quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Um papa mais do que pop. É outsider mesmo

Crédito: Adital
O papa Francisco é aquilo que em tempos mais inteligentes e menos minimalistas se chamava outsider.

Outsider é todo aquele que não se enquadra na sociedade, que vive à margem das convenções sociais e determina seu próprio estilo de vida.

Talvez seja por isso, e por outras coisas, que até a sua eleição nenhuma papa viera no Terceiro Mundo.

Com seu jeitão meio desleixado, pouco dado às seriedades e às casmurrices, argentino ao extremo, o papa Francisco vai quebrando paradigmas.

Esta semana fez um casamento coletivo de gente que já vivia junto há muito tempo e tinha filhos.

Uma heresia até bem pouco tempo.

Já sinalizou que a santa igreja deve reconhecer o direito dos homossexuais.

Já demonstrou simpatia para com as mulheres que abortam, embora seja esta uma batata difícil de descascar dentro da veneranda e milenar Igreja Católica Apostólica Romana.

Vai mais longe e recupera e atualiza a Teologia da Libertação, que tanta dor de cabeça deu, e ainda dá, aos conservadores de dentro e de fora da igreja.

Conforme relata Marcela Belchior para a Adital - “Movimentos Populares de todo o mundo devem se encontrar com o Papa em outubro” – o papa busca recuperar o papel de protagonista da Igreja, no sentido de a Igreja trilhar por um “mundo mais justo”.

[Buscando responder ao compromisso firmado pelo Papa Francisco de construir uma Igreja Católica voltada aos pobres e excluídos, por um desenvolvimento mais justo em toda a sociedade, será realizado, de 27 a 29 de outubro deste ano, na Cidade do Vaticano, o Encontro Mundial de Movimentos Populares. O objetivo é reunir representantes de organizações sociais de todo o mundo e de membros eclesiásticos para que juntos vislumbrem novos caminhos de inclusão social.

Já estão convidados dirigentes de organizações de trabalhadores excluídos e informais, migrantes, jovens marginalizados, agricultores familiares e camponeses sem terra, moradores de assentamentos urbanos informais e de zonas marginalizadas. No espaço, será dada especial prioridade aos jovens e às mulheres, que, em muitos casos, sofrem múltiplas injustiças.

Para o evento também são convidados bispos e agentes pastorais, que acompanham os movimentos sociais ou pessoas que sofrem exclusão. A expectativa é de que participem cerca de 150 representantes das lutas sociais, sendo 100 deles oriundos de organizações populares de diferentes continentes, 30 bispos de várias partes do mundo e outros 20 da Igreja local e da Cúria Romana.

"É desejo da Igreja tomar para si mesma as necessidades daqueles que sofrem marginalização e exclusão e que, com diversas iniciativas, buscam ser protagonistas de uma mudança social que permita a edificação de um mundo mais justo”, expõe o convite do Encontro. "Por isso, pela convocatória a esse Encontro, a Igreja busca apoiá-los, aconselhá-los e fortalecê-los nesse empenho, reconhecendo com o contato direto suas experiências e aprendendo com estas para enriquecer sua própria missão”, acrescenta o texto do comunicado sobre o Encontro.

Metodologia do debate

A pretensão é gerar um encontro inclusivo, onde todos se sintam protagonistas. Para isso, ele se estruturará sobre a base "Ver-Julgar-Atuar”, que promove a metodologia de realizar escuta, estimular o discernimento e honrar um compromisso. Primeiramente, serão realizados relatos sobre a realidade da exclusão a partir das experiências dos participantes. Em seguida, haverá uma escuta coletiva do Evangelii Gaudium, primeira Exortação Apostólica Pós-Sinodal escrita pelo Para Francisco, publicada no encerramento do Ano de Fé, no dia 24 de novembro de 2013.

O evento promoverá ainda um momento dos participantes com o Sumo Pontífice, que deverá liderar a discussão sobre questões de marginalização social. A finalidade é obter um panorama da atual situação de vulnerabilidade, miséria e exclusão, tanto urbana quanto rural, de que padecem milhões de pessoas no planeta.

As temáticas estão simbolicamente divididas em Pão (Trabalho: trabalhadores informais, jovens marginalizados e mundo laboral), Terra (Ambiente: camponeses, meio ambiente e soberania alimentar, agricultura e pátria), e Lar (Moradia: assentamentos informais, moradia precária e periferias urbanas). Haverá ainda sessões sobre meio ambiente e mudança climática, além de debates sobre movimentos pela paz.

Após as discussões, a pretensão é que seja elaborada uma proposta de inclusão social, tanto em nível local quando global. Os representantes dos movimentos sociais serão convidados a debaterem e reelaborarem uma proposição para a formação de um Conselho Geral de Movimentos Populares, de caráter mundial. "Deseja-se promover um espaço privilegiado para quem muitas vezes é silenciado; para quem, na ordinária vida social, não conta com âmbitos propícios para compartilhar e difundir suas experiências”, aponta o convite do Encontro.]

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