móvel nos EUA também começaram a experimentar este modelo de negócios. Em geral, quem paga a conta em nome do consumidor é o provedor de conteúdo.

Só que, como nos EUA a discussão da neutralidade da rede está em pleno vigor, a questão torna-se muito mais complicada. Afinal, se o provedor vai pagar a diferença, como poderá aprovar o tráfego livre de todo e qualquer conteúdo, sem criar limitações? A pergunta ainda não tem repostas seguras, afirma o repórter de tecnologia do Washington Post, Brian Fung, em artigo sobre o tema.

Subsídios federais

Embora a adoção da “taxa zero” possa ser benéfica para levar informação e tecnologia aos financeiramente carentes, outros creem que a tática seja imperfeita para a promoção da adoção da internet; alegam que existem outras maneiras de fazê-lo, sem necessariamente prejudicar a neutralidade da rede. Uma possibilidade seria adaptar o Lifeline, um programa federal já existente nos EUA, que conecta milhões de americanos ao serviço de telefonia básica, para que o mesmo subsidiasse diretamente a banda larga para a população mais pobre.

Mas existem também outras preocupações. Analistas políticos temem que, em regiões onde a adoção da banda larga é relativamente baixa, as empresas de telecomunicações se beneficiem de programas como o Lifeline, que permitiriam a elas apresentar a internet para uma nova base de clientes. A “taxa zero” deixaria de ser um benefício social e se transformaria em um dispositivo de marketing.

Gayle acredita que esta não é uma preocupação de curto prazo, pois acredita que a “taxa zero” pode ser uma moda, algo passageiro, e que em algum momento os custos de tráfego de dados serão tão baixos, que a discussão se tornará desnecessária. Mas até lá, serão muitas as discussões para encontrar um paliativo.

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