segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Militâncias há, mas é preciso separar as coisas


Crédito da foto: omaranhao.com

Gosto muito das militâncias. No Brasil, na história toda, há pouco paralelo a se fazer com a militância petista.

Ela faz uma diferença enorme, especialmente em épocas de eleição, e isso deixa a direita hiper apavorada.

Mas é bom mesmo separar as coisas. Nem todo sujeito anti-petista é, necessariamente, direitista. Digo até que a maioria não é não.

E acho que posso dizer isso, pois já cheguei aos 65, e conheço este País de cabo a rabo, como poucos brasileiros podem dizer que conhecem.

Temo que a maioria seja mesmo alienada, pouco informada e meio que preguiçosa.

Culpa em grande parte do nosso (sempre) sistema de educação alienante e excludente.

Não se iludam. A educação brasileira sempre foi ruim. Assim como a nossa imprensa sempre foi uma grande merda.

Misture tudo isso a um caretismo social e a uma religiosidade castradora e temos o brasileiro.

Militâncias

A militância é boa, mas aqui também é preciso separar uma coisa da outra.

Militância de ocasião, e hoje em dia a bordo de um computador, pode ser legal e estratégica em certas ocasiões, mas são resolve as coisas, especialmente quando as coisas devem ser resolvidas, custe o que custar, doa a quem doer.

Dou alguns exemplos.

Nos fantásticos anos 60, milhares de jovens universitários norte-americanos burlavam o embargo e as restrições impostas pelo governo dos EUA e iam para Cuba ajudar na colheita da cana de açúcar.

À época o único produto “rentável” da economia cubana, ainda não de todo atrelada à então URSS.

Claro que no retorno sofriam um sem-número de interrogatórios e até prisões.

Mas militância é militância, não é mesmo?

Nos anos 70, na pré-vida do PT e ainda sob o tacão da moribunda ditadura militar, tínhamos de driblar os esquerdistas de gabinete que teimavam em aparecer em reuniões que fazíamos especialmente com lavradores e índios nas periferias sociais e econômicas brasileiras.

Esses caras eram uns chatos de carteirinha, que nunca entenderam o mundo do índio e do lavrador sem terra.

Estavam todos embasados em sapiências de livros que têm tanto contato com a realidade campesina brasileira quanto eu já casei 18 vezes com louras escandinavas.

É preciso ouvir as pessoas. Mas gente arrogante – de esquerda ou de direita – não costuma fazer isso.

É péssimo.

A minha sugestão é a de sempre: tire a bunda da cadeira, saia de frente do computador, bote uma mochila nas costas, e vá conhecer a realidade do seu País.

Depois a gente conversa sobre realidade brasileira e militâncias.

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