segunda-feira, 21 de julho de 2014

Há um cheiro de guerra (total) no ar (?)


Crédito da ilustração: www.vaicomtudo.com

Este afalaire vai voltando aos poucos à ativa. Há no fim desta postagem referências há dois pequenos textos (mais impressões e desabafos que qualquer outra coisa) que já foram publicados (na quinta-feira e no domingo passado).

Se pensa, a partir de agora, voltar à velha rotina de pelo menos um texto por dia.

Vamos ver o que será possível fazer.

Mas neste texto especificamente vai se cuidar, abaixo, das muitas escaramuças que estão levando o mundo a um confronto, ou a possibilidade, de hoje, um confronto total.

Importante: o texto que se segue será um pouco longo, mas vai se procurar quebrá-lo com intertítulos para facilitar a leitura.

Marx e a repetição da História

Em “O 18 Brumário de Luís Bonaparte” Karl Marx referiu-se à sucessão de dois Bonapartes à frente de governos de exceção na França. O primeiro, Napoleão, foi uma tragédia. O segundo, Luís, foi uma farsa: "A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

A oração de Marx é famosíssima e repetida à larga, mas é preciso tomá-la na sua intencionalidade, e não como muita gente a toma, no sentido de um fato histórico que se repete duas vezes: uma vez como tragédia, outra como farsa.

O que o velho barbudo disse às claras é que histórias que acontece trágica tende a se repetir como farsa.

Mas ao que parece, Karl Marx está para ser desmentido, pois o que se avizinha por aí não é uma repetição da tragédia como farsa, mas a sua repetição como uma tragédia ainda maior.

O mundo anda por de mais convulsionado, e o único organismo que teria algo a fazer para conter que a humanidade enfrente anos e anos de barbárie, a ONU, não dá mostras de que tenha força e vontade para tanto.

Mas antes que sigamos, vamos ao que diz Ricardo Melo, in Choque de indigestão na Folha de São Paulo de hoje: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/176946-choque-de-indigestao.shtml

Indigestões

“Cheiro de queimado no ar”
[Um avião civil é fulminado a 10 mil metros de altura, matando centenas de inocentes. Israel volta a atacar Gaza sem piedade. No Iraque, os anos de intervenção americana resultaram na criação de um califado. Na ausência de lideranças convincentes, a primavera árabe desembocou no inverno de outra ditadura sanguinária no Egito. A direita avança na Europa.
Com a economia mundial em pandarecos, guerras são sempre uma válvula de escape para lubrificar a engrenagem do capital, fazer a máquina girar. A extensão dos conflitos é imprevisível, principalmente quando a ONU mostra-se cada vez mais uma entidade decorativa. Mas que há um odor muito forte de queimado no ar, isto há.]

Melo faz uma passeada pelos vários conflitos que pululam pelo mundo todo neste momento (com algumas falhas, pois deixa o massacre dos curdos de fora), e que estariam levando o planeta ao que chama de “um odor muito forte de queimado no ar”.

Guerra Fria quente

No tempo de Guerra Fria (EUA X URSS), que supostamente se estendeu de 1945 a 1991, o mundo esteve por diversas vezes às portas de uma catástrofe nuclear e a raça humana à beira da extinção.

O mais espetacular desses momentos agudos se deu por conta da crise dos mísseis em Cuba (outubro de 1962). Para entender o caso veja http://www.brasilescola.com/historiag/crise-dos-misseis.htm.

Em alguma medida a Primavera Árabe (insuflada por governos da região, bem como pelos Estados Unidos e por países europeus) se encaixa neste atual quadro convulso e dantesdo.

Há que se voltar um pouco ao texto de Melo, acima, e também ir ao texto de Luiz Felipe Pondé abaixo para melhor entender esse “convulsionamento”.

A tese da guerra total norte-americana, no pós-11 de setembro, empurrou o mundo para o abismo, mas há outros fatores.

Fatores de guerra

Diferente o que ocorreu com a Alemanha derrotada na chamada (mal chamada, diga-se) Segunda Guerra Mundial, a União Soviética se desfez sem que houvessem punições e punidos.

Foi uma derrota física (financeira) e moral, que acabou por culminar num mundo de poucas luzes e nenhuma reflexão, e insuflou o surgimento de um sem-número de grupos beligerantes (não necessariamente nacionais) que usufruíram com certa tranquilidade do espólio bélico dos ex-soviéticos.

Mas eis que a Rússia voltou. E voltou rugindo. E voltou pretendendo recuperar-se, recuperar sua hegemonia, primeiro na região, e quiçá, em breve, na Europa e no mundo.

Eis que a China está aí, silenciosa, à espreita, como lhe é de costume, pronta a abocanhar espaços e mais espaços, territoriais e econômicos, numa reconstrução segura e irrefreável daquilo que muitos historiadores têm como a única potencia mundial da história da humanidade.

Eis que a periferia do Capitalismo – superando o terceiro-mundismo – se organiza, se alia ora aqui, ora ali, mas sempre em confronto e em negação ao Ocidente e ao Capitalismo.

Não por acaso, Lula, o hoje defunto Hugo Chaves, Putin e o velho Fidel são fetiches; são as neo-bruxas que necessitam ser mortas em fogueiras medievais.
 
Eis que um novo gigante se alevanta: a Alemanha unificada, revivida e agora orgulhosa.

Eis que a crise econômica, que aponta para a superação do Capitalismo, não dá trégua. E nem dará. Nem dará até o fim dos tempos (capitalistas).

O duque da guerra

Se o assassinato de Francisco Ferdinando, príncipe do império austro-húngaro, enquanto fazia uma visita a Saravejo, região da Bósnia-Herzegovina, foi o mote para a eclosão da primeira guerra mundial (que se estendeu para  a segunda, para a Coreia, para o Vietnam, e para tudo o que se seguiu até hoje), a questão primordial continua sendo a econômica.

E para se resolver a economia (e as suas crises) necessário é dominar, invadir, guerrear.

É preciso mais que boa vontade para “excluir da humanidade fora dessa”.

Não creio! Crê você?

É a guerra. Não chore. Você contribuiu com isso com a sua pasmaceira.

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Um comentário:

  1. Pepe Escobar: Foi o míssil de Putin?
    http://jornalggn.com.br/blog/adriano-s-ribeiro/pepe-escobar-foi-o-missil-de-putin

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