segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O ódio pode derrotar Dilma e o PT no segundo turno

A reação à vitória de Dilma Rousseff sobre José Serra, há quatro anos, e que teve como destaque negativo a estudante de direito Mayara Petruso, foi fichinha frente à série de absurdos que se viu na internet após a eleição de ontem.

E é só o primeiro turno. Imagine se Dilma bater Aécio no segundo, o que, aliás, deve acontecer.

Há uma infinidade de bostagens – são bostagens mesmo, não postagens – atacando nordestinos, pobres e negros.

Para essa gente, nordestinos, pobres e negros são as três pragas que o Brasil tem. Portanto é preciso eliminá-las.

Quero saber como se vai continuar o País sem eles.

O Ministério Público está na obrigação de oferecer denúncia contra esses estúpidos bostadores e a justiça de metê-los na cadeia.

Os dois anos e tanto que Mayara pegou por conta das ofensas de há quatro anos parecem que não intimidaram essa patuleia bostadora.

Bem na fita

Apesar do susto, Dilma vai bem na fita. Teve mais do que 8 pontos percentuais que Aécio e deve levar essa também.

Sempre quem chega a esse patamar leva.

Mas como tudo tem uma primeira vez é preciso cuidado.

O PSDB é um partido extremamente profissional. Aécio Neves é um cara à la José Serra, para quem o caráter não é uma coisa a se levar muito a sério.

Mas a grande questão dilmista e petista é o ódio que se alastrou pela sociedade toda, quer dizer, por todas as camadas sociais, contra o petismo e o seu governo.

Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.

Boa parte dos brasileiros, inclusive os pobres, repete o mantra da corrupção petista.

Gente que se beneficia dos programas sociais do governo aparenta não se dar conta disso, e engrossa o caldo das críticas e do voto do ódio.

Deveria parar para pensar um pouco, especialmente em duas coisas:

- o discurso da corrupção serve para quem? Para o pobre, o preto, a puta é que não. Para essa gente interessam mesmo são os programas sociais que vão ajudá-los a sair do atoleiro histórico da pobreza.

- com o PSDB voltando ao poder qual é a garantia que os programas sociais vão continuar?

Talvez permaneçam os programas que facilitem a vida da classe média: crédito, bolsas de estudos etc. e tal.

Mas os pobres, os desvalidos da terra, precisam disso, ou precisam, já, de comida, de trabalho e de ascensão social?

Pedir para as pessoas pensarem, e consequentemente refletirem, seria mais do que crueldade de minha parte.

As pessoas não pensam.

Seguem como manada.

E esse seguir pode muito bem terminar num matadouro.

Em tempo: Os votos de Minas Gerais e de São Paulo devem decidir a eleição.

Aécio sabe que não se cria no Nordeste.

Dilma sabe que não se cria na classe média.

É de se ver quem vai ter mais habilidade para ganhar mineiros e paulistas.

Os paulistas já fizeram uma suntuosa cagada elegendo Alckmin e Serra.


Vai saber do que esses meus conterrâneos são capazes!

sábado, 4 de outubro de 2014

Votar ou não votar, eis a questão


É supostamente de William Shakespeare a “ser ou não ser, eis a questão” / To be or not to be, that's the question.

Supostamente porque a frase não era original quando o bardo escreveu Hamlet.

E há outra faceta na história: para muitos estudiosos sequer Shakespeare existiu. Suas obras teriam sido obras de autores diferentes.

Bem, deixemos os sabidões de lado e sigamos em frente.

Há uma outra frase muito interessante: “de onde eu vim, para onde eu vou”.

Hedonismo da pesada.

Tenho a minha: “sou eu o mundo que está errado”. Provavelmente nenhum dos dois.

Ontem uma amiga estava reclamando de ter de votar amanhã.

Acha as filas de votação muito chatas e o voto inútil.

Tem lá um pouco de razão em ambos os casos.

Está em dúvida. Periga anular o voto, mas para presidente deve votar no Aécio.

É um direito. Nada a objetar. Ela está naquele grupo de odiadores do PT e dos movimentos sociais, tão hostilizados pela mídia conservadora, o chamado PIG.

Quem lê, vê ou ouve o que não deve não enxerga a nossa vã realidade direito.

Fazer o que?

Obrigatoriedade de votar. Eis uma questão sobre a qual não consigo firmar posição.

Há quem defenda que a obrigatoriedade é um arbítrio do Estado e que contraria a liberdade de escolha ou opção do cidadão.

Há quem defenda que desobrigar o cidadão a votar é um desserviço à democracia e à república, democracia e república que ainda não são sólidas por aqui, por esta grande terra de Tupã.

São típicos argumentos dupla face: uma ruim, outra boa.

Os conservadores, aquela galera de direita, são os defensores mais ferrenhos da não obrigatoriedade do voto.

Eles se espelham, obviamente, na prática norte-americana, naquele paraíso terreno de onde essa gente tirar a sua enorme sabedoria de churrascão na laje.

Tenho para mim, porém, no entanto, todavia, que adotada a não obrigatoriedade de voto, isso seria um tiro no pé exatamente da direita.

Esquerdista que é esquerdista não deixa eleição passar em branco. Vai a todas. Milita em todas, inclusive usando recursos próprios.

Esse aliás é o grande pavor dos políticos conservadores: a militância de esquerda, no caso brasileiro, a militância petista.

É essa gente que faz a diferença no dia da eleição.

Mas conservador que é conservador não pensa.

Não liga o lé com o cré. O tico com o teco.

É tão estúpida essa gente que chega, como no caso, a defender modismos que em última instância acabam por prejudicar a eles mesmos.

Fazer o que?


Não dá para comprar inteligência com cartão de crédito.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Eleição, cervejas e outras bobagens

Crédito: catracalivre.com.br 
Desta vez não tivemos bolinha de papel e nem aquele quéquéqué todo a respeito do aborto, aliás, com a inestimável ajuda de um bispo católico da grande São Paulo e da ex-senhora Zé Serra, que, mais uma vez aliás, havia feito aborto.

Um babosal sem tamanho que não serviu pra nada.

Lula deixava o governo com mais de 80 por cento de aprovação e levou Dilma para o Palácio do Planalto.

Este ano a história são histórias, 3: corrupção, incompetência e ataques pessoais.

Marina que ainda luta para pelo menos ir ao segundo turno acabou sendo a vítima das vítimas.

Fez cara de vítima e pelo jeito vai se ferrar.

Porém, contundo, no entanto, todavia, alguma coisa ficou fora da ordem.

Todo mundo evita falar no tal do desenvolvimento que tem destruído gentes, plantas e bichos.
  
Marina Silva teve de ir aos EUA num beija mão ridículo, e se explicar que não é bem assim.

Ela é verde, mas sabe como é que é, no sol forte brasileiro a fruta amadurece rapidinho.

Aécio continua enrolado com histórias  de aviação – aeroportos e helicópteros e outros PÓrens.

Enquanto houver um iphone novo pra comprar Dilma faz de conta que os índios não existem e vai tocando as suas obras no meio da floresta.

O que também não está se discutindo é a questão da violência, boa parte dela provocada pelo crime organizado, crime organizado que está, em boa parte dele, organizado pelas forças que deveriam combatê-lo.

O governo federal bem poderia acabar com essa historinha, ou pelo menos ameniza-la.

Mas interessa não.

A corrupção é a tese mais patética. Num país em que as elites são intrinsecamente corruptas passar esse abacaxi para o PT é pra lá de ridículo.

Do que está posto na mesa, a tese da incompetência também é tonta. Com tantos números a mostrar e com tantos projetos sendo copiados no exterior, querer pregar no PT essa pecha é ineficaz, esdrúxula e infantil.

Os ataques pessoais realmente são péssimo.

Ninguém perdoa ninguém.


Nem parece que essa gente toda vai tomar uma cervejinha juntos logo depois do expediente.