sábado, 26 de julho de 2014

A solidão é o melhor dos mundos (?) - 3



Me defini por escrever aos 9 anos, solidifiquei a pretensão aos 11 e tornei-me jornalista com pouco mais de 20. Antes disso cometi alguns textos e muita “poesia” - todas muito ruins, que me vi obrigado a descartá-las.

A profissão (jornalismo) é por si só coletiva, o que sempre me incomodou um bocado.

Sou dos cantos dos quartos, das penumbras das salas, das viagens aquietantes e de poucas falas; dos acampamentos à sós, da entrega incondicional à amante e ao amor.

Entendo que muita gente não veja o mundo assim, mas não acredito senão na entrega incondicional.

Após vagar por inúmeras redações, optei pela atividade solitária, por escrever encravado e assentado numa cadeira, num quarto (escritório). À sós com meus afazeres, pensamentos e fantasmas.

Confesso que está sendo um bocado difícil. Aquilo que tentei evitar que acossasse meu amigo doutorado, me acomete agora.

É uma barra pesada demais.

Nos nossos confrontos com o nada (nihil) acabamos por ser empurrados para cometer injustiças e desumanidades.

E foi isso que acabei por fazer.

O estranho da história é que aquela a quem cantei juras de amores, para quem revelei que era ela e mais ninguém, por quem esperei todos esse longos 65 anos, foi a vítima da minha solidão e de meu destempero, por que não, do meu machismo, do mesmo sexismo; das minhas injustiças e atrocidades.

Creio que não haja mais como recuperar, como reverter o quadro, como voltar atrás, como ser aceito novamente.

Talvez seja hora (como já aconteceu outras vezes) de mudar de novo.

De buscar o novo-velho, de recuperar etapas, de me retomar como ser social.

Ou não. Vai saber.

(fim)

Abaixo, algumas coisinhas em poesia (ou quase isso):

Nublado
Comprei roupas novas pra te ver
E você sequer notou

Possibilidades
Talvez esteja pagando pelo que fiz
Talvez esteja pagando pelo que fiz e não fiz
Talvez, meu talvez, esteja inflacionado


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