sábado, 26 de julho de 2014

A solidão é o melhor dos mundos (?) - 2



Às tantas, e por breve período, discutimos se a melhor opção não seria meu amigo ter optado por morar no centro de São Paulo, ali pela rua Augusta ou pelo Largo do Arouche, onde há extraordinários apartamentos.

Era essa a sua tese, não a minha.

O seu argumento era que morando em SP teria o acesso facilitado aos bens culturais paulistanos – cinemas, teatros, as putas da “boca do lixo”, a garotas de programa mais sofisticas, a shopping e supermercados etc. e tal.

Se apegava no exemplo de um outro paulista, como nós, que voltou a SP igualmente para um doutorado (acho que na USP) e optou por alugar um apartamento (creio que na rua Augusta) que ficava no mesmo prédio de um cinema (de rua) e perto de outros equipamentos cultuais e sociais.

Usufruiu do que planejara usufruir? NÃO! Assim como meu amigo não usufruiria.

Meu argumento era que, isolado num apartamento no centro paulistano, ficaria ele à mercê de eventos fortuitos, de humores outros, e, ainda, distante de seus amigos e parentes, mesmo daqueles que eventualmente fosse apenas acenar e desejar felicidades da janela de seu apartamento chacareiro.

Cedeu aos meus encantos e argumentos.

“É a maldita solidão, pense nisso!”

Nós que optamos por atividades e atitudes intelectuais (se me é permito dizer dessa forma) estamos fadados à solidão, à não-compreensão, ao olvido e ao desprezo.

Exceção feita, óbvia , àqueles que se tornam famosos e/ou endinheirados (fama e dinheiro trazem amigos, amantes, e convites para festas e programas de TV).

No mais, estamos fudidos e enfarinhados (a expressão original é fritos e enfarinhados, numa inversão besta).

E aí começa o meu lado nessa história.

(continua)

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