quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Crise da água: reação lenta e críticas ridículas




Transposição do São Francisco: uma das ideias mais estupidas que alguém já teve neste país (crédito da foto www.cearaagora.com.br)

Mantenho a minha posição de que há água demais no Planeta, mas em alguns lugares da Terra, como no Brasil, ela é má utilizada.

A primeira questão, portanto, é que mantenho minha posição de não usar água de maneira parcimoniosa, já que a questão não está no uso, nem no desperdício (sic), mas nas políticas públicas que fazem a gestão dos recursos hídricos.

Se num gesto amalucado os 7,2 bilhões de seres humanos resolvessem se suicidar, afogando-se, haveria água para todo mundo e ainda sobraria muita para que outros animais cometessem a mesma sandice.

Mais de meia centena de países praticam o reuso da água, coisa que só ocorreu agora ao governo do Estado de São Paulo, e deve ocorrer ao do Estado de Minas e assim sucessivamente.

97,3 % da água na Terra é salgada. No restante, 2,7%, ainda está presente a “água salobra” que precisa, obviamente, ser potabilizada para uso doméstico (principalmente). Boa parte dos interiores brasileiros (os nossos sertões) apresentam água salobra.

Viva a Paraíba

Há anos, o Brasil importa da Alemanha um kit de osmose reversa, ao custo de 250 dólares cada um, para fazer frente ao problema da água salobra.

São milhares que kits espalhados pelo Brasil, drenando parte da economia; kits que duram, se muito, dois anos.

Na Universidade Federal de Campina Grande, na Paraíba, há anos dorme nas prateleiras acadêmicas uma tecnologia para dessalinizar a água, tecnologia que, ao que parece, não causa interesse na pujante indústria nacional (nem no governo federal).

Dessalinização

No início do anos 70, quando aumentaram as pressões contra comunidades judias no Leste da então União Soviética, Israel fez gestão junto ao Brasil para deslocar para cá parte daquele contingente humano que acabaria migrando para o País, pressionando áreas fronteiriças onde viviam (e vivem) palestinos.


A ideia era simples: os migrantes judeus viriam e se instalariam no Brasil, Israel cuidaria dos investimentos para os assentamentos e ainda dava ao País a tecnologia que usa para dessalinização da água.

O governo militar recusou (nunca consegui entender muito bem porque). Todos saíram perdendo: o Brasil, Israel e principalmente os palestinos, que hoje vivem sob a pressão dos assentamentos israelenses e em eterno conflito com as forças militares daquele país.

Ideia estúpida

Já se pensou em arrastar geleiras do Polo Sul (a ideia foi da Arábia Saudita) para fazer frente à escassez de água, especialmente em regiões mais secas, como o Golfo Pérsico e norte da África.

Ecologicamente iria ser um negócio tenebroso, se bem que as área geladas estão derretendo mesmo, graças aos bons préstimos do desenvolvimentismo capitalista.

No Brasil

O Estado do Ceará, que tem 75% de seu território na Caatinga, possui uma enorme reserva de água de rocha, que nunca foi explorada e mal e porcamente é estudada.

Os EUA usam muito bem as águas de rocha, reenchendo, inclusive, os reservatórios naturais para prevenir escassez no futuro.

Há ainda a questão dos aquíferos. O Brasil tem dois, o Guarani, 2.000 e tantos metros abaixo da superfície dos 3 estados sulistas e de parte de São Paulo (além de Paraguai, Argentina e Uruguai); e um outro sob a superfície do Rio Grande do Norte, parte da Paraíba e do Ceará.

O que se faz hoje para explorar esses mananciais todos? Pouco, quase nada. E pouco e de forma equivocada, pois a exploração do Guarani já está colocando em risco a pureza da água.

Não bastasse isso, temos bacias hidrográficas fenomenais (Solimões + Negro = Amazonas; Araguaia + Tocantins; Prata + Paraná).

E pra não dizer que somos modestos, que por natureza modestos não somos mesmo, temos mais de 8 mil quilômetros de costa no Atlântico e uma plataforma continental que não pára de crescer, embora já seja enorme.

Daí não se entender e nem aceitar não apenas o racionamento, como igualmente que cidades como Natal, a capital do Rio Grande Norte, tenha toda a sua água contaminada por bactérias.

Críticas tolas

O governo do Estado de São Paulo está sendo criticado, duramente, por começar a implantar o reuso da água.

Besteira, coisa de gente ignorante e/ou rancorosa.

É isso que o Estado deveria ter feito há muito tempo. Se o governo paulista merece crítica é por sua lentidão em adotar a medida.

Tudo isso posto, a transposição de rios, tal qual está se propondo e fazendo com o São Francisco, é de uma estupidez incomensurável.

Além de não resolver a questão da carência de água no Nordeste brasileiro ainda vai acabar com um dos rios mais espetaculares deste País.

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