domingo, 16 de novembro de 2014

Saberes e silêncios



A natureza pródiga

Um sábio estava se alimentando calmamente, ao lado de um lago. Aparece um assassino foragido da polícia e lhe pede um pouco de alimento.

O sábio o serve com toda a tranquilidade. Um discípulo, que estava chegando ali no momento, corre em direção ao sábio, enquanto o assassino anda até o lago, onde vai buscar um pouco de água para acompanhar a refeição.

O discípulo exclama ao mestre, de maneira a não ser ouvido pelo outro: “Mestre! Esse é um assassino! Como podes lhe dar alimento?”

O sábio aponta o lago e diz: “Não vês? O lago está ali e lhe fornece água. O sol que está ali, refletindo no lago, lhe concede luz. Por que eu não lhe brindaria alimento?”


Aonde Vais?

Em dois mosteiros vizinhos viviam dois jovens monges muito amigos. De manhã, sempre os monges se encontravam, cada um cuidando de seus afazeres. Certo dia, um dos monges estava varrendo o pátio de seu templo e, vendo aproximar-se o amigo, perguntou: “Olá! Aonde vais?”

O amigo respondeu, feliz: “Vou aonde meus pés me levarem...”

O monge ficou intrigado com a resposta e comentou com seu mestre. Este lhe disse: “Da próxima vez perguntem-lhe, e se não tivesse pés?’"

Quando o jovem noviço viu o amigo de novo na manhã seguinte, fez a mesma pergunta já antecipando o momento em que pegaria o amigo de jeito, desta vez: “Aonde vais?”

Mas o outro disse: “Aonde o vento me levar!”

O monge ficou frustrado. Voltou ao mestre e contou a nova resposta, e este, sorrindo, disse: “Da próxima vez, diga-lhe, ‘e se o vento parasse de soprar?’"

O jovem monge ficou encantado com a ideia: “Sim, sim! Essa é boa! Agora ele não me escapa!”

No dia seguinte, ao amanhecer, ele viu seu amigo aproximando-se de novo. Perguntou-lhe: “Olá! Aonde vais?”

O amigo parou, sorriu-lhe, e falou suavemente: “Simplesmente vou ao mercado, meu amigo...”, e seguiu seu caminho.

O silêncio completo

Quatro monges decidiram meditar em silêncio completo, sem falar por duas semanas.

Na noite do primeiro dia a vela começou a falhar e então apagou.

O primeiro monge disse: “Oh, não! A vela apagou!           

O segundo comentou: “Não tínhamos que ficar em silêncio completo?”

O terceiro reclamou: “Por que vocês dois quebraram o silêncio?”

Finalmente o quarto afirmou, todo orgulhoso: “Ah! Eu sou o único que não falou!”

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