terça-feira, 25 de novembro de 2014

Os EUA em “morte e vida severina”



Depende!

Não deveria depender não! Não existe meia democracia, assim como não existe meio grávida, meio doente e meio apaixonado.

Essa história do “caminho do meio” só vale para uma parte do budismo.

Uma definição razoavelmente precisa a respeito da origem da democracia pode ser encontrada na Wikipédia:

“O termo origina-se do grego antigo δημοκρατία (dēmokratía ou "governo do povo"), 1 que foi criado a partir δῆμος (demos ou "povo") e κράτος (kratos ou "poder") no século V a.C. para denotar os sistemas políticos então existentes em cidades-Estados gregas, principalmente Atenas; o termo é um antônimo para ἀριστοκρατία (aristokratia ou "regime de uma aristocracia" como seu nome indica). Embora, teoricamente, estas definições sejam opostas, na prática, a distinção entre elas foi obscurecida historicamente. 2 No sistema político da Atenas Clássica, por exemplo, a cidadania democrática abrangia apenas homens, filhos de pai e mãe atenienses, livres e maiores de 21 anos, enquanto estrangeiros, escravos e mulheres eram grupos excluídos da participação política. Em praticamente todos os governos democráticos em toda a história antiga e moderna, a cidadania democrática valia apenas para uma elite de pessoas, até que a emancipação completa foi conquistada para todos os cidadãos adultos na maioria das democracias modernas através de movimentos por sufrágio universal durante os séculos XIX e XX.”

Como se vê, para os padrões atuais, a democracia da Grécia Antiga anda meio démodé.

É de Abraham Lincoln essa história de que “a democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo”.

Horrível!

Anarquistas como eu pulam miudinho frente a essa falácia.

Se você é governado, você não é livre; se você não é livre, não existe democracia.

A melhor coisa que poderíamos fazer, por nós e pelo Planeta, é acabar com a democracia.

Relativismo

 Mas voltemos aos EUA e ao relativismo da sua democracia.

A rigor, o país tem instituições sólidas e que funcionam, independência dos Estados federativos e a população autonomia para tocar as suas vidinhas da forma que quiser.

O bicho, no entanto, pega em duas frentes.

Na relação dos EUA com os outros países e na relação do Estado nacional com os seus, especialmente os chicanos e os assim autointitulados afrodescendentes.

Para se saber um pouco mais de como os EUA, por exemplo, se fizeram em toda a América Latina, destronando o Reino Unido, na passagem do século 19 para o 20, é bom procurar uma série de estudos a respeito, patrocinados e editados pela Universidade de Brasília (UnB).

Ou seja, trocamos de algoz e de senhor feudal.

Senhor feudal, por exemplo, é um cara democrata? É não, né?

Drogas e violência de Estado

Há uma série de estudos norte-americanos, que podem ser facilmente encontrados na internet, mostrando a vinculação da repressão e da violência do Estado contra os grupos minoritários: chineses, japoneses, italianos, negros e hispânicos.

A fórmula é simples e funcional: associe o grupo ao tráfico de alguma droga, o identifique como bandidos e acelere a repressão.

A atual associação do negro e do hispânico com as marginalidade e a consequente repressão foi objeto de estudo e de um texto bem humorado e provocativo da jornalista Lúcia Guimarães, para o jornal O Estado de São Paulo.

Em Nova York, apenas na cidade de Nova York, em um espaço de 10 anos – de 2001 a 2011 – a polícia local realizou 800 mil abordagens não justificadas pelas ruas da city.

Sabe fazer contas? Então faça para descobrir quantas abordagens não justificadas foram feitas a cada dia.

Novidade! Todos os abordados eram negros e/ou hispânicos. Não havia um só branco em meio deles.

Novidade!!!

Assim meio que de repente dá para você entender como e porque um policial branco matou a tiros Darren Wilson, em Ferguson, no Missouri.

E como e porque um garoto negro de apenas 13 anos, que portava uma arma de brinquedo, foi morto ontem em nova ação policial?

Tá achando o que? Que isso é democracia?

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